28 de jun de 2012

London, London - British Music Experience

O British Music Experience (BME) não está nos guias de viagem de Londres. Uma pena. Este museu moderninho e interativo - daí o uso do termo "experience" no lugar do museu - sobre a música pop britânica é um dos lugares mais divertidos para se visitar em Londres quando se é melômano. Tão obrigatório quanto aquela passadinha em Abbey Road para fazer a clássica foto atravessando a rua.

Localizado na O2, complexo cultural que reúne em um só espaço a O2 Arena, restaurantes e cinemas, o espaço dedicado ao BME até que é pequeno se comparado à grandiosidade do complexo, mas há bastante informação condensada no museu (a propósito, foi pesquisando a programação de shows da O2 Arena no período em que estaria em Londres que felizmente descobri o museu).

O BME combina um extensa memorabília de artistas britânicos desde os anos 1950 aos dias atuais com estações interativas nas quais, com o toque das mãos, é possível conhecer os fatos mais importantes da música ligados aos nomes locais, muitos deles com contexto histórico. Há também estações mais didáticas, como as que tratam da influência musical mútua entre norte-americanos e britânicos e as que explicam determinados gêneros musicais e seus subgêneros por meio de conceitos e exemplos práticos. Neste último caso, para ativar as explicações, você toca em discos de vinis posicionados em uma mesa.

Dos tempos de Cliff Richard, o Elvis britânico
Para completar a diversão na poplândia britânica, há uma salinha em que você escolhe um ritmo e reproduz os passos de dança ensinados por uma professora em uma tela. Toda a sua performance é gravada por uma câmara. Outra sala reproduz um mini-estúdio com guitarras, baterias e, mais uma vez, vídeos gravados com instruções de professores. Sua performance como instrumentista também é registrada.

A jaqueta do Brett Anderson e a guitarra do Noel
O mais legal de tudo é que você sai de lá com toda a sua experiência registrada. Junto com seu ingresso, você recebe um cartão com um código numérico. Ao longo da visita, você é instruído a tocar o cartão em sensores localizados em todas as estações. Saindo de lá, você entra no site do BME e cadastra o código. Voilá! Todas as informações às quais você teve acesso (além do seu vergonhoso vídeo dançando e da sua vã tentativa de ser um instrumentista) estão armazenadas na sua conta pessoal no site em áudio, foto e texto e podem ser acessadas a qualquer momento, além de compartilhadas no Twitter e no Facebook. Se houver uma segunda visita, o novo cartão pode ser cadastrado, e as informações deste serão agregadas às do primeiro.

Recomendo demais a visita para quem curte música pop - um assunto que os britânicos levam muito a sério e sabem muito bem como tratar. Vá lá: http://www.britishmusicexperience.com/

E no Brasil? Por que não?
A propósito, uma pergunta que não sai da minha cabeça desde que descobri o MBE: porque o Brasil ainda não tem algo nessa linha? Nossa música é uma das mais conhecidas no mundo, tem um alto grau de diversidade e é um dos elementos fundamentais na formação da "identidade" nacional. Temos uma história fantástica para contar, histórias, no plural, diga-se de passagem, dado que ainda há muitos pontos e casos mal resolvidos que ainda precisam ser melhor compreendidos e aceitos como parte de um universo ainda limitado que se convencionou chamar de música brasileira. Poderíamos ter um museu dez vezes maior que o dos britânicos. E usar o espaço para entender melhor um dos nosso principais produtos de exportação para o mundo desde os tempos de Carmen Miranda. Fica a dica.  


27 de jun de 2012

London, London - HMV "Museum"

Vinil pra mais de metro

Londres é uma cidade de muitos museus. De todos os tipos. Considerando a acepção do termo no senso comum, qual seja, museu como local em que são reunidos objetos antigos com valor artístico e histórico (sei que hoje um museu pode ir muito além desse conceito), a HMV poderia entrar na lista de "museus" da capital inglesa. Em tempos de perrengue na venda de discos - inclusive na própria Inglaterra, é surpreendente o cenário avistado quando se entra na loja. 

Assim como nos tempos áureos das lojas de discos, há fileiras e fileiras de CDs E de vinis organizadas por gêneros musicais. Na loja da Oxford Street, a parte dedicada aos discos ocupa aproximadamente uns três quartos do primeiro dos dois pisos. Veja bem, a música é o que recepciona os clientes. O espaço é dividido com merchandising oficial de bandas, games e livros. A maior surpresa, porém, é ver, em plena quarta-feira, por volta das 19h, uma fila imensa, de dar voltas, tão grande quanto aquelas das Lojas Americanas em época de Páscoa ou Natal. Constatar que TANTA GENTE ainda compra disco foi quase um choque pra quem descartou esse hábito há quinze anos. É claro que não desconhecia a sobrevivência desse hábito ancestral, mas não imaginava que ele ainda poderia ser praticado em grandes coletivos.

À distância, aqui do outro lado do oceano, já era notável pra mim a relação de amor dos ingleses com a música pop. Na minha passagem pela HMV, senti que são amantes à moda antiga.

Fila pra pagar disco!

26 de jun de 2012

London, London

O blog ficou bem abandonado nas últimas duas semanas porque estava em viagem de férias para Londres. Para compensar a falta de atualizações, começo amanhã uma pequena série de posts com observações trazidas na mala direto da terra que em breve vai abrigar as olimpíadas. Aguardem.

25 de jun de 2012

Yes, nós temos holograma! Does anyone care?

No show que encerrou o festival Natura Musical, ontem (24), em BH, Gilberto Gil protagonizou o primeiro uso de holograma em show no Brasil. O baiano, que sempre se mostrou aberto a novidades tecnológicas relacionadas à produção e distribuição da música, contracenou com um holograma de si mesmo, bem mais jovem, durante a apresentação.

Contrariamente ao alarde que feito pela imprensa com o uso do mesmo recurso, em abril, no Coachella, quando Snoop Dogg cantou com um holograma de Tupac - precipitando, a partir daí, uma enxurrada de propostas de ressuscitação de astros da música, desta vez a repercussão praticamente não existiu. Ficou só no Facebook, graças à pagina do festival, e um pouco menos ao Twitter, via Emicida, atração do festival que deu a notícia em seu perfil. Por quê? Se o show tivesse sido em SP ou no Rio teria sido diferente?

12 de jun de 2012

My Abandonware

O que poderia ser melhor que um site que disponibiliza o download de aproximadamente quatro mil jogos de consoles dos anos 1980 e 1990? O My Abandonware está aí pra fazer a nossa felicidade e tirar do abandono os jogos do nosso passado.

Vá lá: http://www.myabandonware.com/

11 de jun de 2012

Trailer de disco: tendência?

Depois da moda do teaser de trinta segundos de um novo single, parece que a febre agora nos lançamentos da música são os trailers de disco. Na mesma semana, Killers e Muse deram amostras (vai saber se concretas ou conceituais, só mesmo ouvindo o material novo pra ter certeza) de seus próximos álbuns, "Battle Born" e "The 2nd Law", respectivamente. Em tempos de baixas vendas, downloads gratuitos e profusão de novidades musicais, tudo isso graças à internet, não deixa de ser uma manobra comercial notável por parte da indústria fonográfica: cria expectativa no público e, ao menos, se antecipa a possíveis "vazamentos" (sempre rola aquela dúvida se vazou mesmo ou se foi intencional) de modo a centralizar em um primeiro momento o monopólio do lançamento. Pra quem é fã, é, no mínimo, um aperitivo que cai bem.



5 de jun de 2012

"Desatino da Rapaziada" volta por Drummond*


Há algum tempo encontrado apenas à base do garimpo em sebos físicos e virtuais, “O Desatino da Rapaziada” vai ganhar novamente as prateleiras das livrarias. O livro do mineiro Humberto Werneck sai em nova edição, na última semana de junho, pela mesma Companhia das Letras que o editou há 20 anos.

“O livro tem muito a ver com Carlos Drummond de Andrade, que será o homenageado da próxima Festa Literária Internacional de Paraty, a Flip. Mas não creio que este seja o único motivo pelo qual a Companhia das Letras resolveu reeditá-lo, agora com outra cara. O livro nunca deixou de ter procura desde que foi lançado, 20 anos atrás, e teve várias reimpressões”, diz o autor.

Duas décadas depois, a obra volta praticamente a mesma. Werneck fez poucas alterações no texto. A maioria delas consistiu em mudanças no tempo dos verbos em casos de referências a personagens que faleceram neste intervalo. “Mais que isso, seria refazer o livro -- desatino que a esta altura já não me tenta...”, confessa.

“O Desatino...” reconstitui a trajetória de duas gerações de escritores em Minas, a dos vintanistas, comandada por Drummond, e a geração “Suplemento”, guiada por Murilo Rubião, e expõe o ponto de coincidência entre esses dois grupos: o trabalho como jornalista, seja em revistas literárias ou em jornais da capital. O livro foi produzido para integrar o acervo de exposição que tratava da imprensa mineira, realizada pelo Instituto Moreira Salles, em Poços de Caldas, em 1992.

Fosse escrito por outro autor, o livro traria em suas páginas Werneck como mais um dos personagens. O envolvimento com a escrita já vinha desde a adolescência. Aos 23 anos, partiu para o jornalismo num caminho que começou com o convite de Murilo Rubião para integrar a equipe do Suplemente Literário. O retorno à literatura ocorreria na maturidade. “Não há dúvida de que sou um peixe miúdo entre os grandes de que trata ‘O Desatino da Rapaziada’”, comenta.

Este mesmo “Suplemento” é aquele que deu corpo ao que Werneck define como o último grupo articulado de escritores em Minas. Vinte anos depois de feita, a afirmação ainda se sustenta? “Não tenho acompanhado os grupos de jovens escritores com a assiduidade que me permitiria responder. Tomara que haja por aí, reunida ou não em grupos, uma rapaziada saudavelmente desatinada”.

Editora relança obras de quatro mineiros

Pelo menos quatro escritores mineiros que figuram nas páginas de “O Desatino da Rapaziada” terão suas obras relançadas este ano (veja abaixo). Quem puxa a fila é Carlos Drummond de Andrade, cuja integralidade da obra vem sendo progressivamente reeditada desde o início deste ano. “Claro Enigma”, “Contos de Aprendiz”, “Fala Amendoeira” e “A Rosa do Povo” já chegaram ao mercado. Mais oito livros do poeta devem aumentar a lista até setembro.

Pedro Nava, que já teve dois livros relançados este ano (“Balão Cativo” e “Baú de Ossos”), ganhará mais outras duas reedições. Obras de Otto Lara Resende e Paulo Mendes Campos também serão relançadas, em julho e outubro, respectivamente. Todos os livros sairão pela Companhia das Letras.


Relançamentos


Carlos Drummond de Andrade
"Antologia Poética", "Sentimento do Mundo", "As Impurezas do Branco", "José" (lançamento em junho)
"Contos Implausíveis", "Os Dias Lindos", "Lições de Coisas" e "A Bolsa e a Vida" (setembro)

Otto Lara Resende
"A Testemunha Silenciosa" (julho)

Pedro Nava
"Chão de Ferro" (agosto)
Beira-mar" (janeiro de 2013)

Paulo Mendes Campos
Obras ainda não definidas (lançamento a partir de outubro)


*Reportagem publicada na edição de 26/05 do Jornal Pampulha



4 de jun de 2012

A América de Neil e Fairey



Quatro anos atrás o artista norte-americano Shepard Fairey usava o que se transformaria no seu mais conhecido trabalho até hoje para traduzir o sentimento de uma vasta parcela da população de seu país. Um cartaz que trazia uma foto de Obama em serigrafia com a palavra "HOPE" escrita logo abaixo sintetizava as expectativas que os eleitores tinham em relação ao então candidato democrata e se tornaria no ícone da campanha vencedora de Obama.

Hoje, a esperança ainda sente os efeitos do banho de água fria que levou da crise econômica que eclodiria ainda em 2008 e Obama já não é mais o messias que parecia ser. Mesmo assim, questões da "América" continuam pautando as criações de Fairey. Ele acaba de produzir onze telas, uma para cada faixa do novo disco de Neil Young, "Americana", conjunto de versões para clássicos da música folk dos Estados Unidos. Muitas das imagens têm uma estética combativa e revolucionária para casar com os versos que tratam da alma Americana.

Pouquíssimas dessas onze imagens caíram na internet (uma delas é a feita para a faica "This Land Is My Land", acima), mas é possível ver todas elas, de uma maneira belíssima, em um filme de 40 minutos que Neil Young fez para acompanhar o primeiro disco em nove anos com a Crazy Horse. O filme, que imita o cinema mudo, conta a história de um escritor que vai em uma galeria de arte à procura de imagens para ilustrar seu livro. Progressivamente, ele vai encontrando as imagens feitas pelo próprio Fairey. A trilha sonora é o próprio disco, cujas faixas surgem no momento em que são mostradas as telas correspondentes - algumas com belos closes que evidenciam detalhes e texturas. Filmes da era do cinema mudo completam a edição do vídeo.

"Americana" tem lançamento oficial amanhã (5). O vídeo pode ser visto no site de Neil Young.

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