28 de dez de 2012

Perguntas para 2013 - festivais no Brasil


O mundo não acabou, 2012 também não (quase), mas este blog só quer saber de 2013. Por isso, ao contrário dos anos anteriores, uma tentativa de retrospectiva (que fiz de alguma forma no Data Música (aqui e aqui) vai dar lugar a algumas perguntas que podem encontrar respostas no ano que em breve começará. São cinco, que entrarão no ar ao longo da semana. Voilá:

O Lolla BR virou um bicho papão?

5)O Lollapalooza vai engolir os outros festivais brasileiros?
Este ano o SWU foi cancelado e o Planeta Terra não vendeu tanto quanto em edições anteriores. Para 2013, não sabemos ainda o destino do primeiro e o segundo chegou a ser vítima de boato que profetizava seu fim - prontamente desmentido pela organização. Partidários da teoria da conspiração dizem que é tudo culpa do Lollapalooza, que faz a rapa das boas atrações logo no início do ano e não deixa tantas opções assim para quem vem depois na fila de festivais - Leo Ganem, CEO da produtora responsável pelo Lolla aqui deu força à teoria ao postar no Twitter:  "Já enterramos o SWU, agora vai o Planeta Terra". São cerca de 60 shows no festival de Perry Pharrel. Só se mostra inabalável diante da concorrência o Rock in Rio, cuja marca é sólida e suficientemente atrativa aos olhos do público, e chega a ser maior que qualquer atração que ele possa anunciar (vide a venda bem-sucedida de ingressos, esgotada em poucos minutos, mesmo com uns 10% dos nomes confirmados). A briga pode ainda ficar melhor com a chegada do Coachella ao país em 2014. O festival californiano tem pinta de gigantismo, assim como o Lolla. Mas isso é assunto para o fim do ano que vem.

27 de dez de 2012

Perguntas para 2013 - política de grandes shows

O mundo não acabou, 2012 também não (quase), mas este blog só quer saber de 2013. Por isso, ao contrário dos anos anteriores, uma tentativa de retrospectiva (que fiz de alguma forma no Data Música aqui e aqui) vai dar lugar a algumas perguntas que podem encontrar respostas no ano que em breve começará. São cinco, que entrarão no ar ao longo da semana. Voilá:

Encalhe de ingressos de Madonna e Gaga deixa lições

4)O encalhe de ingressos histórico de Madonna e Lady Gaga vai provocar alguma mudança na política de shows gringos no Brasil?
Elas são grandes, elas são divas. Mas as duas loiras do pop venderam (muito) menos que o esperado em suas turnês pelo Brasil e o fracasso de vendas virou notícia até fora do país. As tentativas de explicação foram muitas: ingressos caros, proximidade de datas de ambas as turnês, hiperconcentração de shows no eixo Rio-São Paulo, dimensionamento errôneo de público, repeteco de atração no caso de Madonna (que já tinha se apresentado no Rio e em São Paulo em outras duas turnês). O motivo real ninguém sabe ou, pelo menos, ninguém disse. Mas algumas hipóteses podem ser convertidas em lições e postas em prática a partir do próximo ano: praticar preços menos absurdos, com o suporte de uma nova lei da meia-entrada, levar shows para outras capitais (muitas das quais terão estádios novos em folha e bem estruturado para o caso de apresentações deste porte) e buscar espaços de médio porte, à semelhança de muitas arenas nos Estados Unidos. Vamos ver se a mina de ouro que virou o Brasil para shows internacionais vai encontrar novas maneiras de ser explorada.

Perguntas para 2013 - preço dos ingressos


O mundo não acabou, 2012 também não (quase), mas este blog só quer saber de 2013. Por isso, ao contrário dos anos anteriores, uma tentativa de retrospectiva (que fiz de alguma forma no Data Música aqui e aqui) vai dar lugar a algumas perguntas que podem encontrar respostas no ano que em breve começará. São cinco, que entrarão no ar ao longo da semana. Voilá:

Mudança na lei da meia entrada pode (pode?) diminuir valor dos ingressos

3)Vamos pagar mais barato para ver shows?
É praxe reclamar do quanto pagamos mais caro que em outros países para ver as mesmas atrações e é consenso que a culpa é do uso indiscriminado e ilegal do benefício da meia-entrada - gente que forja documentos para se beneficiar do direito garantido por lei. A fórmula é simples: a possibilidade de pagar metade do preço atrai gente que tem e que finge ter o direito, o que aumenta a quantidade de ingressos vendidos a preço em tese menor e obriga os produtores a jogarem os valores da inteira pra cima, de modo a garantir custeio e lucros do evento. No fim das contas, tudo fica caro e uma meia aqui às vezes é mais que o valor integral de um ingresso em países vizinhos. Isso pode mudar já em 2013, quando o Congresso votar o projeto que estipula mudanças para o benefício. Em linhas gerais, a nova lei vai limitar em 40% a quantidade de ingressos de meia (o que permitiria aos produtores um controle sobre o total de entradas vendidas a preço menor e, com isso, uma previsão de lucros menos flutuante) e conceder o direito de expedição do documento apenas a entidades estudantis, com material produzido pela casa da moeda (de modo a evitar falsificações e conceder o direito a estudantes, digamos, no sentido mais tradicional do termo). Gente grande do mercado de shows, como os responsáveis pelo Lollapalooza, já garantiram que essas mudanças são suficientes para diminuir o preço dos ingressos. A ver. Enquanto isso, ninguém fala sobre a absurda cobrança da taxa de conveniência...

26 de dez de 2012

Perguntas para 2013 - saudosismo


O mundo não acabou, 2012 também não (quase), mas este blog só quer saber de 2013. Por isso, ao contrário dos anos anteriores, uma tentativa de retrospectiva (que fiz de alguma forma no Data Música aqui e aqui) vai dar lugar a algumas perguntas que podem encontrar respostas no ano que em breve começará. São cinco, que entrarão no ar ao longo da semana. Voilá:

O Planet Hemp aumentou a lista de bandas que se reuniram; quem vai fazer o mesmo em 2013?

2)Reuniões de bandas, turnês comemorativas de décadas de carreira e de discos icônicos. O saudosismo vai continuar ampliando seu espaço na música?
Planet Hemp, Pulp, Black Sabbath e Stone Roses voltaram a tocar este ano depois de deixarem de existir. Blitz, Titãs, Barão Vermelho e Rolling Stones fizeram shows e turnês badalados alusivos a uma efeméride de suas carreiras ou de algum disco significativo. Até Rouge e É o Tchan entraram na onda e esboçaram um retorno. E ainda tem os hologramas, assunto do post anterior, que trazem de volta o passado em outros termos. O fato é que o rock já é um sujeito velho, quase na terceira idade, e somando isso à nossa tendência de revisitar o passado com mais benevolência e deslumbramento que o presente, o que um dia foi clássico está ficando mais clássico ainda (porque é mais passado do que já foi um dia) e, portanto, mais suscetível à nossa veneração. Pronto. Estamos a um passo de entrar num círculo vicioso que pode transformar a experiência musical num eterno retorno enquanto o presente passa diante dos nossos olhos - e só iremos perceber o quanto esse presente é legal o dia que ele for passado e lá estaremos nós perpetuando o saudosismo no futuro. Vixe. História e memória são fundamentais para dar forma ao que somos hoje e o que seremos um dia, mas talvez seja a hora de usar um pouco o freio quando o assunto é música.

PS: Simon Reynolds, crítico inglês, já alertou para isso em seu último livro, "Retromania - Pop Culture's Addiction to It's Own Past", leitura que me obrigo a fazer em 2013.

Perguntas para 2013 - hologramas

O mundo não acabou, 2012 também não (quase), mas este blog só quer saber de 2013. Por isso, ao contrário dos anos anteriores, uma tentativa de retrospectiva (que fiz de alguma forma no Data Música aqui e aqui) vai dar lugar a algumas perguntas que podem encontrar respostas no ano que em breve começará. São cinco, que entrarão no ar ao longo da semana. Voilá:

Cazuza vai ser o primeiro holograma de 2013 em solo brasileiro

1)Os hologramas vão se firmar como possibilidade para o mercado de shows?
Foi um furdunço quando Tupac "reapareceu" em forma de holograma no show de Snoop Dogg durante o Coachella, em abril deste ano. O uso da tecnologia para levar aos palcos o rapper assassinado em 1996 foi saudada como uma revolução na indústria de shows. Foi surpreendente de fato, e a engenhoca abriu possibilidade$$ para o mercado. Muito se especulou desde então sobre quem seria o holograma da vez, mas ainda não vimos nenhum grande astro retornar aos palcos sob a forma de projeção. Michael Jackson e Elvis ficaram na promessa - por enquanto. Por aqui no Brasil, a história está mais concreta. Já sabemos que Cazuza será o primeiro holograma com selo tupiniquim. No dia 4 de abril, praticamente um ano após a "ressurreição" de Tupac, terá início uma turnê em celebração aos 50 anos do compositor, na qual a imagem dele estará presente em boa parte do show, que terá também alguns de seus parceiros musicais. No segundo semestre, será a vez de Renato Russo, em um espetáculo com a participação da Orquestra do Teatro Nacional de Brasília. Vai ser o início do teste que vai mostrar se o bafafá do caso Tupac foi só surpresa ou o início de uma tendência.

6 de dez de 2012

A internet venceu

Metallica oficializou hoje a liberação de seu  catálogo para streaming gratuito no Spotify

Houve uma época em que a indústria partia pra briga para tentar - inutilmente - frear o compartilhamento gratuito e em larga escala de música na internet (hoje, mais comedida, a indústria tenta aprender a lidar com o monstro). Naquela época, tão longe, tão perto, na virada do milênio, o símbolo máximo dessa briga era personificado em um ringue ocupado pela seguinte dupla: de um lado, Shawn Fanning, o Mark Zuckerberg do ano 2000, o criador do Napster, primeiro sistema a facilitar mundialmente o download de mp3. Do outro lado, Lars Ulrich, baterista do metálica, rock star milionário graças às engrenagens tradicionais da indústria do disco.

Os dois quebraram muito o pau (detalho abaixo) por conta daquela novidade que viraria regra nos anos que se seguiriam. Mas hoje, em Nova York, civilizadamente, Ulrich participou de uma conferência ao lado de Sean Parker (parceiro de Fanning na criação do Napster) para oficializar a liberação integral do catálogo do Metallica para o Spotify, serviço de streaming de músicas (ainda não disponível no Brasil). Parker é hoje um dos investidores do Spotify. Em outras palavras: Ulrich se sentou ao lado de um dos criadores do Napster, 12 anos depois, para dizer que está deixando a música de sua banda de graça pra todo mundo ouvir. Há coisas contra as quais não se pode lutar, deve ter pensado Ulrich.

Para quem não se lembra, à época do surgimento do Napster, Ulrich moveu uma série de processos contra centenas de milhares de usuários que haviam baixado músicas do Metallica e contra universidades norte-americanas por não bloquearem o uso do Napster em seus campi. O ápice e o momento mais pop dessa briga aconteceu no VMA de 2000, quando a MTV resolveu botar lenha na fogueira e permitir que ambos os lados se atacassem diante das câmeras.

Ulrich protagonizou um vídeo no qual satirizava o argumento do compartilhamento defendido por quem baixava as músicas. Curioso notar como naquela época a palavra "share" não tinha nem um décimo da importância e da presença em nossa vida como tem hoje. Já Fanning apareceu junto ao VJ pão da MTV dos States daquele período, Carson Daly, usando uma camisa do Metallica, para apresentar o show da Britney Spears - sei que não tem nada a ver com o post, mas é bom lembrar que o show dela foi tão bafo quanto a treta Ulrich/Napster. Britney apareceu toda coberta de terninho cantando "(I can't get no) Satsifcation" pra depois arrancar tudo e cantar "Ooops I Did It Again" com uma roupa propositalmente transparente. Bafo digno de Trending Topic, se existisse Twittter naquela época. Cheio de história aquele ano 2000.




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