30 de out de 2012

E se a turnê de 50 anos dos Stones vier pro Brasil?$?$

Norte-americanos e ingleses estão "ultrajados" e "furiosos" (para usar alguns termos empregados pelos sites de notícias gringos) com os preços cobrados pelos ingressos dos quatro shows anunciados para comemorar seus 50 anos de carreira. Estão caríssimos, eles reclamam. Agora, pensa só: gringos chiando por causa de ingresso caro. O que será então de nós, tupiniquins, se os Stones resolverem vir com essa turnê pra cá, onde ingressos de shows internacionais já são absurdamente mais caros que lá fora? Talvez paguemos no mínimo R$270 pelo setor mais barato.

Como Ronnie Wood já andou dizendo por aí que a banda não descarta alongar a turnê, vamos tentar imaginar quanto esses ingressos poderiam custar aqui no Brasil. As referências são os valores cobrados nos Estados Unidos para esta turnê e os valores pagos aqui no país na turnê Bridges to Babylon, em 1998 (a última turnê paga dos Stones no Brasil, visto que o show de A Bigger Band, em 2006, foi gratuito, na praia de Copacabana). Os valores daquele ano foram corrigidos pela inflação do período.

Em 1998, quem foi ver os Rolling Stones no Anhembi, em São Paulo, ainda ganhou "de brinde" o Bob Dylan (sim, veja aqui. Eu, infelizmente, só vi na época pela transmissão da Globo). Para tanto, desembolsou o que seria equivalente hoje a R$159,07 pelo ingresso mais barato e  R$293,67 pelo mais caro. Mas, como é nossa sina pagar mais caro que os norte-americanos para ver exatamente a mesma coisa, esses preços eram, respectivamente, 44% e 73% maiores que os preços cobrados nos Estados Unidos na mesma turnê (os valores de lá também foram corrigidos).

E se essa porcentagem extra for transposta para os ingressos de uma possível turnê no Brasil tendo como base os preços cobrados hoje nos Estados Unidos pela turnê de 50 anos? O ingresso mais barato para os dois shows em Nova Jersey custa US$95 (ou R$192,44). Se ele aumentar 44% aqui, como ocorreu com a Bridges, o preço irá para R$277,11. Já o mais caro custa US$750 (ou R$1519,28) nos Estados Unidos. Se tivermos que pagar 73% a mais no Brasil, o valor final vai para R$2.628,35.

A conta pode seguir outro caminho também e considerar a variação de preços, nos Estados Unidos, entre os ingressos da Bridges e a atual turnê. Os possíveis valores finais para o Brasil, no entanto, ficam bem próximos da primeira conta. O ingresso mais barato tem um preço hoje 75% maior nos Estados Unidos que em 1998. Seguindo a mesma variação, no Brasil, isso ficaria em R$278,37. Já o ingresso mais caro é absurdos 798% maior hoje que 14 anos atrás. No Brasil, isso daria um preço final de R$2.637,15.

Resumindo: os ingressos poderiam ficar entre R$270 e R$2.600 (insano, este valor seria para um tal de "tongue-pit", bem na beirada do palco, sem ter a necessidade de acampar horas ou dias para ter acesso à primeira fila). Esses valores foram calculados somente de forma comparativa com os preços que pagamos aqui no passado e os preços cobrados hoje lá fora. Outros fatores podem fazer essas cifras se esticarem ou se contraírem feito elástico. A famigerada meia-entrada é uma delas, que sempre joga os preços pro alto. O número de ingressos postos à venda também. Nos Estados Unidos, os Stones tocam em arenas. Por aqui, o destino mais provável, hoje, seria um estádio, o que quase triplicaria o público e, em tese, permitiria baixar um pouco mais o preço.

O certo é que não vai ser barato. E os Stones provam que nem sempre dá pra ter o que a gente quer.


   

29 de out de 2012

Mais crowdfunding em BH



Depois de BH ganhar dois sites de crowdfunding, o Variável 5 e o Painel Coletivo, dos quais falei aqui, chegou a vez do carioca Queremos - provavelmente o projeto de finaciamento coletivo voltado para música mais bem-sucedido até aqui no Brasil, atuar também em BH. A primeira "vaquinha" organizada pelo pessoal do Rio aqui em BH é do SILVA e acaba hoje (29). 

Como disse no outro post, é cedíssimo para avaliar resultados e para exigir algo como fã e frequentadora de shows. Mas estou ainda no aguardo de algo mais improvável, daquele show que aparentemente não chegaria aqui em BH nem por decreto. Paciência.

25 de out de 2012

O velho rock 'n' roll

Sean Penn com jeitão de Robert Smith
Uns meses atrás comentei aqui um artigo do Guardian que qualificava o rock como música do envelhecimento. Parece que a indústria do cinema está na mesma sintonia e já são dois os filmes recentes que colocam como personagens centrais um rock star aposentado/decadente/depressivo. Depois de Sean Penn estrelar "Aqui É Meu Lugar" como um roqueiro recluso que sai da Irlanda para retomar a relação com o pai nos EUA, foi anunciado esta semana que Al Pacino também fará papel semelhante. Em "Imagine", ele será um rock star aposentado que passará por uma reviravolta na carreira ao descobrir uma carta que John Lennon, seu ídolo, escreveu para ele quando ainda tinha 19 anos. Será que nasce um novo filão no cinema?

24 de out de 2012

24 de outubro: Ziraldo



Ziraldo faz hoje 80 anos, as homenagens saudosistas vão todas na direção do Menino Maluquinho, mas eu só consigo pensar no Joelho Juvenal. Li o livro na escola, lá pela segunda ou terceira série, e até onde a minha memória alcança, este foi o primeiro personagem da ficção com o qual me identifiquei. Ainda me lembro de quando vi aquela ilustração do joelhinho todo esfolado, com ataduras e esparadrapos, e reconheci algo de mim naquela história.

Meu joelho teve seus dias de Juvenal graças à mania que eu tinha de andar no lugar de correr - tombos inevitáveis, né?, e às muretas chapiscadas da casa da minha vó - era um desafio divertido brincar de "escalar" até a parte superior e quem sofria as consequências era o meu joelho Juvenal. E um dos momentos em que percebi que estava deixando de ser criança foi quando me dei conta que meu joelho já não ficava esfolado tão constantemente quanto antes.

Hoje, mocinha vaidosa que sou, mantenho Juvenal com outro tratamento: bem cuidado, hidratado - com direito a esfoliação semanal, e arejado - pois adoro sair por aí de saia e vestido (o Juvenal do livro não tinha esse privilégio porque seu dono cresceu e passou a usar somente calças). Responsável por tantas memórias afetivas deliciosas, meu Juvenal tem hoje o que merece.

23 de out de 2012

Cine Brasil reabre em 2013 com 'Guerra' e 'Paz'*


Fechado desde 1999 e passando por reforma e restauro há cinco anos, o antigo Cine Brasil, na praça Sete, já tem data para voltar a funcionar: setembro do ano que vem. O espaço vai voltar diferente, com status de complexo cultural, e novo nome: V & M Brasil Centro de Cultura. Para inaugurar o novo período de atividades, o local vai sediar a exposição dos painéis “Guerra” e “Paz”, de Cândido Portinari (1903-1962), que deve ficar em cartaz por dois meses.

Além da antiga sala de cinema, que passará a ser um teatro com 1.100 lugares (500 a menos que o original) e foyeur, o centro também terá um teatro para 200 pessoas, galeria de arte, café-livraria e uma varanda voltada para o quarteirão da rua Carijós, onde serão realizados shows. O público também vai se deparar com um cenário do antigo cinema praticamente desconhecido: painéis de art déco descobertos nas duas entradas do local (seis no total, com 2 m de altura e 5 m de largura) e outro no grande teatro, que ocupa as duas laterais e o fundo da sala. Estima-se que este último, pintado para a inauguração, em 1932, tenha sido coberto por tinta já nos anos 1940.

Os painéis de Portinari chegam a Belo Horizonte carregados de simbolismo e mistério. Apresentados ao público em 1956, no Rio, com a presença de mineiros ilustres – o então presidente JK e o poeta Carlos Drummond de Andrade, os painéis serão vistos pela primeira vez em Minas e terão um espetáculo de inauguração que reunirá Milton Nascimento e Francisco Brant (que compuseram uma música sobre as obras), além do bandolinista Hamilton de Holanda e da bailarina Ana Botafogo.

Além de "Guerra" e "Paz", completam a exposição uma série de estudos de Portinari para a criação dos painéis e uma projeção multimídia de todo sua obra. “A ideia é ocupar o prédio inteiro”, diz Alberto Camisasca, superintendente da Fundação Sideturbe, que administra o espaço. Segundo ele, o único lugar da cidade onde cabem os painéis é o Cine Brasil. Cada um deles tem 14 m de altura e 10 m de largura e juntos pesam mais de duas toneladas.

Depois de passar por Rio e São Paulo, eles seguem para Brasília antes de BH. “Pretendemos fazer a exposição com entrada franca em Belo Horizonte”, garantiu José Cândido Portinari, filho único do artista e coordenador do projeto que trouxe de volta os painéis ao Brasil. Em 1956 eles foram entregues para a ONU (que os encomendou), em Nova York, e só foram expostos novamente no Brasil em 2011, no Rio. Por questões de segurança, não são revelados o local onde estão guardados nem o valor do seguro.

*Matéria publicada na edição de 20/10/12 do Jornal Pampulha

18 de out de 2012

Uma tonelada de arte em BH

Em setembro de 2013 BH vai receber os painéis "Guerra" e "Paz", de Portinari. A exposição vai marcar a inauguração do Cine Teatro Brasil, complexo cultural que ocupa o prédio do antigo Cine Brasil, na Praça Sete, aqui em BH. Juntos, os dois painéis pesam mais de uma tonelada. São impactantes - visitei a exposição em SP, no início deste ano.  Depois conto mais.


17 de out de 2012

Nos 50 anos, Stones vão de Beatles

A notícia poderia ser "Vaza áudio de ensaio dos Rolling Stones para nova turnê", mas prefiro dar uma alfinetada na pseudo rixa Beatles x Stones (só acredito nela como uma brincadeira boba, mas gostosa) e dizer que "Stones comemoram 50 anos com nova versão para música dos Beatles". Explico: alguém conseguiu gravar um trecho do ensaio que Mick e cia. fizeram na semana passada na Inglaterra para os quatro shows (dois na Inglaterra e dois nos EUA) que a banda anunciou que fará em novembro para celebrar suas cinco décadas. Nele ouve-se uma versão diferente de "I Wanna Be Your Man", composição que John e Paul deram de presente para a então novata banda de Londres. Este foi o segundo single da banda e o primeiro a entrar nas paradas.

16 de out de 2012

Ingresso pro Lolla - Tá caro ou tá barato?



A realização de shows gringos no Brasil tem sempre um momento esperado no script: aquele em que os fãs reclamamos do alto preço dos ingressos, turbinados pela profusão de entradas de estudante vendidas e a maldita taxa incompreensivelmente chamada de "conveniência". Comparados com os preços praticados fora do país (outra parte recorrente desse script), os valores que pagamos aqui ficam ainda mais caros.

Com o Lollapalooza Brasil, que só acontece no feriado da Páscoa no ano que vem (29, 30 e 31 de março), não foi diferente. Há gente reclamando do valor cobrado pelo passaporte de três dias de festival (R$900 - todos os valores citados aqui referem-se à inteira). Há gente reclamando pelo valor cobrado para cada um dos três dias (R$330 agora, R$360 a partir de janeiro de 2013). Mas caro e barato podem ser adjetivos aplicáveis a estes valores conforme o seu foco no festival.

Vamos comparar nossa situação com a dos gringos. Na edição norte-americana do Lolla deste ano, em Chicago, os passaportes variaram entre US$75 e US$230 (R$150 e R$460). Os ingressos individuais custaram US$95 (R$190). Os Chilenos, que também terão um Lolla no ano que vem, um fim de semana após o nosso, vão pagar entre 45 mil e 75 mil pesos pelo passaporte de dois dias (entre R$193 e R$322). A média por dia sai consideravelmente menor que aqui no Brasil. Ainda não há preços separados para cada um dos dias.

Mas vamos isolar a nossa realidade pelo menos por este momento, uma vez que ela não mudará enquanto não houver mudança na lei que regulamenta a meia-entrada ou na fiscalização exercida sobre esse benefício. O que você pretende com o Lolla? Ver todas as bandas (ou, pelo menos, a maioria delas, tendo em vista que os horários de algumas atrações coincidem) ou só o headliner (o chamariz para a maior parte das 70 mil pessoas que passarão pelo Jockey Clube)? Dependendo da resposta, a ida ao festival pode sair uma pechincha ou mais cara que um show comum. Vejam as contas feitas para cada situação:

Quanto mais, melhor - para quem quer ver o máximo de bandas que puder
Número de bandas por dia de festival: 20
Valor médio por banda:
Comprando o Lollapass: R$15 por banda (R$18 incluindo a taxa de conveniência)
Comprando o ingresso de dias separados: R$16,50 por banda (R$19,80 incluindo a taxa de conveniência)

Só o headliner me interessa
Quero ver só o Pearl Jam
No Lolla você paga: entre R$330 e R$360
No show que a banda fez no Morumbi no ano passado você pagou: entre R$190 e R$380
Diferença de R$140 considerando os ingressos mais baratos

Quero ver só o Killers
No Lolla você paga: entre R$330 e R$360
No show que a banda fez na Chácara do Jockey em 2009 você pagou: entre R$200 e R$350
Diferença de R$130 considerando os ingressos mais baratos

Como o Black Keys ainda não tocou no Brasil, não dá para fazer essa comparação com a dupla dos EUA.

Agora é com vocês. Decidam o que querem que entre pelos seus ouvidos e o que saia dos seus bolsos e vejam se a equação compensa.

15 de out de 2012

Cinco dias para o Gossip no Brasil - Agora vai. Agora vai?

Agora vai. Vai?
Segunda-feira, 15 de outubro. Estamos a cinco dias do Festival Planeta Terra, que acontece no próximo sábado (20) em São Paulo. A essa altura, cogitar sobre o possível setlist do Suede ou se será possível admirar de perto a belezura dos irmãos Followill torna-se uma tarefa até pequena diante de uma dúvida mais consistente: será que desta vez, finalmente, o Gossip não vai dar pra trás de última hora e cumprirá com o combinado?

Para quem não se recorda, a banda de Beth Ditto, uma das atrações desta edição do Planeta Terra, cancelou por duas vezes shows marcados no país, às vésperas das apresentações. Em 2008 (num mesmo mês de outubro, diga-se), os ingleses cancelaram as apresentações no Tim Festival (Rio e São Paulo) duas semanas antes das datas confirmadas. Em 2010, o cancelamento aconteceu apenas uma semana antes do primeiro dos quatro shows que estavam marcados aqui, em março daquele ano (Porto Alegre, BH, São Paulo e Rio).

Entramos agora na contagem regressiva. Faltam apenas cinco dias. Como diria aquela voz em off de um quadro do Fantástico: estamos de olho.

3 de out de 2012

O erudito que é pop (7)

Essa deve estar pau a pau com o hit dos berços "Dorme, neném, que a Cuca vem pegar". A "canção de ninar" do alemão Bramhs (Brahms's Lullaby), composta na segunda metade do século XIX, já deve ter embalado seu sono em algum momento da sua infância.


1 de out de 2012

Como dois e dois são...



Hoje o Guardian informou que há rumores segundo os quais Morrissey e cia. teriam assinado contrato para quatro shows, dentro eles um no Glastonbury do ano que vem. Também nesta segunda, o Pitchfork destacou uma declaração de Moz na qual ele revela que o Coachella prometeu uma edição 100% vegetariana caso ele aceitasse se reunir com Johnny Marr e se apresentar como The Smiths. A revelação não foi seguida de uma negativa sobre a reunião com o ex-parceiro, coisa que Moz já fez antes.

Some as informações. Faça as contas. Tão certo quanto dois e dois são... quatro ou cinco? Acho que começa hoje uma novela interessantíssima. Aguardemos os próximos capítulos.

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