21 de fev de 2013

Trinta anos de Barão e de BRock*




A turnê “Mais Uma Dose”, que o Barão Vermelho traz a BH na próxima sexta (22), no Chevrolet Hall, tem como mote a celebração dos 30 anos de lançamento do primeiro disco da banda. Mas a razão para a reunião do grupo, que desde 2007 não se apresentava junto, chega a ser modesta perto do simbolismo do álbum.

O homônimo “Barão Vermelho”, que chegou às lojas em setembro de 1982, é, em termos cronológicos, a pedra fundamental do BRock – como ficou conhecido o movimento de bandas que intensificou a presença do rock no cenário brasileiro na década de 1980. Os demais representantes do rock oitentista no Brasil só viriam a público depois: Os Paralamas do Sucesso lançaram o primeiro disco em 1983; os Titãs, em 1984; em 1985, seria a vez de Legião Urbana e Ultraje a Rigor. Em 1982, somente a Blitz corria em paralelo, mas flertando muito mais com o pop bem-humorado que com as guitarras barulhentas dos Stones, uma referência sonora clara na primeira produção de Cazuza, Frejat e companhia.

Lá estão “Down em Mim”, “Ponto Fraco” e “Todo Amor Que Houver Nessa Vida”, clássico nato e suficiente para que Caetano Veloso, poucos meses depois de lançado o disco, incluísse a música em seu repertório e desse a Cazuza o título de poeta de sua geração. A repercussão do trabalho, porém, foi tímida, e o disco só vendeu 7.000 cópias, o que não tira da banda o orgulho do primogênito. “Já tocávamos bem e o Cazuza, mesmo perseguido na época por gritar mais do que cantar, já demonstrava ser genial. O que acontece é que tudo o que é bom e novo realmente incomoda”, comenta o baterista Guto Goffi.

O sucesso viria de maneira progressiva, nos dois discos seguintes, embalado por “Pro Dia Nascer Feliz” e “Bete Balanço”, e toda essa história tem lugar no repertório do show que a banda apresenta na cidade, reforça o guitarrista Fernando Magalhães. “O show está mais rock’n’roll do que nunca, divertidíssimo, com os nossos sucessos e tudo o mais que os nossos admiradores sempre curtiram nestas três décadas de banda. ‘Pedra, flor e espinho’, ‘Bete Balanço’, ‘Puro Êxtase’ e 'Pro Dia Nascer Feliz’ são alguns deles”.

Para os fãs que esperam mais uma dose de Barão depois dessa turnê comemorativa, fica o recado de que talvez esta seja a saideira. “Não temos planos além da turnê no momento. Cada um de nós vai seguir em suas carreiras individuais a partir de abril. Esta foi a maneira que encontramos de preservar a banda, mas como diz o ditado, ‘nunca diga nunca’”, diz Fernando.

Barão Vermelho
Chevrolet Hall (av. Nossa Senhora do Carmo, 230, Savassi, 4003-5588). Dia 22 (sexta), às 22h. R$ 140 (inteira, 4º lote)

*Publicado na edição de 16/2 do Jornal Pampulha

11 de fev de 2013

O sagrado, o profano e o U2



Em decisão que não se repetia há seis séculos, o Papa Bento XVI renunciou hoje (11) ao seu posto. Em plena segunda-feira de Carnaval. O chefe maior da Igreja Católica deixando o cargo vago em plena festa da carne. Não bastasse o simbolismo do momento no qual foi divulgada a decisão do Papa, o U2 - na verdade, metade dele, sem querer, acabou entrando nessa encruzilhada Carnaval/Igreja.

Assim que a notícia da renúncia se espalhou pelo mundo, casas de apostas em Londres começaram a receber palpitas sobre os prováveis sucessores de Bento XVI. Eis que, em último lugar na lista de apostas, aparece o nome dele: Bono. O messias do rock, o mestre em discursos políticos em pleno show, o cara que um papa usar óculos de rock star, é o único dentre os 61 da lista que não é cardeal.

Enquanto isso, poucas horas antes, dentre as inúmeras celebridades gringas que vieram carnavalizar na Sapucaí, lá estava ele: Adam Clayton, baixista do U2, aquele dono do cabelo mais rebelde do U2 nos anos 1980, que um dia foi preso por porte de maconha, que posou nu para a capa do Achtung Baby, fez a festa no camarote da Devassa - devidamente uniformizado.


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