31 de out de 2011

#diadrummond

Cota Zero

Stop.
A vida parou
ou foi o automóvel?

Lançamentos lembram Drummond em 2012*

Este dia 31, data de aniversário de Carlos Drummond de Andrade, deve ser apenas o primeiro de muitos dias de comemoração em torno de sua obra. Homenagens e novidades no mercado editorial vão tornar o itabirano figura recorrente, principalmente em 2012, ano em que se completam 110 anos de seu nascimento e 25 anos de sua morte.

O pontapé vem com o "Dia D", iniciativa do Instituto Moreira Salles (IMS) que pretende tornar o dia de nascimento de Drummond uma data dedicada à celebração e difusão de sua obra, semelhante ao que ocorre com o irlandês James Joyce, cuja obra é lembrada no mundo, todos os anos, em 16 de junho, no dia batizado de "Bloomsday". "A ideia é que seja uma coisa festiva, que as pessoas façam por conta própria e se apropriem. A gente espera que, nos próximos anos, ninguém nem se lembre que tem a ver com o IMS", deseja um dos curadores, Flávio Moura.

Belo Horizonte, Itabira, Rio de Janeiro, Paraty, São Paulo, Brasília, Porto Alegre e Lisboa, em Portugal, vão ter saraus, debates, peças de teatro e filmes relacionados a Drummond, em programação de iniciativa do IMS e de parceiros que aderiram à ideia. No site diadrummond.com.br, que concentra informações sobre a iniciativa, serão postados vídeos de personalidades e anônimos declamando poemas do mineiro. Conforme a repercussão do evento, no ano que vem o número de cidades com programação pode aumentar, promete Flávio.

Apesar da coincidência, o "Dia D" não foi motivado pelas datas relativas ao poeta no próximo ano. "O IMS guarda um acervo do Drummond, então é um bom ponto de partida para que a gente tenha maior envolvimento com ele, que está entre os maiores poetas brasileiros do século", esclarece. O acervo, de posse do instituto desde fevereiro, está sendo inventariado, mas já rendeu um livro e pode dar outros frutos. Cogita-se, por exemplo, fazer uma exposição das caricaturas de autoria do mineiro.

Até o fim deste ano, pelo menos quatro livros serão lançados, somando-se aos já editados nos últimos meses. A partir de março de 2012, sua obra será relançada, aos poucos, pela Cia. das Letras, editora que passa a cuidar dos escritos do poeta, que ficaram mais de 20 anos sob os cuidados da Record. "Os 25 poemas da Triste Alegria", primeiro livro de Drummond, inédito e renegado pelo poeta, também pode ganhar uma edição pela Cosac Naify, mas ainda não há previsão de lançamento. Em julho, o itabirano será o homenageado da décima edição da Feira Literária de Paraty (Flip).




*Matéria publicada na edição de 29/10 do Jornal Pampulha

Um Bloomsday para Drummond*

Não se sabe se James Joyce era um sujeito ciumento ou chegado a exclusivismos. Se fosse, estaria à beira de um ataque de nervos. Até então o único autor no mundo a ter um dia dedicado à celebração de sua obra, 16 de junho, o Bloomsday - em referência ao personagem Leopold Bloom, de Ulisses -, está prestes a ter que dividir o posto com Carlos Drummond de Andrade. Por iniciativa do Instituo Moreira Salles, o poeta itabirano pode ter uma data exclusiva no calendário: 31 de outubro, dia de seu nascimento (leia mais aqui). Assim como já ocorre há cerca de meio século com o escritor irlandês, Drummond ganhará um dia para que sua obra seja relembrada, difundida e celebrada pelo país, o "Dia D". O objetivo dos criadores é que a comemoração vire uma tradição, a exemplo do Bloomsday.

A única regra é homenagear o poeta, cada um à sua maneira, com a mesma liberdade que marca a data de Joyce. Natural de Formiga, mineiro e interiorano como Drummond, o escritor Silviano Santiago faria uma homenagem de certo modo solitária, mimetizando os passos do poeta. "Bem cedo, tomaria o ônibus na rodoviária de Belo Horizonte e viajaria direto para Formiga. Viajaria incógnito, como Drummond gostava de caminhar pelas ruas de Copacabana, no Rio de Janeiro. Itabira conheceria Formiga, Formiga homenagearia Itabira. Tudo na santa paz de José", descreve o escritor, para quem Drummond foi espécie de bíblia na juventude.

Ouro puro
A artista plástica Yara Tupinambá imagina uma celebração coletiva. Em meio aos vários panfletos que cortam o caminho dos pedestres que passam pelas ruas da cidade, se infiltrariam versos de Drummond. "Ele tem coisas muito acessíveis ao entendimento das pessoas. Podiam editar pequenos poemas e fazer folders para distribuir nas ruas, nas escolas", sugere. A maior homenagem ela diz já ter feito: um painel em 19 módulos inspirado no poema "A Mesa", criado com o acompanhamento do próprio Drummond, que deu suas impressões sobre o andamento da obra por meio de cartas trocadas com Yara, nos anos 1980. O painel e as cartas foram transpostos para um livro que será lançado.

Menos "popular" nas redes sociais que Clarice Lispector, uma das autoras preferidas dos internautas para fazer citações, Drummond ganharia mais espaço no Twitter e no Facebook em seu "Dia D", pelo menos no que dependesse da atriz e bailarina Rafaela Cappai. Ela aposta na difusão dos versos de Drummond pelas redes, mas exploraria ainda mais o mundo virtual. "Tem muito material na internet dele recitando suas próprias poesias, com aquela voz suave e doce. Ouvir ele mesmo declamando o que escreveu é ouro puro".

Itabirana como Drummond, a cantora Ana Cristina afirma não passar um dia sequer sem ter contato com os versos de seu conterrâneo. "É uma reverência diária. Ele mora na minha corrente sanguínea", garante. Mesmo assim, dedicaria a data a alguns dos poemas musicados presentes no disco que lançou no centenário do poeta. "O melhor é cantar ‘Canção Amiga’ sempre que eu posso para mães e filhos. Vai direto no coração. E tem que deixar o povo cantar, brincar, fazer vídeo, porque tudo é homenagem", diz. Uma homenagem, porém, foi unânime entre os entrevistados: leiam Drummond!



*Matéria publicada na edição de 29/10 do Jornal Pampulha

26 de out de 2011

Pedaço de Papel na rede

O curta-metragem "Pedaço de Papel", produção independente vencedora de 12 prêmios em festivais nacionais e internacionais, foi lançado hoje na web e pode ser visto na íntegra. O filme, de 2009, tem direção, produção e roteiro do mineiro Cesar Raphael e produção executiva do conterrâneo Thiago Bento, ambos da Lumiart, em parceria com a também produtora Carla Onodera e a Hemisfério Criativo. Os 17 minutos do filme acompanham a trajetória de uma nota de dinheiro e as histórias humanas que vão se agregando pelo caminho, com pinceladas de drama e ação.

A repercussão do filme levou a dupla a Hollywood, onde está sendo produzido o longa-metragem "The Traveler", baseado no curta. O projeto tem apoio do roteirista Bobby Moresco ("Crash e Menina de Ouro") e tem previsão de estreia para o segundo semestre de 2012.



25 de out de 2011

Remake artístico

O blog gringo Booooooom está promovendo, em conjunto com a Adobe, um concurso de reprodução de obras de arte famosas por meio de fotografias. O tipo de obra a ser reproduzida foi livre: quadros, fotografias, esculturas, instalações estão na lista dos remakes enviados pelos participantes. "A Última Ceia", de Leonardo da Vinci, foi a campeã de submissões, mas houve espaço também para fotos inspiradas em imagens de Cartier-Bresson e ready mades de Duchamp. O vencedor ainda não foi anunciado. Enquanto isso, é possível ver todos os concorrentes aqui.

"Atrás da Estação São Lázaro", Cartier-Bresson



"A Metamorfose de Ovídio", Rodin



"Olympia", Manet


Veja mais no Booooooom.

24 de out de 2011

Sobre o "plágio" de Beyoncé: duas notas

Quem acompanha o bafafá do mundo pop deve ter ficado sabendo que Beyoncé foi acusada de plagiar movimentos da coreografia criada pela belga Anne Teresa de Keersmaeker para o espetáculo "Rosas danst Rosas", em 1983, e considerado um dos mais influentes da dança contemporânea. Beyoncé admitiu ter usado alguns dos movimentos como referência. Pois fique sabendo:

1)A companhia belga Rosas, fundada por Anne Teresa, apresenta o espetáculo em questão no Brasil, em duas datas: nos dias 27 e 28 de outubro em São Paulo, no Sesc Pinheiros, às 21h, e dia 1º de novembro em BH, às 20h30, no Sesc Palladium, dentro da programação do Fórum Internacional de Dança (FID). Oportunidade para tirar a prova dos nove ao vivo.

2)Meses atrás, quando a equipe de Beyoncé estava, provavelmente, apenas sonhando em preparar a coreografia para o clipe de "Countdown", algumas mocinhas de um lugar da Europa que eu não consegui identificar levaram a célebre coreografia de Anne Teresa para o universo da diva pop-mor, Madonna, usando alguns dos movimentos de "Rosas danst Rosas" em "Like a Virgin". Pelo visto, a coreografia tem um apelo pop surpreendente para os padrões de linguagem da dança contemporânea.


23 de out de 2011

Nado sincronizado goes metal

Essas competições de nado sincronizado do Pan estão me saindo melhor que encomenda. Hoje de manhã, acompanhava a reprise da final de duplas quando me deparei com a performance das canadenses. As duas moças, com aqueles maiôs glamourosos e maquiagem e cabelo elegantérrimos que não se desmancham nem debaixo d'água, executaram a coreografia ao som de "Master of Puppets", com uma breve intervenção de "Enter Sandman", ambas do Metallica. Ganharam o ouro.

21 de out de 2011

Clipe do dia

O clipe de "Doughnut", da banda norte-americana Parenthetical Girls, é daqueles feitos para bombar nesses tempos de internet. Para cada palavra da música, uma capa de disco correspondente, muitas delas paródias de capas famosas. Rola até uma paródia com a clássica capa de "Verde Que Te Quero Rosa", do Cartola. A concepção é do estúdio de desgin português Cãoceito. Todas as capas que aparecem no vídeo foram reunidas neste tumblr.

I Need Nothing - a nearly useless odyssey from Cãoceito on Vimeo.

20 de out de 2011

Nado sincronizado também é cultura

Estava assistindo hoje à tarde às finais do nado sincronizado no Pan de Guadalajara quando o locutor da Record mencionou o filme "Escola de Sereias", filme de 1944 que ajudou a popularizar o esporte em questão. Dei uma busca no YouTube e encontrei, dentre vários vídeos, este abaixo, que traz uma edição de imagens de Esther Williams, atleta norte-americana do nado sincronizado que estrelou "Escola de Sereias" e outros filmes da época, sempre em papéis que relacionados ao então desconhecido esporte, sempre muito glamourizado nas cenas que protagonizou.



As imagens acabaram puxando do fundo da minha memória o clipe de "Aeroplane", do Red Hot, que traz figurantes executando movimentos de nado sincronizado.

19 de out de 2011

Geek rima com chique

A Dior mergulhou todo seu glamour no mundo dos games clássicos para criar a nova campanha de seus produtos de beleza. Para casar com o clima modernete, a trilha é do La Roux: "Tigerlily".

18 de out de 2011

Super-herói também é gente

Depois de, no último post, Batman pedir para pagar mais impostos e lembrar a gente que super-herói também paga conta (!), o artista plástico sueco Andreas Englund nos mostra agora que estes seres são gente como a gente, mesmo. Em uma série de quadros muito inspirada, ele retrata um super-herói de meia idade (sim, na imaginação de Englund eles também envelhecem) em situações cotidianas, da descontração aos pequenos apuros que nós, mortais, passamos na nossa vidinha comum.



Veja a série completa: artofdala.com

16 de out de 2011

13 de out de 2011

Novos super-heróis em tempos de crise


Batman - ou Bruce Wayne, o milionário por trás do super-herói - sabe que faz parte do 1% mais rico da população dos EUA, contra quem esbravejam os manifestantes do movimento Occupy Wall Street, e já mostrou que sabe como salvar o mundo (desta vez). Imagem do artista alemão Anjin Anhut.

12 de out de 2011

12 de outubro: Dia de Colombo

Enquanto, por aqui no Brasil, celebramos hoje crianças e uma santa, em alguns países das três Américas celebra-se o dia de Colombo, uma vez que a data de hoje marca o dia em que o Espanhol chegou à banda de cá do Ocidente e deu início ao que tentaram chamar de conquista, mas que nós sabemos que o nome mesmo é colonização, substantivo que já vem com um combo de outros termos: exploração, escravização, pilhagem. Há quem perceba que, por causa disso, a data não pode ser lembrada na base do oba-oba e faça uma anti-comemoração, como no cartão abaixo. Há mais outros aqui.



Criativos da internet, aguardo similares para o nosso 22 de abril.

11 de out de 2011

Siga aquele gato

No próximo sábado (15), a Pinacoteca do Estado de São Paulo inaugura exposição de seu acervo permanente, que ficará abrigado no segundo andar do prédio onde funciona a instituição, atualmente em reforma. Enquanto o dia da inauguração não chega, curiosos e ansiosos podem espiar o que se passa no local, mesmo distante da capital paulista.

Por meio da página da Pinacoteca no Facebook, é possível visualizar o local por meio de uma câmera instalada em um robô em formato de gato. Comandos de direita, esquerda, para cima e para baixo, controlados diretamente do mouse do computador, guiam o gatinho pelos corredores da Pinacoteca. A engenhoca pode ser acessada entre 14h e 17h, e cada internauta tem direito a três minutos para explorar os preparativos finais da exposição.

Parece que, nesse caso, a curiosidade não matou o gato.



9 de out de 2011

A vida de George em Living in the Material World*

Em pouco mais e um mês, em 29 de novembro, completam-se dez anos da morte do ex-beatle George Harrison, vítima de um câncer de pulmão. De maneira bastante estratégica, como exige este tipo de efeméride, é lançado hoje (10) em todo o mundo, depois de cinco anos de produção, o DVD de "Living in the Material World", documentário de Martin Scorsese sobre o guitarrista da banda inglesa que dispensa apresentações.

Lançamentos resultantes de celebrações de datas como essa costumam mobilizar mais os fãs, mas a cinebiografia que Scorsese acaba de entregar pode servir como uma bela carta de apresentação de George para quem conheceu os Beatles pegando carona apenas no mito em torno da banda, que muitas vezes faz da incontestável parceria Lennon/McCartney uma injusta sombra sobre a outra metade da banda. Ainda que muito rapidamente, o caçula dos Beatles é apresentado em sua infância e adolescência. Costurando depoimentos, Scorsese mostra como o garoto que garantiu sua vaga na banda graças à habilidade com a guitarra poderia ser hoje, para o senso comum, um compositor tão emblemático como John e Paul, mas não o se tornou porque seus dois parceiros pouco davam espaço para suas composições nos álbuns dos Beatles.

Aos beatlemaníacos, que inevitavelmente acompanharão histórias mais que conhecidas - o triângulo amoroso com Pattie Boyd e Eric Clapton, por exemplo - ficam reservados depoimentos mais pessoais do filho Dhani e da esposa Olivia, dos ex-companheiros Paul e Ringo (que chega a derramar lágrimas em determinado momento) e um tesouro: trechos do diário pessoal de George lidos por Dhani. Em um deles, o guitarrista descreve o dia em que deixou os Beatles.

O ídolo pop, porém, não é o foco maior do documentário. "Living in the Material World" (Vivendo no mundo material, em tradução livre) trata acima de tudo do garoto pobre, calmo e de olhar compenetrado que encontrou na fama, riqueza e reconhecimento trazidos pelos Beatles o ponto de partida para se transformar em uma pessoa de espiritualidade madura (elevada, diriam alguns), superior às frustrações e glórias de sua famosa banda e às dores e traumas provocadas pelo câncer e por um atentado sofrido em 1999, quando um maníaco invadiu sua casa e tentou matá-lo a facadas. Na música e filosofia indianas, como explora bem o filme, George encontrou o caminho para lidar com o mundo material.

As três horas e meia do documentário exigem um pouco de fôlego dos menos dispostos e menos curiosos, mas o ritmo da edição de Scorsese, que intercala depoimentos, imagens de arquivo pessoal e fotos raras dos primórdios dos Beatles facilitam o envolvimento com o filme. A recompensa ao final da maratona é descobrir, ou reforçar, que ao lado do carisma que Paul exala até hoje e da lenda que John virou por seu ativismo e cruel assassinato, esteve George com sua grandiosidade particular.



*Este texto também foi publicado no blog #ficaadica, do Jornal Pampulha

6 de out de 2011

Occupy Sesame Street

Tenho o maior respeito pelo movimento de Occupy Wall Street, mas não dá pra ignorar uma paródia tão espirituosa.




Mais aqui.

Espelho, espelho meu, quem é mais pop do que eu?

Ele vendeu hambúrgueres. Ele contracenou com Marisa Monte. Ele foi tietado por Taylor Lautner. Ele dançou no palco com Justin Bieber. Troféu Pop do Ano para Anderson Silva, garoto propaganda, ator, dançarino e lutador nas horas vagas.

4 de out de 2011

O erudito que é pop (5)

Pode tirar o cavalinho da chuva, montar nele e sair galopando desembestadamente ao som de "Guilherme Tell", ópera do século XIX composta pelo italiano Gioachino Rossini. Vai ser preciso ouvir alguns belos minutos de calmaria antes que chegue o famoso trecho que sempre nos remete às corridas de cavalo, mas vale muito a pena. É de Rossini a também famosíssima ópera "O Barbeiro de Sevilha", imortalizada por Pica-Pau, mas isso é assunto para outro post. Mais pop, impossível.

3 de out de 2011

Kanye na passarela

Kanye West entrou para o clube de cantores e músicos que se arriscam no design de moda. A quem interessar possa, ele lançou no fim de semana sua grife na poderosíssima semana de moda de Paris. Acho que se esqueceram de avisar pra ele que a temporada era das coleções de primavera e verão dada a quantidade de peças de couro, calças e mangas compridas, mas vale uma espiadinha se você tiver algum interesse por moda ou, ao menos, pelo alarde em torno da coisa. Veja a coleção completa aqui.


Achei esse look tão Teodora (personagem da Carolina Dieckmann em "Fina Estampa"). Será que Kanye andou vendo a novela das oito pra se inspirar?

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