23 de nov de 2013

Três novos jeitos de ver e fazer clipes

A gente já sabe que aquela história segundo a qual o videoclipe estava morto foi uma das maiores furadas da MTV. Tanto que ela morreu antes. O clipe apenas migrou e se dispersou por outras mídias, e ainda por cima aproveitou as características técnicas destas novas mídias - computador, tablet e celular - para renovar sua linguagem. Tanto que há algum tempo a gente vê o lançamento dos chamados clipes interativos.

Mas nesta semana a nova categoria de clipe ganhou, de uma vez só, três novos exemplos de que, mais que viva, a linguagem dos videoclipes tem impensáveis caminhos de renovação, e talvez a gente ainda não faça a menor ideia de nem um décimo deles.

1)Queens of the Stone Age, "The Vampire of Time And Memory" e o clipe-hiperlink
Com a assinatura do Creators Project, o novo clipe da banda de Josh Macho-Alfa Homme propõe que o espectador explore a sala soturna na qual se passa a ação do vídeo. É possível ver a banda e atrizes em diferentes cenários. Paralelo a isso, os objetos de decoração do local remetem a conteúdos externos, tais como o link do novo disco da banda no Itunes e uma loja de pôsteres com a arte presente no vídeo. Muito esperto.

Versão interativa: www.vampyreoftimeandmemory.com




2)Pharrell, "Happy" e o clipe-estendido 
E se ao invés de um canal que passa clipes 24 horas por dia a gente tivesse um único clipe que ocupa as 24 horas de um dia? Pode não ter sido essa a pergunta que deu origem a "Happy", do Pharrell, mas é a inversão de termos que ele provoca. O clipe da música, que faz parte da trilha de "Meu Malvado Favorito 2", acompanha um dia inteiro na vida de Pharrell pelas ruas de Los Angeles. A concepção é do coletivo francês We Are From L.A.

Se você apertar o play e parar diante da tela, vai levar exatas 24 horas para chegar ao fim. Mas, claro, você não precisa gastar um dia inteiro para ver. É possível alternar aleatoriamente entre os vários momentos do dia clicando na posição correspondente do relógio que se sobrepõe à imagem, sempre mantendo a sequência da música - e essa é a graça da coisa: brincar de flanar com esse moço bonito que é o Pharrell.

Versão interativa: http://24hoursofhappy.com/




3)Bob Dylan, "Like a Rolling Stone" e o clipe-update
Um clássico feito há 48 anos ("Like a Rolling Sonte") com um clipe já bem legal feito há 18 anos (o vídeo de Michel Gondry para a versão dos Rolling Stones) ganhou novo frescor pelas mãos da  startup israelense Interlude.

Com a tela do computador simulando uma TV, o espectador tem à sua opção 16 canais com programação fictícia pelos quais pode zapear. As imagens são de telejornais, esportes e de gente cozinhando, mas todos os atores cantam os versos da música. Uma sugestão do descompasso na comunicação em meio à profusão de informações típica desse nosso tempo? Talvez, mas a princípio é só um material que coincide com o lançamento da "The Complete Album Collection Volume 1", com 47 CDs de Dylan. Ah, e claro, é também uma baita de uma diversão, do tipo que dá vontade de ver o clipe outra vez, sem necessariamente ter que ver o mesmo clipe. Que venham os próximos.

Versão interativa: http://video.bobdylan.com/



3 de nov de 2013

Circuito BB*: Com público ganho, Red Hot encerra Circuito Banco do Brasil

Foto: Uarlen Valério/O TEMPO

Acabaram-se as filas dos bares e banheiros, o público que se despertava no fim da pista sumiu. Todo mundo atendeu o chamado do baixo característico de Flea, que fez vibrar o Mega Space na introdução que se emendou em "Can't Stop". O público estava ali mesmo era pra ver o Red Hot Chili Peppers, em coerência com o status de atração principal da noite.

Com 30 anos de carreira e quatro passagens pelo Brasil, Belo Horizonte era ainda um território desconhecido para os californianos. Mas com o público já ganho, o debut em Minas dificilmente daria errado.

O caminho escolhido pela banda para adentrar solo mineiro foi o mesmo dos shows mais recentes: um espaço maior para as músicas do último disco, "I'm With You", e singles da virada dos anos 1990 para os 2000 ("Otherside", "Dani Califórnia", "Californication") para alegria dos fãs mais jovens da banda.

Do repertório do período em que a banda estourou para o mundo, no início dos anos 1990, pouca coisa, mas o básico: "Under the Bridge" e "Give it Away". Musicalmente, o ponto alto do show foi "Higher Ground", cover de Stevie Wonder registrado pela banda no fim dos anos 1980. Bem mais pesada que a versão em disco, ganhou o tom exato para o ao vivo. A jam session entre o percussionista brasileiro Mauro Refosco e o baterista Chad Smith, com referências ao samba, também agradou.

De poucas palavras com o público, a banda delegou a tarefa ao carismático Flea, que apresentou o percussionista brasileiro e, em vão, pediu que os skatistas na rampa ao fundo da pista fizessem manobras. A paisagem combinaria bem com a ensolarada Califórnia da banda, mas, sem entender inglês ou prestar atenção, os skatistas nada fizeram.

Sem dar descanso, a banda arrematou o show com "Around the World" e o hit máximo "Give it Away"' obtendo mais uma resposta calorosa do público. Provou que pouco mudou, apesar de a guitarra ter um rosto novo pela sétima vez (Josh Klinghoffer), e de Flea e o vocalista Anthony Kiedis já não serem tão frenéticos ao vivo quanto antes - a energia permanece na música. A boa forma de Kiedis, 51 anos completados na última sexta, também continua a mesma, dispensando até hoje a camisa.

Pouco mudou também a rotina de quem vai a festivais. As mesmas longas filas para banheiros e bares (cerca de 30 minutos de espera em cada uma), falta de lixeiras e preços altos (R$ 15 por um hambúrguer com pão, carne e queijo), falta de lixeiras. Em determinado momento, a água utilizada para preparar o macarrão instantâneo que era comercializado simplesmente acabou, deixando pra trás uma longa fila de insatisfeitos.

O escoamento do trânsito, ponto crítico comum a grandes eventos, foi também mais uma vez problemático. Se na ida houve lentidão provocada por uma manifestação que interditou uma das vias que dá acesso ao Mega Space, na volta, a saída de cerca de 40 mil pessoas de uma só vez, somada à inexistência de nenhuma opção de transporte público de massa e ao uso praticamente que único de transporte privado - carros (o estacionamento tinha capacidade para 7 mil), vans e táxis -, deram a fórmula para mais lentidão ainda.

O engarrafamento já começava dentro do Mega Space, no estacionamento. O carro da reportagem de O TEMPO gastou 20 minutos para fazer um trajeto de poucos metros. Do lado de fora, no sentido Santa Luzia, uma extensa fila de táxis e vans contratadas pelo público movia-se lentamente.  No sentido Belo Horizonte, centenas de pessoas caminhavam no meio da rua, em meio aos carros, tornando mais lento o deslocamento dos veículos - não havia uma via fechada exclusivamente para a passagem de pedestres, como já foi feito em shows no Mineirão, por exemplo. Em meio à confusão de carros e pedestres, um policial militar deu a seguinte "orientação" ao carro da reportagem: "Vai empurrando o pessoal". Fora do palco ainda não tem show.

*Texto produzido para o portal O TEMPO online

Circuito BB*: Estranho no ninho, Yeah Yeah Yeahs faz show para público curioso e impaciente

Foto: Uarlen Valério/O TEMPO

Em meio a uma lista de artistas que frequentaram as FMs nos anos 1990 e 2000, o Yeah Yeah Yeahs, cria da cena alternativa de Nova York do inicio dos anos 2000, era um estranho no ninho. Era de se esperar que levantar o publico, que estava em massa para ver o Red Hot Chili Peppers, seria uma tarefa difícil para a banda e assim o foi.

Quem estava sentado na pista guardando o melhor lugar para ver o Red Hot Chili Peppers até chegou a se levantar para lançar um olhar curioso para o palco, mas o público pouco se mexeu diante do rock moderninho da banda. Houve quem vaiasse a banda no incio do show - pedindo logo o show seguinte e quem acenasse com um tchau em direção à banda também pedindo pelo Chili Peppers. Alguns grupos isolados vibravam com o repertorio pouco conhecido do grande público - "Gold Lion", "Heads Will Roll", "Mosquito" e "Maps", um passeio pelos quatro discos da banda em cerca de 45 minutos de show.

Usando tênis esportivo, meias vermelhas até os joelhos, short e blazer rosa metálico (depois trocado por uma jaqueta de couro cravejada de tachas), e uma camiseta com o rosto de Lou Reed, morto no ultimo domingo (e para quem foi dedicada a musica "Maps"), a vocalista Karen O estava menos performática que o normal. Brincou de engolir o microfone - o que arrancou um raro grito coletivo durante o show -, convocou o público a bater palmas, mas permaneceu "comportada" para seus padrões.

Sua voz aguda foi prejudicada pela equalização do som da banda - apenas guitarra e bateria - e soou abafada a maior parte do show. Em determinado momento, os gritos de "cerveja, cerveja" de um pequeno grupo de pessoas na tentativa de chamar atenção de um ambulante chegou a soar mais alto que a voz de Karen. Mesmo sem a resposta devida do público, a banda pareceu se esforçar e até se divertir em determinados momentos, mas fez um show menos extenso do que poderia ter realizado.

Com a plateia estática e a banda acanhada, o show terminou em um frustrante empate.

*Texto produzido para o portal O TEMPO online

Circuito BB*: Hits da música popular e do rock brasileiro ganham destaque nos primeiros shows do Circuito Banco do Brasil

O repertório dos primeiros shows do Circuito Banco do Brasil, que acontece neste sábado, no Mega Space, teve jeito de rádio FM ambulante. Além de privilegiar os principais hits de suas carreiras, os primeiros artistas a se apresentarem apostaram em sucessos alheios da música popular e do rock nacional para ganhar o público.

Os mineiros do Tianastácia, que abriram a programação, fizeram homenagens ao Charlie Brown Jr. e ao Raimundos ("Mulher de Fases"). A paraense Gaby Amarantos, honrando suas referências populares, atacou de Wando ("Fogo e Paixão") e Chitãozinho e Xororó ("Evidências"). Ao lado de Fernanda Takai, convidada do show, cantou Roberto e Erasmo Carlos ("Debaixo dos Caracóis dos Seus Cabelos") e Titãs ("Sonífera Ilha"). O Jota Quest também foi de Roberto e Erasmo ("Além do Horizonte") e Lulu Santos ("Tempos Modernos"), músicas que já fazem parte do repertório da banda.

A banda O Rappa é a próxima a subir no palco. Os shows estão começando com 20 minutos de atraso, em média. Segundo a organização do evento, o público estimado é de 40 mil pessoas.

*Texto produzido para o portal O TEMPO Online

28 de out de 2013

A cláusula Lou


É prática comum nas grandes publicações dos Estados Unidos, e em certo grau nas redações britânicas, a tentativa de resumir em apenas uma frase a vida e obra de personalidades nos obituários. É a chamada "cláusula quem", introduzida no New York Times pelo jornalista Robert McG Thomas Jr.

Quem me chamou atenção para isso há algum tempo foi o jornalista Mauricio Stycer, por ocasião da morte de Farrah Fawcett, e desde então fico atenta aos textos gringos dos jornalões - e "revistões" - que noticiam a morte de gente importante. Por mais árdua que seja a tarefa - condensar a complexidade de uma vida em poucas palavras com clareza - gosto de ver como as definições se complementam, se convergem ou divergem.

A morte de Lou Reed ontem - o cara que me fez entender lá pelos 16 anos que música "estranha" pode ser algo muito bom e, com isso,  abriu um buraco na minha cabeça dando espaço para novos sons - me fez prestar mais atenção ainda na prática. Abaixo, uma coletânea de "cláusulas quem" sobre ele, que vão da definição mais objetiva, com jeitão de dicionário, até a mais poética, deixando à mostra o fã que se esconde por trás de quem fez o texto.

Do New York Times:
Lou Reed, o cantor, compositor e guitarrista, cujo trabalho com o Velvet Underground em 1960 teve uma grande influência sobre gerações de músicos de rock, e que continuou a ser uma poderosa senão polarizante força para o resto de sua vida, morreu no domingo em sua casa em Amagansett, NY, em Long Island. Ele tinha 71 anos.

Do The Guardian:
Lou Reed, vocalista do Velvet Underground, cronista veterano do lado mais selvagem, desagradável e desesperado da vida, e um dos compositores mais influentes e distintivos de sua geração, morreu aos 71 anos de idade.

Da Rolling Stone:
Lou Reed, compositor maciçamente influente e guitarrista que ajudou a moldar quase cinquenta anos de rock, morreu hoje on Long Island.

Da NME:
Lou Reed, que morreu aos 71 anos, foi o eixo central por trás do Velvet Underground e um ícone da música com uma carreira de quase 50 anos.

24 de out de 2013

Queenie Eye, o Sgt. Peppers em live action





Esqueça os mullets que Paul resolveu voltar a usar. Preste atenção nos amiguinhos que ele chamou para dividir a figuração de seu novo clipe "Queeni Eye", segundo single do recém-lançado álbum "New".

Como numa espécie de remake de luxo e em live action da capa do disco-dispensa-apresentações "Sgt Pepper's Lonely Hearts Club Band", personalidades contemporâneas estão reunidas em torno do beatle fazendo a festa nos estúdios de Abbey Road.

Johnny Depp, Jude Law, Meryl Streep, Sean Penn, Kate Moss, Tom Ford, Jeremy Irons e Tom Ford são "só" alguns deles. Peter Blake, o autor da capa de "Pepper", também dá as caras.

Abaixo, o making of do clipe.


16 de out de 2013

Black Sabbath honra legado*

Foto: Denilton Dias/O Tempo

Ver o Black Sabbath ao vivo , com sua formação clássica e original, é como ir a Paris e ver a Torre Eiffel. Você passou a sua vida inteira ciente da grandiosidade daquilo tudo, mas o impacto de ver aquele símbolo diante de seus olhos faz parecer que você está descobrindo a grandiosidade naquele exato momento, tornando o símbolo ainda mais poderoso.

A reunião dos membros originais já bastaria para causar este impacto, mas outros fatores deram ainda mais força à noite desta última terça (15) na esplanada do Mineirão. Ter a banda tocando no quintal de casa foi a primeira delas - apesar do show de Belo Horizonte ter sido confirmado tardiamente, três meses depois do anúncio da turnê nacional, o que levou muitos fãs mineiros ao Rio e a São Paulo. Ver nomes de peso da música mundial na cidade é uma realidade ainda recente, o que não deixa ser empolgante.

A segunda foi a excelente performance da banda, uma constante na turnê sul-americana. Em uma época em que tantas bandas armam reuniões, tornando o gesto por vezes duvidoso, é notável perceber que os sessentões do Sabbath, sejam quais forem as suas razões para a reunião, são capazes de fazer um show à altura do legado da banda. Ozzy, cuja dicção chega a ser um pouco confusa enquanto fala, em função das sequelas do uso de drogas, muda completamente quando abre a boca para cantar. Sua voz foi quase nada prejudicada pelo tempo. Além disso, é um show man dedicado, que incita a plateia a fazer barulho, bater palmas e pular - e que também diz seguidas vezes "God bless you" ("Deus os abençoe"), apesar do título de príncipe das trevas.

O guitarrista Tony Iommi, que passa por um tratamento contra um linfoma (câncer no sistema linfático), continua sem nenhum tipo de afetação e de pose no palco, o que valoriza ainda mais sua performance. Geezer Butler também teve seu momento de destaque com um solo emendado em "N.I.B"

E mesmo se a banda não estivesse 100%, ainda restariam os clássicos para sustentar o show. "War Pigs", primeira da noite, e "Black Sabbath" tiveram resposta enérgica do público. "Iron Man" já conseguiria sozinha enlouquecer os fãs, mas foi potencializada por um longo solo do baterista Tommy Cufletos - substituto de Bill Ward, o único membro original que não participa da turnê de reunião. Outro clássico de Ozzy e cia., "Paranoid" encerrou o show. No público, uma fã chorava emocionada. A cena, perdida em meio à multidão de 20 mil pessoas e inimaginável em um público de heavy metal, é uma prova de que o show que encerrou a turnê do Sabbath no Brasil passou longe de ser um show qualquer.  

Falhas
O ponto negativo da noite ficou por conta das longas filas para os banheiros e a falta de higienização dos mesmos, assim como a falta de bebidas. Em determinado momento, alguns bares já não tinham mais cerveja, refrigerante e água disponíveis.    

*Texto meu publicado no site do jornal Pampulha em 16/10/2013

14 de out de 2013

A Metamorfose - O Filme

Dia desses estava lendo uma matéria sobre Praga e comecei a viajar. Pensei no Kafka, me lembrei de "A Metamorfose" e me perguntei sobre possíveis filmes sobre o livro. Fui ao oráculo Google e descobri um filme alemão de 1975 e outro russo, de 2002. Encontrei a versão alemã legendada no YouTube, um ótimo achado - estou arriscando as primeiras palavras em alemão. É praticamente um média-metragem, só 50 minutos, mas conta tudo o que interessa na história de Gregor Samsa.


6 de out de 2013

Quando a ginástica encontra o pop

Sou louca por ginástica artística desde o tempo em o esporte ainda era chamado de ginástica olímpica - cheguei até a ter aulas por uns dois anos, numa época pré-Daniele e pré-Daiane, e lembro-me de ter que ficar explicando na escola que coisa esquisita era aquela que eu fazia. Quando essa paixão apresenta encontros bem sacados com a música, minha paixão inconteste, eu dou um monte de duplo twist carpado de alegria. Foi o que aconteceu hoje, enquanto assistia à final do mundial de ginástica artística em Antuérpia, na Bélgica.

Em sua prova de solo, a romena Sandra Izbasa fez sua rotina de exercícios ao som de "Feeling Good", da Nina Simone. Longilínea e com uma graça toda peculiar na parte coreográfica, ela fez uma apresentação condizente com a beleza da música. Infelizmente, Izbasa perdeu altura na última acrobacia, o que a desequilibrou e lhe tirou dois pontos. Terminou a final em quarto lugar, com 13.733 pontos. O vídeo abaixo é um registro da mesma prova, mas no campeonato nacional de ginástica da Romênia, quando a atleta teve uma performance bem mais limpa e obteve incríveis 15.600 pontos.





Tendência
Já faz um tempo as ginastas não têm se limitado aos temas orquestrais para as trilhas das rotinas de solo, tirando a prova da mesmice. Um clássico da nossa ginástica nesse sentido - e, talvez, da ginástica mundial - é o Brasileirinho de Daiane dos Santos. No ano passado, as Olimpíadas de Londres também apresentaram exemplos muitos legais.  A romena Catalina Ponor fez sua rotina ao som de "Fever" (composição de Eddie Cooley e Otis Blackwell gravada por uma lista vasta de gente, de Elvis a Madonna); a australiana Lauren Mitchell, de "Besame Mucho" (Consuelo Vélazquez); e a britânica Beth Tweedle, de "Live and Let Die" (Paul McCartney).

Abaixo, na sequência, as performances de Daiane (primeiro vídeo), Catalina e Lauren (segundo vídeo, a partir de 14min20s ) e Beth (terceiro vídeo, em prova do campeonato britânico).


30 de set de 2013

BBB: Bastidores de Bruce no Brasil

Foto: Jann Wenner
Quem ficou sem palavras diante dos dois shows que Bruce Springsteen fez no Brasil neste mês vai gostar de ler dois textos publicados no fim de semana que mostram como o Boss levou a sério o retorno ao Brasil depois de 25 anos.

O primeiro é do Álvaro Pereira Júnior, que esclareceu em sua coluna na Folha de S. Paulo como "Sociedade Alternativa" foi parar no setlist do show. O próprio colunista é o protagonista da história. Em resumo, ele foi procurado pela produção do artista após entrevista no Chile para dar sugestões de músicas brasileiras que o Boss poderia incluir no repertório do show. Junto com André Barcinski, enviou uma lista tríplice: "Sociedade Alternativa", "Inútil" e "Que País é Esse?". Vale a pena ler para acompanhar os meandros da história e para entender porque exatamente um jornalista foi procurado para a tarefa.

O segundo é uma breve matéria da Rolling Stone Brasil com Jann Wenner, fundador da revista matriz, que acompanhou Bruce na turnê brasileira e revelou que o músico impôs para si a missão de reconquistar o público da América do Sul com os recentes shows após mais de duas décadas distante dos palcos daqui. Como eu, você, e todos que vimos os shows de alguma forma já sabemos, missão cumprida, chefe.

PS: Este blog está na torcida para que a presença de Wenner ao lado de Bruce por essas bandas se converta em um bom texto de bastidor em alguma futura edição da Rolling Stone.  

1 de set de 2013

BH Show


Por motivos de viagem ao exterior, notebook dois meses rodando em três assistências técnicas e dois cursos online no período noturno - tudo nesta ordem - este blog esteve desatualizado nos últimos meses, o que me dói muito, pois já criei um apego com este espaço.

Prometo tentar voltar à programação normal à medida que os cursos não me tomarem tanto tempo assim (um deles logo, logo vai acabar). Por hora, passo aqui pra avisar que, apesar de estar cheia de coisa pra fazer, inventei mais um serviço pra mim e coloquei no ar hoje o BH Show, um site que pretende ser uma agenda voltada exclusivamente para os shows internacionais que acontecem aqui na cidade. Visitem: http://www.bhshow.com.br/

17 de jun de 2013

Prosperidade e crise no mundo dos cachês

Bon Jovi (sem Sambora) sai da Espanha de bolso vazio, mas vai faturar no Brasil

Recentemente, o relações públicas do Bon Jovi informou que a banda abriu mão do cachê que receberia para se apresentar em Madri, no próximo dia 27. Jon Bon Jovi e companhia renunciaram ao pagamento a fim de baixar o preço dos ingressos e, assim, permitir que os fãs tivessem acesso facilitado ao show tendo em vista cenário de crise econômica e desemprego que atinge a Espanha desde 2008.

O que não foi divulgado é que, além de aliviar para o lado dos fãs, a banda também acabou aliviando para o lado dos produtores. Extenso artigo publicado neste mês pelo jornal El País disseca o atual estado da indústria de shows na Espanha, tão combalida como outros setores produtivos do país, em função da tal crise. Um representante da Live Nation ouvido pela reportagem admite que os produtores locais estão oferecendo cachês menores para os artistas em função de quedas nos lucros via venda de ingressos - provocada pelo aumento do IVA (imposto cobrado sobre bens e serviços) de 8% para 21%, desde agosto do ano passado, e por uma queda de mais de 42% na venda de ingressos. Com isso, diz a fonte, ninguém quer ir tocar na Espanha. No meio dessa história, o Bon Jovi acaba se convertendo num grupo de franciscanos.

Ou, talvez, a banda recupere aqui no Brasil, em setembro, no Rock in Rio e em show solo em São Paulo, o que deixou de ganhar na Espanha. Já há alguns anos, com a crise acima do Equador, o Brasil tem se tornado destino intere$$ante para atrações internacionais, coisa que os próprios produtores locais reconhecem. Em alguns casos, a disputa por um determinado artista entre produtoras se converte em leilão e o cachê vai às alturas - exemplo recente mais forte foi a vinda do Foo Fighters ao Lollapalooza, no ano passado. O lance inicial para o cachê era de R$1,5 milhão, mas foi fechado em R$5 milhões. Levou quem pagou mais. Houve episódios de encalhe de ingresso, como Lady Gaga e Madonna, mas ao que tudo indica uma combinação de fatores que não apenas de ordem econômica (shows voltados para públicos muito semelhantes, em datas muito próximas e em cidades com excesso de atrações internacionais) contribuíram para as baixas vendas.

Por enquanto, a despeito da economia crescendo em ritmo lento - mas crescendo - e da inflação insistindo em bater a casa dos 6%, o desembarque internacional dos aeroportos de Rio e São Paulo, principalmente, não dão sinais de que deixarão de receber gente de fora. Os ingressos do Rock in Rio se evaporaram, o Planeta Terra ressurgiu das cinzas, o Monsters of Rock está de volta depois de 15 anos sem ser realizado no país, São Paulo ganhará um novo festival em dezembro, o Black Sabbath está de malas prontas pra cá, Beyoncé também, em uma turnê que promete passear pelo Brasil (além de show no Rock in Rio, a cantora também pode passar por BH, Fortaleza e Brasília), depois de Paul McCartney ter feito o mesmo em maio (com abertura mundial de turnê em BH e inclusão de Goiânia e Fortaleza na rota). O eldorado por enquanto e ainda é aqui.

10 de jun de 2013

Dorian Gray do jeito que Wilde queria

Finalmente ganhou uma edição brasileira o texto original de "O Retrato de Dorian Gray", de Oscar Wilde. Chega às livrarias neste mês, pela Globo Livros, a tradução do manuscrito da obra, que trata de maneira explícita da relação homoafetiva entre o personagem título e o pintor Basil Hallward, autor do retrato fundamental para o argumento da trama - um escândalo para a sociedade do século XIX, que condenou Wilde a trabalhos forçados por sua homossexualidade.

Lá fora, o livro saiu em 2011, depois que o professor de inglês da Universidade da Virginia, Nicholas Frankel, teve acesso ao original do escritor irlandês. A nova edição traz notas de Frankel que contextualizam passagens do romance e traçam paralelos com a vida de Wilde. O professor também assina a introdução do livro.

O Retrato de Dorian Gray - Oscar Wilde
Globo Livros
Trad. Jorio Dauster
352 páginas, R$64,90

6 de jun de 2013

O hype do Daft Punk reconstituuído


O Daft Punk causou para lançar seu quinto disco de estúdio, "Random Access Memories". Talvez não precisasse, pois um hiato de oito anos desde o último disco, "Human After All", e a aura de mistério que envolve a existência da dupla cabeça de capacete já seriam suficientes para criar um buzz daqueles. Mas, mesmo assim, o Daft Punk causou de maneira milimetricamente marketeada e, em determinados pontos, inusitada. O resultado: só se falou neles nos últimos dois meses e o disco e seu primeiro single, "Get Lucky" bateram recordes nas paradas britânicas. Resolvi fazer uma retrospectiva de tudo o que aconteceu para visualizar objetivamente o hype que tornou Guy-Manuel de Homem-Christo e Thomas Bangalter tão onipresentes e RAM tão desejado.

2/3
Anúncio misterioso é exibido no Saturday Night Live



24/3
Duo anuncia nome do novo disco e data de lançamento

12/4
Trailer do disco é revelado durante o Coachella. Pharrell Williams e Nile Rodgers aparecem junto a Guy-Manuel de Homem-Christo e Thomas Bangalter. No mesmo fim de semana, os dois aparecem em anúncio da Saint Laurent




16/4
Caminhão passeia aleatoriamente pelas ruas de Tokio promovendo o novo disco




17/4
Tracklisting é anunciado no Vine

18/4
Suposta versão completa de novo single, "Get Lucky", circula na internet

19/4
"Get Lucky" tem lançamento oficial no iTunes

22/4
Duo quebra o recorde de streaming no Spotify

10/5
Banda diz que não tem planos de tocar novo disco ao vivo

13/5
Teaser de nova música, "Give Life Back To Music"

16/5
RAM quebra o recorde de Be Here Now, do Oasis, e se torna o disco com vendagem mais rápida na parada britânica

17/5
Lançamento de RAM em feira agrícola em Wee Waa, pequena cidade do interior da Austrália



21/5
Vem a público Horizon, faixa exclusiva de RAM no Japão

22/5
"Get Lucky" torna-se o single mais bem vendido no Reino Unido em 2013

26/5
Guy-Manuel de Homem-Christo e Thomas Bangalter fazem a primeira aparição pública durante o GP de Mônaco


27/5
O Daft Punk consegue seu primeiro número 1 na parada britânica

31 de mai de 2013

Revivendo o faroeste



Passei no teste. Todos os quase 200 versos de "Faroeste Caboclo" continuam intactos em minha memória, mesmo o hábito de ouvir Legião Urbana estando em algum lugar da minha vida nos tempos de 5ª série. Fui atrás da música motivada pelo revival provocado pela chegada aos cinemas do filme homônimo.

Se naqueles meados dos anos 1990 eu ouvia a música gravada a partir de uma rádio em fita K7 em clima de gincana, no intuito voraz de decorar os versos escritos à mão por uma amiga em algumas folhas arrancadas de seu caderno (era pré-Google, pré-internet, entende?), nesta semana ouvi a música em tom reflexivo, notando as nuances da melodia que acompanham a atmosfera dos episódios vividos por João do Santo Cristo em sua saga e fazendo paralelos com a realidade passada e presente do Brasil, percebendo noções de violência e justiça social que Renato Russo provavelmente tinha - coisas que a gente não faz quando tem 12 anos.

Ainda devo demorar alguns dias para ir ver o filme, para evitar a muvuca e filas longas típicas de filmes recém-estreados. Não vou com o espírito pseudo-crítico/analítico como este que marcou meu reencontro com a música e sim com aquele clima juvenil de oba oba e diversão pura da menina que tentava decorar a letra na década passada. Para quem é da geração MTV e, portanto, aprendeu a gostar de música vendo clipes, ver "Faroeste Caboclo" - que não tem clipe - se transubstanciar em imagem é receber o pagamento de uma dívida de anos.

Ok, sei que o filme não é uma reprodução à risca da música, tampouco um videoclipe tamanho família da mesma - o diretor René Sampaio já esclareceu isso em diversas entrevistas. Mas a inconsequência juvenil que permeia minha admiração e minha história com a música me obriga a ter menos exigência e picuinha crítica com o filme. This girl just wanna have fun.

8 de mai de 2013

O dia em que estive com Paul*



Não lembro mais com quem ou quando foi a conversa, mas uma vez me perguntaram o que eu faria se me encontrasse com o Paul. Seria histérica? Cairia no choro? Pediria uma tatuagem? Agarraria o beatle? Disse que só gostaria de dar um abraço e dizer um “muito obrigada”. Aconteceu.

Num presente antecipado em sete dias pelos meus 28 anos, que acontecem no próximo dia 11, finalmente fiquei cara a cara com Paul e seus olhos verdes, sua pele mais clara do que aparenta ser em fotos e sua testa suada após mais de duas horas de show. Mas aconteceu fora do script ideal que tinha em mente, pois jamais imaginei que isso ocorreria diante de mais de 50 mil pessoas e que o “muito obrigada” fosse ter seu sentido alterado.

Sempre quis agradecer Paul pelo que a música que ele fez junto com John, George e Ringo me proporcionou em termos de afetividade e emoção. De repente, lá estava eu agradecendo-o pelo gesto de reconhecimento que ele teve em relação ao trabalho que eu e a equipe da campanha “Paul, vem falar Uai” realizamos no desejo de ver aquilo tudo se concretizar no sábado, no Mineirão. Como assimilar a reverência que um beatle faz diante de um ato seu, quando, na verdade, o usual é o caminho contrário, ou seja, você é quem passa anos se curvando diante de tudo que ele fez? Difícil, pois essa generosidade que Paul demonstrou se choca com a grandiosidade que dá peso à sua trajetória.

Mas como Paul é, de fato, esse senhor inacreditável de 70 anos que, além de não beber água durante os shows, também dá bola para o seu público, a generosidade não se restringiu ao agrado feito ao pessoal da campanha.

Já na passagem de som feita horas antes do show para fãs que desembolsam algumas centenas de dólares, e da qual participei, Paul nos presenteou com uma versão mais blues de “Blue Suede Shoes”, “Honey Don’t” e “C Moon”. Também antecipou as novidades que viriam mais à noite, ao tocar “We Can Work It Out”.
Entre uma música e outra, brincou com as 250 pessoas que o assistiam, dedicou “Calico Skies” a um casal que comemorava aniversário de casamento e levou um cartaz pedindo que Paul tocasse a música em homenagem à união. Pouco depois, chamou um casal ao palco para receber de suas mãos um ukelele que ambos haviam encomendado a um luthier especialmente para presentear o ídolo. Paul testou o instrumento e os agradeceu.

Ao fim da apresentação da tarde, permaneceu no palco para fazer os últimos ensaios para a turnê e os fãs que aguardavam em uma área privada do estádio para retornar à pista prime puderam ouvir algumas das surpresas da noite serem testadas: Paul ensaiou com sua banda “Eight Days A Week”, “Listen To What The Man Said” e “Being For The Benefit Of Mr Kite”.

À noite, foi generoso de uma vez só com 52 mil pessoas ao tocar ao vivo pela primeira vez na história uma lista de clássicos dos Beatles: “Your Mother Should Know”, “Lovely Rita”, “All Together Now”, além da já citada “Being For The Benefit Of Mr Kite”. Disse o tão esperado uai, mas foi um pouco mais além e juntou em uma frase só outras palavras do mineirês: “Trem bão, sô!”, ele disse em outro momento do show.

E eu, que sempre quis chegar perto de Paul para dizer um simples “muito obrigada”, tive minha lista de motivos multiplicada quando a oportunidade caiu no meu colo. Thank you, Paul.

*Texto publicado no jornal O TEMPO de 6/5/2013. Nos últimos três anos, este blog foi testemunha dos meus relatos e minhas impressões sobre os shows do Paul no Brasil. Leia a minha saga:

A novela Paul no Brasil (8/9/2010)
Eu vou (19/11/2010)
Paul (22/11/2010)
A segunda vez (23/5/2011)
Paul in Brazil - reflexões (30/4/2012)

29 de abr de 2013

Paul de perto*

Se George Harrison ficou conhecido como o beatle quieto, Ringo Starr como o brincalhão e John Lennon como o integrante dotado de rebeldia, sobrou para Paul McCartney os estereótipos de bom moço, carismático e educado. É a imagem que ele sugere no palco, em entrevistas e em biografias, desde a época dos Beatles até hoje, mas é também a impressão deixada pelo próprio em fãs que tiveram a oportunidade de se aproximar do músico, que no próximo sábado (4), estreia sua nova turnê, “Out There”, no Mineirão, com ingressos esgotados.

“Uma pessoa muito simpática, muito agradável, um cara sensível, engraçado e muito educado”, lista a carioca Lizzie Bravo ao adjetivar Paul. A lista de elogios é um resgate das anotações que fazia sobre ele em seu diário, na adolescência, entre 1967 e 1969. Neste período, entre os 15 e os 18 anos, Lizzie morou em Londres, onde trabalhou, estudou, acompanhou diariamente os Beatles na condição de fã, e também teve a honra de participar de uma gravação da banda – ela fez os backing vocals de “Across the Universe”.

Sua rotina na capital inglesa era ir para a escola (faltava muito) e o trabalho durante o dia e rumar para a porta dos estúdios de Abbey Road no fim da tarde, quando os quatro rapazes costumavam dar início às sessões de gravação. Topava com todos, que sempre se mostravam simpáticos, naturais e brincalhões, segundo Lizzie. Com Paul, especificamente, ela sentia-se mais à vontade para conversar, pois, diante de John, seu beatle preferido, gaguejava. Paul, por sua vez, retribuía as abordagens da garota com solicitude. “Ele foi extremamente atencioso comigo durante todo o tempo que morei na Inglaterra”.

Amostras dessa atenção incluíam atos simples: certa vez, Paul notou que Lizzie havia cortado os cabelos; em outra, folheou os cadernos da escola para checar se a menina estava estudando para valer; em outra ocasião, lhe emprestou um gravador. “Comentei que tinha recebido uma fita K7 de amigos brasileiros, mas não tinha conseguido ouvir ainda porque era difícil achar gravador naquela época. Ele então falou: ‘vai lá em casa que eu te empresto’. Ele me levou pra dentro da casa dele, me explicou como funcionava o gravador e fiquei com o aparelho emprestado uns dias. Ele era bastante acessível”, recorda. Isso foi em 1969, quando os Beatles já tinham feito história e construído um império.

Não raro, Lizzie e outras fãs acompanhavam Paul, tarde da noite, no trajeto do estúdio para casa, a mesma que ele mora até hoje, na Cavendish Avenue. Os poucos minutos que separam o local de gravação da residência eram feitos a pé, com um detalhe. “No verão, de vez em quando ele ia descalço”, diz.

A boa impressão que Paul deixou em Lizzie nos anos de Londres não foi quebrada quando os dois se reencontraram, 21 anos depois, em 1990, nos Estados Unidos, em uma coletiva de imprensa para jornalistas brasileiros, na qual Paul falaria sobre sua primeira turnê no Brasil. Ela foi credenciada como fotógrafa e teve uma surpresa no final. “Ele se levantou e apertou a mão de todo mundo que estava lá. Quando chegou minha vez, perguntou: ‘por que será que me lembro de você?’. Falei: por que cantei no mesmo microfone que você”, relata.

Moleton e cabelo atrapalhado
Repetindo cenas do passado protagonizadas por Lizzie, a arquiteta Marina Garcia usou o último dia de sua estada em Londres, no ano passado, para “fazer ronda” nas proximidades da casa de Paul na esperança de encontrá-lo. Depois de algumas voltas no quarteirão sem muito sucesso, o operário que trabalhava em uma obra na casa vizinha à do astro comentou com a fã que ele havia ido à academia, localizada num clube de críquete na rua contígua à que mora, junto com a esposa, Nancy. Dica de ouro.
Dez minutos depois, Marina avistou Paul dobrando a esquina. “Ele estava com roupa de academia, de moleton, com o cabelo atrapalhado”, descreve a arquiteta, que ressalta a gentileza do casal diante de sua abordagem. “Ele é essa pessoa meio inacreditável, que mora na mesma casa desde os anos 1960, perto de Abbey Road, onde tem muitos turistas e fãs, e estava indo para a academia a pé, sozinho, sem nenhum segurança”.

Paul apenas se recusou a dar um autógrafo. “Gentilmente, ele disse que não. Mostrou que ali era a rua da casa dele e brincou: ‘let’s shake hands, right?’”. Essa é uma postura corriqueira do beatle: oferece a fãs que o abordam na rua aperto de mão no lugar de autógrafos ou fotos. Em uma cena do documentário “The Love We Make”, sobre show beneficente que o músico organizou no pós-11 de setembro em Nova York, ele está dentro de um carro quando um homem lhe pede autógrafo pela janela. Ele reluta em dar sua assinatura alegando que há quem peça autógrafo com fins comerciais, como leiloar na internet.

Encontro particular
Mas isso não quer dizer que ele nunca presenteie os fãs. Virou moda em seus shows fãs pedirem autógrafos no corpo para transformá-lo em tatuagem e o ídolo atende alguns (a maioria meninas), chamando-os no palco para concluir o pedido. O publicitário Adriano Nunes tem uma dedicatória de Paul também, mas a conseguiu após um encontro particular com o beatle.

No show de Florianópolis, em abril do ano passado, ele comprou o ingresso que dá direito a assistir à passagem de som e aproveitou para levar um cartaz pedindo que Paul autografasse seu trabalho de conclusão de curso da faculdade, sobre a carreira do ídolo. Após o músico deixar o palco, Adriano foi chamado por um segurança: o Sir queria vê-lo.

Já no backstage, o publicitário foi surpreendido por um Paul que chegou sorridente e de braços abertos para abraçá-lo. “É uma atitude que eu não esperava de uma pessoa que está tão acostumada com assédio”, diz. Travado que o fã estava, coube a Paul puxar a conversa. O músico pediu detalhes sobre o trabalho, folheou as páginas, leu trechos em português e elogiou. Foram apenas cinco minutos, mas bastaram para que Adriano sanasse uma dúvida que tinha: seria Paul simpático como aparenta ser em público? “Ele é humilde, muito tranquilo. Deixa a pessoa à vontade e no mesmo nível dele. Fala olhando nos olhos, abraço e aperto de mão firmes, dá pra ver que não é falsidade”.

Mais 
O diário que Lizzie Bravo escreveu sobre sua convivência com os Beatles em Londres vai virar livro. O lançamento de “Do Rio a Abbey Road” deve ocorrer na BH Beatle Week, no fim do ano

VOCÊ SABIA?

Nome
Paul se chamaria James McCartney IV, em homenagem ao pai, ao avô e ao bisavô, todos batizados com o mesmo nome. Para facilitar a distinção entre os quatro, sua mãe, Mary, decidiu chamar o filho de James Paul McCartney

Música
Paul se iniciou na música tocando trompete, um presente do pai, Jim McCartney, para seu aniversário de 14 anos. Logo ele trocaria o instrumento por um violão. Ele queria algo que o permitisse cantar e tocar ao mesmo tempo

Animais
Desde 1966, Paul mantém na Escócia uma fazenda. Vegetariano e ativista dos direitos dos animais, o astro cria ovelhas na propriedade

Dinheiro
Em meados da década de 1960, Paul tinha o hábito de guardar os milhões que ganhava em sacos de dinheiro num cofre de sua casa. O compartimento não ficava trancado e continha centenas de pacotes

Arte
Paul é pintor e já criou mais de uma centena de telas, as quais incluem retratos e imagens abstratas

Vídeo game
Paul tem o hábito de jogar Beatles Rock Band com os netos. Ele sempre perde, mas corta o barato dos netos ao lembrar que o jogo só existe por causa dele

*Reportagem publicada na edição de 26/4/13 do jornal Pampulha

21 de fev de 2013

Trinta anos de Barão e de BRock*




A turnê “Mais Uma Dose”, que o Barão Vermelho traz a BH na próxima sexta (22), no Chevrolet Hall, tem como mote a celebração dos 30 anos de lançamento do primeiro disco da banda. Mas a razão para a reunião do grupo, que desde 2007 não se apresentava junto, chega a ser modesta perto do simbolismo do álbum.

O homônimo “Barão Vermelho”, que chegou às lojas em setembro de 1982, é, em termos cronológicos, a pedra fundamental do BRock – como ficou conhecido o movimento de bandas que intensificou a presença do rock no cenário brasileiro na década de 1980. Os demais representantes do rock oitentista no Brasil só viriam a público depois: Os Paralamas do Sucesso lançaram o primeiro disco em 1983; os Titãs, em 1984; em 1985, seria a vez de Legião Urbana e Ultraje a Rigor. Em 1982, somente a Blitz corria em paralelo, mas flertando muito mais com o pop bem-humorado que com as guitarras barulhentas dos Stones, uma referência sonora clara na primeira produção de Cazuza, Frejat e companhia.

Lá estão “Down em Mim”, “Ponto Fraco” e “Todo Amor Que Houver Nessa Vida”, clássico nato e suficiente para que Caetano Veloso, poucos meses depois de lançado o disco, incluísse a música em seu repertório e desse a Cazuza o título de poeta de sua geração. A repercussão do trabalho, porém, foi tímida, e o disco só vendeu 7.000 cópias, o que não tira da banda o orgulho do primogênito. “Já tocávamos bem e o Cazuza, mesmo perseguido na época por gritar mais do que cantar, já demonstrava ser genial. O que acontece é que tudo o que é bom e novo realmente incomoda”, comenta o baterista Guto Goffi.

O sucesso viria de maneira progressiva, nos dois discos seguintes, embalado por “Pro Dia Nascer Feliz” e “Bete Balanço”, e toda essa história tem lugar no repertório do show que a banda apresenta na cidade, reforça o guitarrista Fernando Magalhães. “O show está mais rock’n’roll do que nunca, divertidíssimo, com os nossos sucessos e tudo o mais que os nossos admiradores sempre curtiram nestas três décadas de banda. ‘Pedra, flor e espinho’, ‘Bete Balanço’, ‘Puro Êxtase’ e 'Pro Dia Nascer Feliz’ são alguns deles”.

Para os fãs que esperam mais uma dose de Barão depois dessa turnê comemorativa, fica o recado de que talvez esta seja a saideira. “Não temos planos além da turnê no momento. Cada um de nós vai seguir em suas carreiras individuais a partir de abril. Esta foi a maneira que encontramos de preservar a banda, mas como diz o ditado, ‘nunca diga nunca’”, diz Fernando.

Barão Vermelho
Chevrolet Hall (av. Nossa Senhora do Carmo, 230, Savassi, 4003-5588). Dia 22 (sexta), às 22h. R$ 140 (inteira, 4º lote)

*Publicado na edição de 16/2 do Jornal Pampulha

11 de fev de 2013

O sagrado, o profano e o U2



Em decisão que não se repetia há seis séculos, o Papa Bento XVI renunciou hoje (11) ao seu posto. Em plena segunda-feira de Carnaval. O chefe maior da Igreja Católica deixando o cargo vago em plena festa da carne. Não bastasse o simbolismo do momento no qual foi divulgada a decisão do Papa, o U2 - na verdade, metade dele, sem querer, acabou entrando nessa encruzilhada Carnaval/Igreja.

Assim que a notícia da renúncia se espalhou pelo mundo, casas de apostas em Londres começaram a receber palpitas sobre os prováveis sucessores de Bento XVI. Eis que, em último lugar na lista de apostas, aparece o nome dele: Bono. O messias do rock, o mestre em discursos políticos em pleno show, o cara que um papa usar óculos de rock star, é o único dentre os 61 da lista que não é cardeal.

Enquanto isso, poucas horas antes, dentre as inúmeras celebridades gringas que vieram carnavalizar na Sapucaí, lá estava ele: Adam Clayton, baixista do U2, aquele dono do cabelo mais rebelde do U2 nos anos 1980, que um dia foi preso por porte de maconha, que posou nu para a capa do Achtung Baby, fez a festa no camarote da Devassa - devidamente uniformizado.


29 de jan de 2013

Sobre a nova do Strokes



Mal recuperava-se do affair Jack Endino (que fez uma crítica em seu perfil no Facebook às bandas brasileiras que cantam em inglês), a indielândia que habita as redes sociais se deparou com outra polêmica: o novo single dos Strokes, "One Way Trigger". Não bastasse o falsete agudíssimo de Julian Casablancas, a música tem elementos cuja sonoridade remete aos games de 8 bits, aos anos 80 e ao nosso tecnobrega. Enfim, uma faixa a algumas milhas de distância do universo strokiano - "algumas" porque, lá no fundo, dá pra ouvir aquela guitarrinha que só o Mammond Jr. sabe fazer. O fato é que geral fez cara de quem ouviu e não gostou. E eu fiz cara de quem não entendeu tanto espanto e cara de nojinho. Por quê?

1)Desde o "First Impressions" que o Strokes vem virando um rascunho de si mesmo, com uma faixa boazinha aqui ou acolá, mas nada que se aproxime daquele espasmo garageiro do "Is This It". Ver a banda tomar um novo rumo - ainda que misterioso, é mais confortável que o sacrifício de vê-la tentar fazer algo que já não consegue fazer tão bem quanto antes

2)Julian adora um sonzinho à la 80's e mostrou isso em seu disco solo "Phrazes For The Young". Os primeiros sons que se ouve ao dar o play em "Angles" é algo muito semelhante ao que se ouve na faixa nova.  Enfim, a banda já tinha colocado um pé nesse universo, o que não dá vazão a reações tão surpresas

3) A música nova lembra tecnobrega, lembra Gaby Amarantos (que já prometeu fazer uma versão, à sua moda, alguma música da banda), lembra os mash ups do DJ Cremoso. Sem que antes a banda se pronuncie a respeito, não dá pra saber se isso tudo é uma grande coincidência (afinal, o tecnobrega, como bom filho do Brasil, se alimenta de elementos próprios, mas também daqueles além-mar, que estão à disposição de criadores em outros cantos do mundo) ou se os Strokes estão flertando intencionalmente com o ritmo nacional. Mas essa dinâmica toda é muito mais rica e divertida que o apego à banda. Vamos esperar menos e curtir mais. This is It é ótimo, um discos que mais ouvi na minha adolescência, mas é passado.


21 de jan de 2013

Shows internacionais em BH: daqui pra frente, tudo vai ser diferente?

Elton John vem aí

Em anos mais recentes, começou a cair em desuso a ladainha segundo a qual BH está fora da rota de atrações internacionais que excursionam pelo Brasil. Ok, o volume de shows gringos que chegam até aqui ainda passa longe do que se vê em SP e no Rio (e até em Porto Alegre, recentemente), mas não dá para manter a mesma intensidade de reclamação de tempos passados depois de um ano em que Minas viu Morrissey, Robert Plant, Jon Anderson, Demi Lovato, Joe Cocker e Alanis, só para citar os que me ocorrem na memória agora (2010 e 2011 também renderiam uma lista se não longa, ao menos interessante, com Ringo Starr, Rihanna e Guns no meio). O que ainda nos falta, certamente, é ter acesso aos GRANDES show internacionais.

Impossível saber o que será de 2013, mas os primeiros sinais não desanimam. Até o momento, BH soma cinco shows gringos agendados, sendo quatro em março (abaixo), e, finalmente, o Mineirão entra novamente no jogo para disputar mega-shows que porventura passem pelo país. Quem puxa a fila é Elton John, no dia 9/3, e a Minas Arena, administradora do estádio, garante que pelo menos mais quatro apresentações estão para acontecer por lá este ano - produtores locais me afirmaram o mesmo nesta reportagem que fiz no fim de 2012. Dentre essas possibilidades, assegura a boatolândia, está um certo inglês de Liverpool que um dia tocou naquela banda que bagunçou o mundo nos anos 1960.

Só para refrescar a memória, o Mineirão recebeu shows internacionais pela última vez há sete anos, em 2006, quando o Black Eyed Peas e o New Order se apresentaram no extinto Pop Rock Brasil. Antes disso, tivemos Kiss, em 1983. Que o já histórico encalhe de ingressos de Lady Gaga e Madonna sirva para que produtores enxerguem público fora do eixo Rio-SP. Que essa pasmaceira, enfim, termine.

DJ Tiësto
2/02 (sábado), 16h. Entre R$160 e R$440. Expominas (Avenida Amazonas, 6030, Gameleira). www.centraldoseventos.com.br

Jonas Brothers
8/03 (sexta), 21h30. Entre R$220 e R$280. Chevrolet Hall (Avenida Nossa Senhora do Carmo, 230, Savassi). www.chevrolethall.com.br

Elton John
9/03 (sábado), 22h. Entre R$100 e R$700. Mineirão (Avenida Antônio Abrahão Caram, 1001). www.livepass.com.br

Ian Anderson
15/03 (sexta), 21h. Entre R$100 e R$300. Palácio das Artes (Avenida Afonso Pena, 1537). www.palaciodasartes.com.br

Tim Reynolds, guitarrista da Dave Matthews Band, também vem ao país e passa por BH em março, conforme antecipou José Norbert Flesch. Só falta definir datas e locais.

13 de jan de 2013

Bowie mineiro

'Cês achavam mesmo que eu tinha parado? Aposentei não, uai'

Eternamente assegurado como o camaleão do rock, David Bowie talvez jamais nos levaria a imaginar que uma das facetas que poderia vir a assumir em sua condição mutante seria a do mineiro come quieto. Pois foi o que ele provou ser neste início de 2013.

Declarado aposentado por seu biógrafo Paul Trynka, em 2011, e vítima de boatos segundo os quais estaria sofrendo de uma doença terminal, ele surpreendeu o mundo da música ao anunciar, de uma só vez, música, clipe e disco novos - este último com a lista de faixas completa e data de lançamento que já está quase aí: 8 de março. "Where Are We Now", o single, e "The Next Day", o álbum, são o primeiro material inédito de Bowie em uma década.

Mesmo descontados esses boatos nunca confirmados pelo próprio, quem apostaria que ele, que leva hoje uma vida reclusa em Nova York, estava na ativa? Em tempos de paparazzi, redes sociais, informação em tempo real e o já clichê do vazamento de lançamentos musicais, é mais impressionante ainda imaginar que Bowie já trabalhava há algum tempo em material novo e nenhuma palavra a respeito atravessou as paredes do estúdio. Come quieto nível avançado II. Só falta falar uai.

O efeito surpresa e o entusiasmo consequente, dados todos esses fatores, se converteram em bons resultados no mercado: o single liderou a lista de downloads no iTunes na semana de lançamento e garantiu um sexto lugar na parada britânica, feito que o músico não atingia há duas décadas. O disco novo, ainda em pré-venda, foi líder na versão brasileira do iTunes. Ouça a música nova:

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