26 de dez de 2011

22 de dez de 2011

Griselda

Griselda, além de ser o nome da protagonista da novela das nove da Globo, "Fina Estampa", também é um personagem do folclore europeu que ficou registrado para a eternidade em um dos contos de "Decameron", obra literário do italiano Giovanni Boccaccio escrita no século XIV. Posteriormente, o texto serviu de base para a elaboração do libreto da ópera composta por Vivaldi no século XVIII que também leva o mesmo nome da arqui-rival da vilã Teresa Cristina.

 

21 de dez de 2011

Valentino Garavani Virtual Museum

O estilista Valentino lançou um museu virtual que reúne todas suas criações. Em 3D, o acervo tem mais de 300 vestidos. Além dos modelitos, há mais de 5 mil fotos, desenhos e documentos, e cerca de 100 vídeos. O mais bacana da ideia é que tudo isso está disponível em um aplicativo que não é exclusivo para iPad, como costuma ser muita coisa legal que é lançada por aí. Basta ter um computador, que não precisa ser necessariamente aquele da maçãzinha, para acessar o conteúdo.

Vá lá: http://www.valentino-garavani-archives.org/

19 de dez de 2011

A lista das 11 melhores listas de 2011

Listas já são uma instituição da cultura pop. No fim de ano, com a necessidade de se fazer retrospectivas, isso fica ainda mais claro, visto que listas são excelentes para esquematizar e resumir assuntos, tudo o que precisamos na hora de olhar os acontecimentos pelo retrovisor. Uma vez que elas têm pipocado aos montes nos últimos dias, resolvi fazer aqui uma metalista, reunindo algumas das mais interessantes que vi até então. Voilá:

Dez razões que provam que o mundo já acabou em 2011 (Nina Lemos/Revista TPM)
Porque a espécie humana é muito mais autodestrutiva que qualquer apocalipse. Perdeu, 2012!

Os dez principais shows que você não viu no Brasil em 2011 (Rolling Stone Brasil)
Porque 365 dias ainda é pouco pra tanta atração gringa

A única lista dos 50 melhores álbuns do ano que realmente interessa ler (Vice Portugal)
Não se engane pelo título. Assim como tudo que a Vice faz, essa lista sai do lugar comum. De forma bem irônica

Top do Ano - Os 10 assuntos que marcaram 2011 (Mauricio Stycer/UOL)
Retrospectiva fast food da política, economia e outros assuntos sérios do ano que acaba

Zeitgeist 2011 (Google)
Os termos mais buscados neste ano no Google, o grande banco de memória desses tempos 2.0

O melhor e o pior da web em 2011 (YouPix)
Um retrato dos memes e bafos da esfera virtual

As palavras e frases mais ditas em 2011 (Global Language Monitor)
O topo da lista é "occupy". O segundo lugar é "déficit". #2011tenso

Gafes, mentiras e promessas - as piores declarações do futebol brasileiro em 2011 (Terra TV)
Porque este blog também curte bater uma bolinha

Gírias e termos que marcaram 2011 (YouPix)
Pohan!

Os piores ataques de DJ de 2011 (Revista Trip)
Essas celebridades tipo Z não desistem

Top Tudo de 2011 (Time)
Dos piores momentos da moda às grandes descobertas da medicina, está tudo no mexidão da Time

14 de dez de 2011

Mudança de hábito

Os meninos da Del Rey, de azul, nos bastidores da gravação do especial de fim de ano

Quem disse que especial de fim de ano do Roberto Carlos é sempre a mesma coisa? Bom, neste ano, na Globo, vai ser mesmo no esquema flashback, uma vez que a emissora vai reprisar o show do rei em Jerusalém. Mas a MTV tratou de mudar a ordem das coisas. No próximo domingo, às 23h, pra quem ainda não sabe, a banda Del Rey, especialista há quase dez anos em fazer versões para as músicas de Roberto e Erasmo, vai ser a responsável pelo especial inédito deste fim de ano.

Wanderléa e Fafã de Belém foram as convidadas da apresentação, que terminou com todos os VJs da casa fazendo em coro em "Quero Que Vá Tudo Pro Inferno", ao contrário dos shows do rei, que sempre são finalizados com "Jesus Cristo". Não disse que era diferente?

12 de dez de 2011

Artistas unidos pelo Mega Upload

Poderia ser apenas uma campanha pra se autopromover e fazer frente à concorrência, mas foi uma bela sacada: em um vídeo produzido e publicado no Mega Upload, artistas cantam a "Mega Upload Song". Ou seja, gente que faz parte da indústria que tanto implica com o livre compartilhamento de arquivos na internet canta a favor dessa prática. E é gente muito grande: a lista de participantes inclui Will.i.am (que parece ter sido o compositor da música, que lembra bem seu estilo), Alicia Keys, Snoop Dogg e P Diddy, dentre outros.

A música em questão traz versos que tratam da maravilha que é o site de compartilhamento de arquivos intercalados com depoimentos nos quais alguns desses mesmos artistas falam sobre o uso que fazem do site.

8 de dez de 2011

8 de dezembro: Tom Jobim

Hoje marca o dia da morte do John, mas é bom lembrar que num mesmo 8 de dezembro, só que de 1994, foi-se embora outro nome da música: Tom Jobim.

6 de dez de 2011

Encircopédia*

De "acrobata" a "ventríloquo", o passado e o presente das artes circenses no Brasil ganharam registro em extensa compilação de verbetes no recém-lançado livro "Encircopédia - Dicionário Crítico Ilustrado do Circo no Brasil" (Mútua Comunicação, 420 págs.).

A publicação busca traçar um histórico do circo no país, detalhar aspectos artísticos e técnicos de números e personagens típicos do picadeiro, além de expor as condições atuais de trabalho dos circenses, marcada pela busca de políticas públicas e legislação que fomentem sua atuação. "A gente tentou dar um panorama da história do circo no mundo e no Brasil e a história das famílias circenses, da luta, mas tudo separado em verbetes para facilitar o estudo. Um dos principais objetivos é justamente registrar essa história, é uma função de resgate e de registro. Está começando no Brasil esse tipo de publicação", explica a autora Sula Mavrudis, diretora da área de circo do Sindicato dos Artistas de Minas Gerais, que coletou grande parte do material diretamente em circos mineiros e ao longo de sua trajetória de envolvimento com associações de circo.

Grande parte do livro é dedicada à biografia de cerca de cem famílias circenses, algumas das principais no país, uma parcela delas de origem cigana. "A noção de família no circo é muito grande, no sentido, por exemplo, de que o pai é também professor. A confiança no outro é muito grande, todo mundo trabalha junto o tempo todo", diz Sula. A "Encircopédia" também lista cerca de 600 circos que em algum momento estiveram em atividade no Brasil, numa história cujo início remonta aos tempos do império. "Com a vinda do Dom João pra cá, vieram também muitas companhias de teatro e artistas. Quando chegaram os circos de lona, já existiam muitas companhias mambembes", diz.

Estrela
O palhaço, grande estrela do circo no país de acordo com Sula, também ganhou destaque na obra. Em cerca de 30 páginas, são lembrados palhaços que ficaram famosos no país, como Benjamim de Oliveira, Arrelia, Piolin e Carequinha, e artistas que a autora chamou de "palhaços sem cara pintada", a exemplo de Grande Otelo, Mazzaropi e os Trapalhões Didi, Dedé, Mussum e Zacarias. "O Dedé é um homem de circo e levou para o quarteto todas as reprises e comédias circenses. Eles se transformaram nos mais importantes e famosos palhaços da TV e do cinema. Existe palhaço sem maquiagem também", reforça a autora, completando que o palhaço brasileiro guarda suas particularidades. "Na Europa, os circos eram muito grandes, então a mímica era muito mais utilizada. Aqui no Brasil, com circos menores, houve mais proximidade com o público e o palhaço teve mais possibilidade de falar. Tem a modalidade do palhaço cantor também, que é muito brasileira. Ele, aqui, desenvolve uma regionalidade também. Nossa cultura é muito diversificada e o palhaço carrega isso".

*Matéria publicada na edição de 3/12/2011 do Jornal Pampulha

5 de dez de 2011

O ano do palhaço*

E o palhaço, o que é? Deixou de ser ladrão de mulher, pelo menos este ano, para se tornar um campeão de bilheteria e uma figura recorrente fora dos picadeiros. Na esteira do filme "O Palhaço", que já atraiu mais de 1 milhão de espectadores aos cinemas, 2011 viu uma profusão de palhaços na TV e destaque para o personagem em eventos.

O longa dirigido e estrelado por Selton Mellon liderou as bilheterias brasileiras em seu fim de semana de estreia, no final de outubro, e precisou apenas de 15 dias em cartaz para atingir a marca de um milhão de espectadores, tendo sido o sexto filme brasileiro a atingir a marca este ano. "O palhaço é uma figura importante na vida. Ele representa o mundo que todos nós gostamos, é o mundo do lúdico, da felicidade. Quando a gente ouve falar ‘o palhaço’, o título não é outra coisa a não ser o palhaço. Já nos remete ao mundo que a gente gostaria de estar", diz Rodrigo Robleño, o palhaço Viralata, buscando explicar o sucesso de público do filme, que também foi bem acolhido pela crítica.

Eterno
Fora da sétima arte, o palhaço também deu as caras numa tela menor. Na novela "Araguaia", exibida na faixa das 18h pela Rede Globo até abril deste ano, entre os personagens estavam os palhaços Pimpinela, vivido pelo ator Nando Cunha, e Estripulia, interpretado pelo alagoano Teófanes Silveira, que na vida real também faz rir na pele de Biribinha, considerado patrimônio vivo de seu Estado. No SBT, foi a vez de a dupla Patati Patatá, no ar desde maio, virar fenômeno em meio ao público infantil depois do vácuo deixado pela geração de apresentadoras loiras. "A linguagem do palhaço é muito popular, muito próxima da gente e traz essa questão nostálgica do circo", sugere a coordenadora do Festival Mundial de Circo, Fernanda Vidigal. Este ano, o evento, que tem sede em BH, dedicou uma parcela da programação exclusivamente ao astro do picadeiro. "No Brasil, nós temos bons palhaços. Não tem como um festival que quer espelhar a produção brasileira não ter espaço só pra isso, já que é o que mais se produz no país", justifica, argumentando também que existe hoje uma valorização do personagem. A atriz do Grupo Galpão Teuda Bara, que está no elenco de "O Palhaço", reforça a opinião a partir da experiência que teve nos quatro anos em que integrou o Cirque du Soleil. "Lá, o palhaço é o que tem maior cachê. Fazer rir não é tão fácil, o cara tem que saber conversar com o público, tem que segurar", diz Teuda, que considera a figura do palhaço "eterna".

Eterna e também onipresente, visto que transita entre o circo, os meios audiovisuais e a arte de rua. "O palhaço está em vários lugares porque é um personagem que provoca o espanto, ele é diferente. Ele está no hospital, na televisão, em evento empresarial, no asilo, na creche", afirma Paulo Sérgio Pires, o palhaço Popó, que também já ocupou seu espaço na TV quando esteve à frente do programa TVX, da TV Horizonte, sucedendo Viralata na atração.

Para Diogo Dias, integrante da Cia Circunstância e do Coletivo de Palhaços, que reúne artistas do gênero em Minas, o personagem também pode estar em cada um de nós. "O palhaço pode estar sentado numa mesa de bar, numa roda de família. Onde tem mais de uma pessoa querendo brincar com a vida cotidiana é possível que tenha palhaço porque sempre buscamos a felicidade e temos que provocá-la de alguma forma. O palhaço não tem lugar certo. Ele está no lugar errado, é meio inconveniente".

*Matéria publicada na edição de 3/12/2011 do Jornal Pampulha

1 de dez de 2011

Prévia de "Recanto"

A Rádio UOL disponibilizou cinco faixas do novo CD da Gal, "Recanto", inteiramente composto por Caetano. Prepare-se para uma atmosfera introspectiva construída com batidas eletrônicas. O disco será lançado na próxima terça-feira (6).

Ouça aqui.

30 de nov de 2011

Passatempo

Que tal um passatempo à la "Onde Está o Wally" em tamanho família, mas só com personagens e personalidades da cultura pop? Alguém se deu ao trabalho de fazer o desenho, agora é a sua vez de se dar ao trabalho de encontrar todo mundo que está na imagem. Voilá!

Clique aqui para ver a imagem ampliada.

29 de nov de 2011

29 de novembro: George Harrison

Escrevi hoje de manhã, no Twitter, que me incomodavam as lembranças dos dez anos da morte do George especificamente no dia em que tudo ocorreu (a.k.a hoje). Disse que tudo me fazia lembrar daquela sexta-feira, da chuva que caía, da notícia, de Something tocando no repeat do Winamp. É mais fácil, pra mim, tecer homenagens e glorificar o John, já que eu nem estava neste mundo quando a vida dele foi tirada pelas costas. Não vi a coisa acontecendo, quando cheguei aqui, já estava assim.

Mas o dia de hoje não deixa de ser uma boa desculpa para lembrar como as músicas do George foram as que mais me cativaram de imediato quando comecei a desvendar os Beatles. Para lembrar como a beleza de "Something" era clara desde os primeiros acordes. Para lembrar como "I Me Mine" foi uma das primeiras músicas na vida que me deixou desconsertada, e me fez levantar do sofá da sala naquela tarde qualquer quando coloquei pra tocar o vinil de "Let it Be", logo depois de comprá-lo na Galeria da Praça 7 por R$10, uma pequena fortuna lá pelos ídolos de 2000.

Salve, George.

28 de nov de 2011

Acervo Gil


Já está no ar no site do Instituto Tom Jobim o Acervo Gilberto Gil. Imagens, vídeos, textos e outros tipos de mídia ajudam a contar vida e obra do compositor, que em 2012 chega aos 70 anos.

O próprio Tom, além de Chico, Dorival Caymmi e o arquiteto Lúcio Costa, também têm acervo no mesmo site.

24 de nov de 2011

Paul, vem falar uai!

E se o Paul voltasse para o Brasil no ano que vem? E se ele voltasse para BH? É um sonho (grande), mas sonhar não custa nada, tentar fazer algo pelo sonho também não. Seguindo essa filosofia, beatlemaníacos de BH iniciaram no Facebook a campanha "Paul, vem falar UAI!".

A ideia é mobilizar o maior número possível de fãs e mostrar para produtores e patrocinadores que a cidade tem público sedento por um show do Paul por aqui.

Quem quiser colaborar, é só entrar no link abaixo e curtir a página criada para divulgar a campanha. Quanto mais likes, mais amostras de mobilização.


Paul, o Independência (novinho em folha) te aguarda!

23 de nov de 2011

Haikai furioso

"O sol e o céu tranquilos
Porcos verdes gargalham com prazer
Acima, madeira quebrada"

Esta obra prima da literatura é de autoria da Wired, que escreveu o haikai acima para introduzir um artigo que analisa do ponto de vista da física o movimento, a aceleração e a velocidade do pássaro amarelo do Angry Birds. #nerdices

21 de nov de 2011

Stones Archive

Já está no ar o Stones Archive, site lançado pelos Rolling Stones que contém material digitalizado da banda: fotos, vídeos, textos, memorabília, bootlegs e outras raridades. A primeira pérola colocada à venda é The Brussels Affair, registro de show feito pela banda em 1973 em Bruxelas, na Bélgica.

Com a proximidade dos 50 anos da banda e os rumores de que os quatro se reuniriam para uma possível turnê em 2012, o acervo do site só tende a aumentar.

17 de nov de 2011

Ringo, you're a star

"Ah, ele podia tocar 'Never Without'!". "Liverpool 8! Liverpool 8!". "Por que não entra 'Don't Pass Me By?". "Queria ouvir 'I Think Therefore I Rock 'n' Roll!'". "Ele tinha que tocar 'You're Sixteen'". Eu, particularmente, queria ouvir "Only You". E "Devil Woman". E "No No Song" também. Todos que estavam ontem no Chevrolet Hall devidamente paramentados com camisetas dos Beatles para ver a apresentação de Ringo tinham as suas músicas preferidas na voz do baterista na ponta da língua. Muitos conheciam muito bem a discografia solo de Ringo. Outros tinham no beatle mais "baixinho" (1,73m contra aproximadamente 1,80 dos outros colegas) o seu preferido dentre os fab four. Ninguém ali no público tinha dúvidas quanto ao fato de o Ringo ser um astro da mesma grandeza de John, Paul ou George.

Por outro lado, Ringo, que há 50 anos carrega a estrela em seu próprio nome, num ato de altruísmo, se recusa a se colocar diante do público como tal. Divide metade do repertório do show com seus colegas de banda de maneira matematicamente justa: dois números para cada um dos músicos. Tem sido assim há mais de vinte anos. É uma camaradagem das mais bacanas, eu penso, e os músicos não decepcionam tecnicamente. Mas gostaria de ver Ringo se assumir definitivamente como a estrela única de seus shows e tomar conta do repertório. Músicas para segurar um show inteiro e agradar ao menos a uma legião de beatlemaníacos (e não simplesmente a "simpatizantes" dos Beatles) ele tem (os exemplos acima comprovam). Jeito com a plateia também (as piadinhas irônicas muito me agradaram).

À parte o exemplo de idolatria a Ringo que o público de BH deu ontem, o baterista experimentou várias vezes estar no centro da história de sua grande banda. Nos filmes dos Beatles, era o centro das tramas (o portador do anel perseguido pela ceita indiana em "Help", o sumiço antes do show em "A Hard Day's Night", o responsável por levar os três parceiros para Pepperland em "Yellow Submarine"). Foi o único beatle que colaborou com os demais em carreira solo e que, em retribuição, teve a participação dos mesmos três em seus álbuns pós-Beatles. Quando ameaçou deixar a banda, foi recebido no estúdio com sua Ludwig repleta de pétalas de rosas. Era um querido dentro da banda. E continua sendo fora dela. Quero ver Ringo tomar essa condição para si e levar para o palco. Dominar seu show de cabo a rabo.

Parafraseando os versos que John escreveu para Ringo, possivelmente mandando um recado para seu parceiro: Ringo, você é o maior e é melhor você acreditar nisso, baby!


Alquimistas do Som

"Alquimistas do Som" é um documentário de 2003 recentemente postado na íntegra no YouTube. A coprodução da TV Cultura e da TV PUC trata da experimentação na música brasileira a partir de depoimentos dos próprios músicos que construíram suas carreiras a partir dessa premissa (Tom Zé, Egberto Gismonti, Júlio Medaglia).

16 de nov de 2011

Hoje é dia de Ringo, bebê!*

Uma única estrela enfeita o bumbo da lendária Ludwig que Ringo Starr usa ao vivo. Mas o nome do show que o ex-baterista dos Beatles apresenta em Belo Horizonte nesta quarta-feira (16), no Chevrolet Hall, trata de espantar qualquer possibilidade de "propaganda enganosa". "Ringo Starr and His All Starr Band" deixa bem claro: todos no palco são considerados astros.

Os fãs de Beatles que assistiram Paul McCartney destrinchar exclusivamente suas composições feitas para sua ex-banda e sua carreira solo vão se deparar com um formato diferente de show na apresentação da segunda metade viva dos rapazes de Liverpool no Brasil. Este não será somente um show de Ringo. No palco, "com uma pequena ajuda dos amigos", ao longo do show ele divide o repertório com cada um dos músicos de sua banda, que também executam sucessos de suas carreiras.

Diversão
Ringo mantém este formato desde 1989, ano em que voltou a fazer turnês com regularidade. Criado com o intuito de simplesmente reunir alguns amigos no palco em nome da diversão, desde então a All Starr Band abrigou uma constelação. Já são11 formações diferentes, pelas quais passaram membros de importantes bandas do rock, como The Who, Byrds, Cream, Animals, Kinks e Emerson, Lake and Palmer. A formação atual está com Ringo desde o ano passado. Não é a mais estrelada de todas, mas vai despejar alguns hits conhecidos do público brasileiro (veja quadro abaixo).

"Vi um show do Ringo em 1998. Foi um super show, num lugar antológico em Londres, e o George estava no backstage. Nessa época, a banda dele tinha o Jack Bruce, do Cream, e o Peter Frampton. Em termos de comparação, acho aquela formação melhor que a de hoje, mas tudo vai ser relevado pela presença do cara ali. Até porque ele sempre foi o beatle que representava a alegria. Um beatle é sempre um beatle", conta o músico Aggeu Marques.

Nos shows que já fez até o momento em sua turnê latino-americana, que já passou por México, Chile e Argentina, Ringo tem alternado composições de sua carreira solo com músicas dos Beatles. Do período com os Beatles, "Yellow Submarine", "With a Little Help For My Friends" e "Boys" têm sido presença constante. Da fase pós-Beatles, "It Don´t Come Easy" e "Back of Bugaloo" são recorrentes no repertório.

Equilíbrio
"É um show imperdível para quem curte o Ringo e os Beatles porque a cada dia que passa ele prova mais e mais o seu valor como baterista. O Ringo é um cara muito querido e era considerado o ponto de equilíbrio dos Beatles", afirma Beto Arreguy, vocalista e guitarrista da banda Hocus Pocus, que também teve a oportunidade de ver Ringo no exterior.

Uma citação ao ex-companheiro de banda John Lennon também é praticamente presença certa nos atuais shows de Ringo: "Give Peace A Chance", também cantada por Paul McCartney em sua turnê. Na ausência de John, Ringo tem sido o beatle que mais fala de paz. A propósito, além dos sucessos, o público certamente ouvirá, no Chevrolet Hall, durante todo o show, Ringo pronunciar seu atual mantra: peace and love peace and love.

Ringo Starr and His All Starr Band
Quarta-feira (16). Chevrolet Hall (avenida Nossa Senhora do Carmo, 230). Ingressos: R$240 (somente inteira, no 5º lote). Infomações: 3209-8989

*Matéria publicada na edição de 12/11 do Jornal Pampulha

14 de nov de 2011

Beatles, uai*

Não há conexão direta entre Tancredo Neves e John Lennon. Pelo menos não entre o Aeroporto Internacional Tancredo Neves, na região metropolitana de Belo Horizonte, e o John Lennon Airport, em Liverpool. Não há voos diretos da capital para o berço dos Beatles. Mas o que a aviação impede, o sentimento dá conta de tornar possível. BH, que recebe na quarta (16), pela primeira vez, um beatle em seu solo, o baterista Ringo Starr, mantém laços particulares com a beatlemania e os ares de Liverpool.

Na falta de um avião que encurte as distâncias entre as cidades separadas pelo Atlântico, desenha-se uma ponte imaginária, como na mente do músico Aggeu Marques. "Liverpool é uma cidade do interior e considerada caipira pelos ingleses. Acho que o Brasil nos vê assim também. Na TV, os mineiros são retratados com jeito caipira. A gente aqui tem a impressão, como o Milton (Nascimento) disse uma vez, de que a mídia está olhando de frente pra praia e de costas pra gente. Liverpool tem a mesma sensação em relação a Londres, de marginalização cultural", compara Aggeu. Hoje no projeto Yesterdays, de tributo aos Beatles, ele acumula passagem por Hocus Pocus e Sgt. Pepper´s, mais antigos covers do quarteto na capital, com 27 e 22 anos de existência, respectivamente.

Apuro técnico
Com longo histórico e reconhecimento internacional, na International Beatle Week, principal festival em homenagem aos Beatles realizado anualmente em Liverpool, as duas bandas abriram caminho para que BH se transformasse em um dos polos de bandas cover do grupo inglês no país. Atualmente, estão em atividade na capital quase uma dezena de bandas que tocam repertório dos Beatles pelo menos quatro noites por semana. "Na cidade tem muita gente trabalhando com Beatles ou curtindo a banda. A formação de público é permanente", observa Beto Arreguy, vocalista e guitarrista da Hocus Pocus. A Sgt. Pepper´s, apontada na Beatle Week como um dos melhores covers de Beatles do mundo, recebeu elogios de Paul McCartney, via e-mail. "Ele agradeceu o material que enviamos. Falou que foi muito bem feito e que era a reconstrução do passado da banda", relata Jô.

Este esmero técnico é um dos pontos fortes das bandas locais, na opinião do produtor cultural Jeová Guimarães. "Os músicos mineiros não se preocupam tanto com o visual como em outras cidades, aqui se prima mais pela técnica", afirma Jeová, organizador da festa "Come Together", que reúne músicos para fazer versões de clássicos dos Beatles. Isso não impede, no entanto, que a cidade receba bem bandas de fora e com propostas diferentes. O projeto de São Paulo All You Need Is Love, que reconstitui ao vivo a trajetória dos Beatles por meio de figurinos e trejeitos, cativou o público local. Dos 25 mil DVDs que vendeu em todo o país, quase metade foi comprada pelos fãs mineiros. "O pessoal daí chega dez vezes mais animado pro show. A gente percebe a diferença no alvoroço", comenta o vocalista Sandro Peretto.

O primeiro
O alvoroço não é de hoje. Aos 12 anos, Lô Borges formou ao lado dos irmãos os The Beavers. De calça curta azul e camisa branca, eles reproduziam na BH dos anos 1960 a beatlemania em programas da TV Itacolomi e da rádio Inconfidência. "Só o Márcio sabia inglês. Ele escrevia os fonemas conforme se falava pra gente cantar: if ai feu in lov uit iu. Fizemos um certo sucesso", relembra Lô, um dos mentores do Clube da Esquina, fortemente influenciado pelos Beatles e considerado pela maioria dos entrevistados uma das raízes da beatlemania por aqui. Coincidência, ou não, a esquina das ruas Paraisópolis e Divinópolis já foi comparada com outra esquina célebre, na terra da rainha. "O Pat Metheny, guitarrista de jazz norte-americano, queria conhecer o local do Clube. O Milton explicou que era uma esquina como outra qualquer e ele falou que Abbey Road também era só um cruzamento. Ele falou pro Milton que a emoção de estar no Clube só era comparável à de estar em Abbey Road".

*Matéria publicada na edição de 12/11 do Jornal Pampulha

11 de nov de 2011

Adivinhe quem chegou para o Natal - parte 2

Parece que o Papai Noel resolveu recrutar o povo do rock para substituir as renas neste Natal. Depois de Iggy Pop virar garoto propaganda, com gorrinho do bom velhinho e tudo, de uma loja de departamento na França, os Smiths foram parar na trilha sonora da campanha de Natal de uma loja de departamento inglesa, a Jonh Lewis. A música em questão é "Please Please Please Let Me Get What I Want", em uma versão da cantora Amelia Warner, que se apresenta sob o nome de Slow Moving Millie.

O jornal inglês The Guardian já está chiando. Um artigo questiona porque uma banda tão anti-establishment como o Smiths liberou sua música para uma campanha que promove uma data tão propícia para o capitalismo. Moz, aguardamos seu pronunciamento.


10 de nov de 2011

Humor e conspiração

Estreou nos cinemas gringos na última semana o filme "Anonymous", que discute uma teoria há tempos levantada por alguns estudiosos: Shakespeare não é o autor dos textos creditados a ele. O filme, especificamente, propõe que a obra hoje atribuída a Shakespeare é de autoria, na verdade, de Edward de Vere, o Conde de Oxford. A direção é de Roland Emmerich. A previsão de estreia no Brasil é fevereiro de 2012.



Tudo isso foi só para falar que, pegando carona no lançamento do filme, a New Yorker fez um apanhado dos seus sempre espirituosos quadrinhos que tratam de Shakespeare. Veja aqui.


9 de nov de 2011

Adivinhe quem chegou para o Natal


Iggy Pop é o garoto propaganda da campanha de Natal da Galeries Lafayette, loja de departamento francesa. O clima natalino em tom de rock segue nas vitrines da loja, que abrigarão shows de bandas locais e estrangeiras, além de manequins com roupas de couro.

Olimpíadas em pôster

A organização das Olimpíadas de Londres-2012 divulgou 12 pôsteres criados por artistas britânicos que serão usados para divulgação dos jogos. São seis imagens inspiradas nos jogos olímpicos e seis imagens inspiradas nos jogos paraolímpicos. Veja todos aqui.

Olimpíadas por Rachel Whiteread


Paraolimpíadas por Michael Craig-Martin

8 de nov de 2011

#georgemichaelfeelings

O Duran Duran divulgou hoje (8) o clipe da música "Girl Panic". O clipe com jeitão de curta-metragem (9:35 de duração) tem ares de editorial de moda em movimento: Naomi Campbell, Cindy Crawrofd, Eva Herzigova e Helena Christensen, todas super-modelos dos anos 90, são as estrelas do vídeo. Entre looks de passarela, festanças, cliques e swarovski, as quatro assumem a figura de cada um dos integrantes do Duran Duran.



#georgemichaelfeelings
"Girl Panic" me remeteu imediatamente a "Freedom '90" e "Too Funky", dois clipes muito representativos de George Michael e da própria década de 90, estrelados pelas principais modelos da época. Naomi e Cindy - pelo visto, eternas top models - participaram de ambos. Helena Christensen também teve seu momento MTV na década que parece estar voltando à moda. É ela a moça de um grande hit-videoclíptico: "Wicked Game", do Chris Isaak. Lembram?

7 de nov de 2011

Chico em BH - impressões

"Uma estreia nacional de Chico é como uma festa. E enquanto o show não começa, a gente pensou em cantar para esperá-lo. Cantar junto. Cantar pra ele. Talvez lá do camarim ele até ouça o burburinho. Talvez não. De todo modo, cantar já é uma forma de nos prepararmos para recebê-lo, aqui em BH. Que daqui a pouco é ele quem vai cantar pra gente. E a gente ouve. Essa ideia surgiu entre alguns dos que dormiram na fila para comprar ingresso para esse show. Essa 'cola' é só pra ajudar na cantoria".

Folhas A4 distribuídas na fila de entrada do show de Chico no último sábado continham essa mensagem, seguida de letras de "A Banda", "Vai Passar", "João e Maria" e outras canções mais populares do compositor. A ideia, como explicado, era aquecer para a estreia do músico. Não colou muito. A cantoria ficou concentrada na lateral esquerda da Plateia I, provavelmente onde o pessoal que se conheceu na fila deve ter se sentado. Mas a tietagem impressionou. Parecia plateia de auditório de programa de domingo. Ou público de popstars. Ou torcida de futebol - os gritos de "Olê, olê, olá, Chicôôô, Chicôôô" reforçaram ainda mais essa última impressão.

O contraste ao ambiente caloroso começaria com 20 minutos de atraso e aplausos de pé da plateia. Pupilo da tradição bossa-novista, que preza pelo minimalismo da performance em favor da canção, Chico segue fazendo de tudo para não chamar a atenção. Só se dirige à plateia para dar um "boa noite, Belo Horizonte", logo após a abertura, com "Velho Francisco" e, mais adiante, para apresentar seus músicos e convidar o baterista Wilson das Neves para dividir o microfone em "Tereza da Praia" e "Sou Eu". A escolha do repertório deu pouquíssimo espaço para músicas "levanta multidão" (muitas das quais impressas no papel do "pré-show" dividido na fila). Quem esperaria por "Ana de Amsterdam" ou "Baioque"? Ao final de cada música, responde os aplausos com um discreto sorriso, os olhos fechados e a cabeça ligeiramente abaixada.

Não foi tão simples assim, porém, tentar apagar-se no palco. Involuntariamente, Chico desviou a atenção das canções para si mesmo quando se perdeu com a letra de "Injuriado" e entrou um pouco depois do tempo em um dos versos, graças ao público, que cantava a letra correta. E também em "Sob Medida", momento em que também se confundiu e admitiu: "Errei". Continuou do ponto em que tinha parado. Talvez mais deliberadamente, Chico chamou mais atenção para si do que para sua obra, de fato, quando, em ritmo de rap, agradeceu a Criolo, compositor revelação do ano, pela versão de "Cálice" que o rapper paulista vem apresentando em alguns de seus shows. Foi o ponto unanimemente destacado em seu show pelo noticiário de hoje. A atitude, certamente, surpreende tendo em vista que Chico, há muito tempo, é de poucas palavras, e muito tradicional em sua forma artística para flertar tão livremente com uma fronteira tão além-MPB como é o hip hop.

No balanço final, foi a música de Chico que prevaleceu. Saí do Palácio saciada por ter visto ao vivo não só um dos principais responsáveis por me abrir as portas (e ouvidos) para a música brasileira, mas principalmente por ter visto um artista tão esmerado com sua obra e com os músicos de longa data que ajudam a sustentá-la ao vivo. Chico me convenceu que o que criou é muito maior que o mito criado em torno da figura dele. Mas essa mesma conclusão, aliada ao fato de que esta é apenas a sua sexta turnê em quase 40 anos, me conduziu a uma questão que só ele pode me (nos) responder: qual a representatividade do palco para ele hoje?

3 de nov de 2011

Vintage e viral

Esta semana a MTV norte-americana realizou o O Music Awards, premiação dedicada à música digital. Entre categorias como "Gênio Digital" (Bjork), "Artista Que Você Tem Que Seguir" (Adam Lambert) e "Rede Social de Música Mais Viciante" (Spotify), houve também o prêmio para o "Melhor Vídeo Viral Vintage". O vencedor foi "Smells Like Teen Spirit", do Nirvana, que concorria com Queen, Metallica, Dolly Paton, Sinead O'Connor e Notorious B.I.G.

Vejam só: agora os vídeos da era pré-YouTube têm uma segunda chance e podem sair das profundezas do passado para ter seus 15 minutos de fama na internet. É como reviver o hype, mas trocando a tela: a da MTV pela do computador. Tudo em nome da galerinha que não acompanhou o frisson da época em que o único lugar de clipe era na eme-tê-vê. Não por acaso, a categoria assim se justifica: "Porque muitos de nós éramos jovens demais para termos vivido aquilo".

A celebração dos 20 anos do Nevermind (muito mais badalado que o Black Album, disco que também completou 20 anos, de outro concorrente, o Metallica) deve ter pesado na escolha.


1 de nov de 2011

Admirável mundo novo


Este toca-discos roda vinil. E CD e fita cassete. E MP3 também, graças a uma entrada USB. Ele ainda converte o som do vinil para MP3. Aqui.

31 de out de 2011

#diadrummond

Cota Zero

Stop.
A vida parou
ou foi o automóvel?

Lançamentos lembram Drummond em 2012*

Este dia 31, data de aniversário de Carlos Drummond de Andrade, deve ser apenas o primeiro de muitos dias de comemoração em torno de sua obra. Homenagens e novidades no mercado editorial vão tornar o itabirano figura recorrente, principalmente em 2012, ano em que se completam 110 anos de seu nascimento e 25 anos de sua morte.

O pontapé vem com o "Dia D", iniciativa do Instituto Moreira Salles (IMS) que pretende tornar o dia de nascimento de Drummond uma data dedicada à celebração e difusão de sua obra, semelhante ao que ocorre com o irlandês James Joyce, cuja obra é lembrada no mundo, todos os anos, em 16 de junho, no dia batizado de "Bloomsday". "A ideia é que seja uma coisa festiva, que as pessoas façam por conta própria e se apropriem. A gente espera que, nos próximos anos, ninguém nem se lembre que tem a ver com o IMS", deseja um dos curadores, Flávio Moura.

Belo Horizonte, Itabira, Rio de Janeiro, Paraty, São Paulo, Brasília, Porto Alegre e Lisboa, em Portugal, vão ter saraus, debates, peças de teatro e filmes relacionados a Drummond, em programação de iniciativa do IMS e de parceiros que aderiram à ideia. No site diadrummond.com.br, que concentra informações sobre a iniciativa, serão postados vídeos de personalidades e anônimos declamando poemas do mineiro. Conforme a repercussão do evento, no ano que vem o número de cidades com programação pode aumentar, promete Flávio.

Apesar da coincidência, o "Dia D" não foi motivado pelas datas relativas ao poeta no próximo ano. "O IMS guarda um acervo do Drummond, então é um bom ponto de partida para que a gente tenha maior envolvimento com ele, que está entre os maiores poetas brasileiros do século", esclarece. O acervo, de posse do instituto desde fevereiro, está sendo inventariado, mas já rendeu um livro e pode dar outros frutos. Cogita-se, por exemplo, fazer uma exposição das caricaturas de autoria do mineiro.

Até o fim deste ano, pelo menos quatro livros serão lançados, somando-se aos já editados nos últimos meses. A partir de março de 2012, sua obra será relançada, aos poucos, pela Cia. das Letras, editora que passa a cuidar dos escritos do poeta, que ficaram mais de 20 anos sob os cuidados da Record. "Os 25 poemas da Triste Alegria", primeiro livro de Drummond, inédito e renegado pelo poeta, também pode ganhar uma edição pela Cosac Naify, mas ainda não há previsão de lançamento. Em julho, o itabirano será o homenageado da décima edição da Feira Literária de Paraty (Flip).




*Matéria publicada na edição de 29/10 do Jornal Pampulha

Um Bloomsday para Drummond*

Não se sabe se James Joyce era um sujeito ciumento ou chegado a exclusivismos. Se fosse, estaria à beira de um ataque de nervos. Até então o único autor no mundo a ter um dia dedicado à celebração de sua obra, 16 de junho, o Bloomsday - em referência ao personagem Leopold Bloom, de Ulisses -, está prestes a ter que dividir o posto com Carlos Drummond de Andrade. Por iniciativa do Instituo Moreira Salles, o poeta itabirano pode ter uma data exclusiva no calendário: 31 de outubro, dia de seu nascimento (leia mais aqui). Assim como já ocorre há cerca de meio século com o escritor irlandês, Drummond ganhará um dia para que sua obra seja relembrada, difundida e celebrada pelo país, o "Dia D". O objetivo dos criadores é que a comemoração vire uma tradição, a exemplo do Bloomsday.

A única regra é homenagear o poeta, cada um à sua maneira, com a mesma liberdade que marca a data de Joyce. Natural de Formiga, mineiro e interiorano como Drummond, o escritor Silviano Santiago faria uma homenagem de certo modo solitária, mimetizando os passos do poeta. "Bem cedo, tomaria o ônibus na rodoviária de Belo Horizonte e viajaria direto para Formiga. Viajaria incógnito, como Drummond gostava de caminhar pelas ruas de Copacabana, no Rio de Janeiro. Itabira conheceria Formiga, Formiga homenagearia Itabira. Tudo na santa paz de José", descreve o escritor, para quem Drummond foi espécie de bíblia na juventude.

Ouro puro
A artista plástica Yara Tupinambá imagina uma celebração coletiva. Em meio aos vários panfletos que cortam o caminho dos pedestres que passam pelas ruas da cidade, se infiltrariam versos de Drummond. "Ele tem coisas muito acessíveis ao entendimento das pessoas. Podiam editar pequenos poemas e fazer folders para distribuir nas ruas, nas escolas", sugere. A maior homenagem ela diz já ter feito: um painel em 19 módulos inspirado no poema "A Mesa", criado com o acompanhamento do próprio Drummond, que deu suas impressões sobre o andamento da obra por meio de cartas trocadas com Yara, nos anos 1980. O painel e as cartas foram transpostos para um livro que será lançado.

Menos "popular" nas redes sociais que Clarice Lispector, uma das autoras preferidas dos internautas para fazer citações, Drummond ganharia mais espaço no Twitter e no Facebook em seu "Dia D", pelo menos no que dependesse da atriz e bailarina Rafaela Cappai. Ela aposta na difusão dos versos de Drummond pelas redes, mas exploraria ainda mais o mundo virtual. "Tem muito material na internet dele recitando suas próprias poesias, com aquela voz suave e doce. Ouvir ele mesmo declamando o que escreveu é ouro puro".

Itabirana como Drummond, a cantora Ana Cristina afirma não passar um dia sequer sem ter contato com os versos de seu conterrâneo. "É uma reverência diária. Ele mora na minha corrente sanguínea", garante. Mesmo assim, dedicaria a data a alguns dos poemas musicados presentes no disco que lançou no centenário do poeta. "O melhor é cantar ‘Canção Amiga’ sempre que eu posso para mães e filhos. Vai direto no coração. E tem que deixar o povo cantar, brincar, fazer vídeo, porque tudo é homenagem", diz. Uma homenagem, porém, foi unânime entre os entrevistados: leiam Drummond!



*Matéria publicada na edição de 29/10 do Jornal Pampulha

26 de out de 2011

Pedaço de Papel na rede

O curta-metragem "Pedaço de Papel", produção independente vencedora de 12 prêmios em festivais nacionais e internacionais, foi lançado hoje na web e pode ser visto na íntegra. O filme, de 2009, tem direção, produção e roteiro do mineiro Cesar Raphael e produção executiva do conterrâneo Thiago Bento, ambos da Lumiart, em parceria com a também produtora Carla Onodera e a Hemisfério Criativo. Os 17 minutos do filme acompanham a trajetória de uma nota de dinheiro e as histórias humanas que vão se agregando pelo caminho, com pinceladas de drama e ação.

A repercussão do filme levou a dupla a Hollywood, onde está sendo produzido o longa-metragem "The Traveler", baseado no curta. O projeto tem apoio do roteirista Bobby Moresco ("Crash e Menina de Ouro") e tem previsão de estreia para o segundo semestre de 2012.



25 de out de 2011

Remake artístico

O blog gringo Booooooom está promovendo, em conjunto com a Adobe, um concurso de reprodução de obras de arte famosas por meio de fotografias. O tipo de obra a ser reproduzida foi livre: quadros, fotografias, esculturas, instalações estão na lista dos remakes enviados pelos participantes. "A Última Ceia", de Leonardo da Vinci, foi a campeã de submissões, mas houve espaço também para fotos inspiradas em imagens de Cartier-Bresson e ready mades de Duchamp. O vencedor ainda não foi anunciado. Enquanto isso, é possível ver todos os concorrentes aqui.

"Atrás da Estação São Lázaro", Cartier-Bresson



"A Metamorfose de Ovídio", Rodin



"Olympia", Manet


Veja mais no Booooooom.

24 de out de 2011

Sobre o "plágio" de Beyoncé: duas notas

Quem acompanha o bafafá do mundo pop deve ter ficado sabendo que Beyoncé foi acusada de plagiar movimentos da coreografia criada pela belga Anne Teresa de Keersmaeker para o espetáculo "Rosas danst Rosas", em 1983, e considerado um dos mais influentes da dança contemporânea. Beyoncé admitiu ter usado alguns dos movimentos como referência. Pois fique sabendo:

1)A companhia belga Rosas, fundada por Anne Teresa, apresenta o espetáculo em questão no Brasil, em duas datas: nos dias 27 e 28 de outubro em São Paulo, no Sesc Pinheiros, às 21h, e dia 1º de novembro em BH, às 20h30, no Sesc Palladium, dentro da programação do Fórum Internacional de Dança (FID). Oportunidade para tirar a prova dos nove ao vivo.

2)Meses atrás, quando a equipe de Beyoncé estava, provavelmente, apenas sonhando em preparar a coreografia para o clipe de "Countdown", algumas mocinhas de um lugar da Europa que eu não consegui identificar levaram a célebre coreografia de Anne Teresa para o universo da diva pop-mor, Madonna, usando alguns dos movimentos de "Rosas danst Rosas" em "Like a Virgin". Pelo visto, a coreografia tem um apelo pop surpreendente para os padrões de linguagem da dança contemporânea.


23 de out de 2011

Nado sincronizado goes metal

Essas competições de nado sincronizado do Pan estão me saindo melhor que encomenda. Hoje de manhã, acompanhava a reprise da final de duplas quando me deparei com a performance das canadenses. As duas moças, com aqueles maiôs glamourosos e maquiagem e cabelo elegantérrimos que não se desmancham nem debaixo d'água, executaram a coreografia ao som de "Master of Puppets", com uma breve intervenção de "Enter Sandman", ambas do Metallica. Ganharam o ouro.

21 de out de 2011

Clipe do dia

O clipe de "Doughnut", da banda norte-americana Parenthetical Girls, é daqueles feitos para bombar nesses tempos de internet. Para cada palavra da música, uma capa de disco correspondente, muitas delas paródias de capas famosas. Rola até uma paródia com a clássica capa de "Verde Que Te Quero Rosa", do Cartola. A concepção é do estúdio de desgin português Cãoceito. Todas as capas que aparecem no vídeo foram reunidas neste tumblr.

I Need Nothing - a nearly useless odyssey from Cãoceito on Vimeo.

20 de out de 2011

Nado sincronizado também é cultura

Estava assistindo hoje à tarde às finais do nado sincronizado no Pan de Guadalajara quando o locutor da Record mencionou o filme "Escola de Sereias", filme de 1944 que ajudou a popularizar o esporte em questão. Dei uma busca no YouTube e encontrei, dentre vários vídeos, este abaixo, que traz uma edição de imagens de Esther Williams, atleta norte-americana do nado sincronizado que estrelou "Escola de Sereias" e outros filmes da época, sempre em papéis que relacionados ao então desconhecido esporte, sempre muito glamourizado nas cenas que protagonizou.



As imagens acabaram puxando do fundo da minha memória o clipe de "Aeroplane", do Red Hot, que traz figurantes executando movimentos de nado sincronizado.

19 de out de 2011

Geek rima com chique

A Dior mergulhou todo seu glamour no mundo dos games clássicos para criar a nova campanha de seus produtos de beleza. Para casar com o clima modernete, a trilha é do La Roux: "Tigerlily".

18 de out de 2011

Super-herói também é gente

Depois de, no último post, Batman pedir para pagar mais impostos e lembrar a gente que super-herói também paga conta (!), o artista plástico sueco Andreas Englund nos mostra agora que estes seres são gente como a gente, mesmo. Em uma série de quadros muito inspirada, ele retrata um super-herói de meia idade (sim, na imaginação de Englund eles também envelhecem) em situações cotidianas, da descontração aos pequenos apuros que nós, mortais, passamos na nossa vidinha comum.



Veja a série completa: artofdala.com

16 de out de 2011

13 de out de 2011

Novos super-heróis em tempos de crise


Batman - ou Bruce Wayne, o milionário por trás do super-herói - sabe que faz parte do 1% mais rico da população dos EUA, contra quem esbravejam os manifestantes do movimento Occupy Wall Street, e já mostrou que sabe como salvar o mundo (desta vez). Imagem do artista alemão Anjin Anhut.

12 de out de 2011

12 de outubro: Dia de Colombo

Enquanto, por aqui no Brasil, celebramos hoje crianças e uma santa, em alguns países das três Américas celebra-se o dia de Colombo, uma vez que a data de hoje marca o dia em que o Espanhol chegou à banda de cá do Ocidente e deu início ao que tentaram chamar de conquista, mas que nós sabemos que o nome mesmo é colonização, substantivo que já vem com um combo de outros termos: exploração, escravização, pilhagem. Há quem perceba que, por causa disso, a data não pode ser lembrada na base do oba-oba e faça uma anti-comemoração, como no cartão abaixo. Há mais outros aqui.



Criativos da internet, aguardo similares para o nosso 22 de abril.

11 de out de 2011

Siga aquele gato

No próximo sábado (15), a Pinacoteca do Estado de São Paulo inaugura exposição de seu acervo permanente, que ficará abrigado no segundo andar do prédio onde funciona a instituição, atualmente em reforma. Enquanto o dia da inauguração não chega, curiosos e ansiosos podem espiar o que se passa no local, mesmo distante da capital paulista.

Por meio da página da Pinacoteca no Facebook, é possível visualizar o local por meio de uma câmera instalada em um robô em formato de gato. Comandos de direita, esquerda, para cima e para baixo, controlados diretamente do mouse do computador, guiam o gatinho pelos corredores da Pinacoteca. A engenhoca pode ser acessada entre 14h e 17h, e cada internauta tem direito a três minutos para explorar os preparativos finais da exposição.

Parece que, nesse caso, a curiosidade não matou o gato.



9 de out de 2011

A vida de George em Living in the Material World*

Em pouco mais e um mês, em 29 de novembro, completam-se dez anos da morte do ex-beatle George Harrison, vítima de um câncer de pulmão. De maneira bastante estratégica, como exige este tipo de efeméride, é lançado hoje (10) em todo o mundo, depois de cinco anos de produção, o DVD de "Living in the Material World", documentário de Martin Scorsese sobre o guitarrista da banda inglesa que dispensa apresentações.

Lançamentos resultantes de celebrações de datas como essa costumam mobilizar mais os fãs, mas a cinebiografia que Scorsese acaba de entregar pode servir como uma bela carta de apresentação de George para quem conheceu os Beatles pegando carona apenas no mito em torno da banda, que muitas vezes faz da incontestável parceria Lennon/McCartney uma injusta sombra sobre a outra metade da banda. Ainda que muito rapidamente, o caçula dos Beatles é apresentado em sua infância e adolescência. Costurando depoimentos, Scorsese mostra como o garoto que garantiu sua vaga na banda graças à habilidade com a guitarra poderia ser hoje, para o senso comum, um compositor tão emblemático como John e Paul, mas não o se tornou porque seus dois parceiros pouco davam espaço para suas composições nos álbuns dos Beatles.

Aos beatlemaníacos, que inevitavelmente acompanharão histórias mais que conhecidas - o triângulo amoroso com Pattie Boyd e Eric Clapton, por exemplo - ficam reservados depoimentos mais pessoais do filho Dhani e da esposa Olivia, dos ex-companheiros Paul e Ringo (que chega a derramar lágrimas em determinado momento) e um tesouro: trechos do diário pessoal de George lidos por Dhani. Em um deles, o guitarrista descreve o dia em que deixou os Beatles.

O ídolo pop, porém, não é o foco maior do documentário. "Living in the Material World" (Vivendo no mundo material, em tradução livre) trata acima de tudo do garoto pobre, calmo e de olhar compenetrado que encontrou na fama, riqueza e reconhecimento trazidos pelos Beatles o ponto de partida para se transformar em uma pessoa de espiritualidade madura (elevada, diriam alguns), superior às frustrações e glórias de sua famosa banda e às dores e traumas provocadas pelo câncer e por um atentado sofrido em 1999, quando um maníaco invadiu sua casa e tentou matá-lo a facadas. Na música e filosofia indianas, como explora bem o filme, George encontrou o caminho para lidar com o mundo material.

As três horas e meia do documentário exigem um pouco de fôlego dos menos dispostos e menos curiosos, mas o ritmo da edição de Scorsese, que intercala depoimentos, imagens de arquivo pessoal e fotos raras dos primórdios dos Beatles facilitam o envolvimento com o filme. A recompensa ao final da maratona é descobrir, ou reforçar, que ao lado do carisma que Paul exala até hoje e da lenda que John virou por seu ativismo e cruel assassinato, esteve George com sua grandiosidade particular.



*Este texto também foi publicado no blog #ficaadica, do Jornal Pampulha

6 de out de 2011

Occupy Sesame Street

Tenho o maior respeito pelo movimento de Occupy Wall Street, mas não dá pra ignorar uma paródia tão espirituosa.




Mais aqui.

Espelho, espelho meu, quem é mais pop do que eu?

Ele vendeu hambúrgueres. Ele contracenou com Marisa Monte. Ele foi tietado por Taylor Lautner. Ele dançou no palco com Justin Bieber. Troféu Pop do Ano para Anderson Silva, garoto propaganda, ator, dançarino e lutador nas horas vagas.

4 de out de 2011

O erudito que é pop (5)

Pode tirar o cavalinho da chuva, montar nele e sair galopando desembestadamente ao som de "Guilherme Tell", ópera do século XIX composta pelo italiano Gioachino Rossini. Vai ser preciso ouvir alguns belos minutos de calmaria antes que chegue o famoso trecho que sempre nos remete às corridas de cavalo, mas vale muito a pena. É de Rossini a também famosíssima ópera "O Barbeiro de Sevilha", imortalizada por Pica-Pau, mas isso é assunto para outro post. Mais pop, impossível.

3 de out de 2011

Kanye na passarela

Kanye West entrou para o clube de cantores e músicos que se arriscam no design de moda. A quem interessar possa, ele lançou no fim de semana sua grife na poderosíssima semana de moda de Paris. Acho que se esqueceram de avisar pra ele que a temporada era das coleções de primavera e verão dada a quantidade de peças de couro, calças e mangas compridas, mas vale uma espiadinha se você tiver algum interesse por moda ou, ao menos, pelo alarde em torno da coisa. Veja a coleção completa aqui.


Achei esse look tão Teodora (personagem da Carolina Dieckmann em "Fina Estampa"). Será que Kanye andou vendo a novela das oito pra se inspirar?

28 de set de 2011

Brasil galego*


"E meteu-se com eles (os índios) a dançar, tomando-os pelas mãos; e eles folgavam e riam, e andavam com ele muito bem ao som da gaita". O trecho da carta de Pero Vaz de Caminha indica que a gaita, instrumento central da música celta, está no Brasil desde o seu descobrimento. Mais que um item qualquer da comitiva de Cabral, a gaita e toda essa tradição musical de origens medievais chegou e aqui ficou, fixando raízes na formação musical do Brasil. É o que vai mostrar o gaitista espanhol Carlos Núñez, em show no Teatro Dom Silvério na quinta-feira (29).

Natural da região da Galícia, um dos berços da música celta assim como a Irlanda, Escócia e algumas regiões de Portugal, o gaitista apresenta em sua turnê brasileira repertório de seus 20 anos de carreira com destaque para as faixas do disco "Alborada do Brasil".

O álbum, lançado em 2009, e com participações de Milton Nascimento, Fernanda Takai, Carlinhos Brown e Lenine, é resultado de pesquisa realizada ao longo de três anos por Carlos no Brasil, na qual o músico buscou identificar os elos entre a tradição musical celta e brasileira. "O Brasil guarda o tipo de escala da música celta e mantém vivos instrumentos que desapareceram na música europeia medieval, como a rabeca e a viola caipira. No Brasil isso é modernizado porque vocês estão continuamente misturando", explica Carlos.

Em suas viagens pelas cinco regiões do país, notou como o acordeon desempenha na música brasileira papel semelhante ao da gaita na musicalidade celta. Também encontrou gaitistas em Pernambuco e Minas, onde também descobriu uma relação ainda mais estreita com o outro lado do Atlântico. "Minas é a Galícia do Brasil. Por causa da febre do ouro, a cultura galega chegou a Minas pelos portugueses. Dizem que mineiro come quieto. É a mesma filosofia que existe em relação aos galegos na Espanha", compara o músico, segundo quem o amigo Milton Nascimento teve a mesma percepção quando esteve na Espanha. "O Milton me confessou que o Caminho de Santiago lembra muito o universo mineiro", diz.

Além do disco com cantores brasileiros, Carlos produziu em parceria com José Miguel Wisnik a trilha sonora do mais recente espetáculo do Grupo Corpo, "Sem Mim". O embrião do novo balé foi um conjunto de sete composições datadas do século XIII e de autoria do trovador Martín Codax, nascido na Galícia. Na costura entre tradição musical trovadoresca e música popular brasileira feita por Wisnik e Núñez, os versos de Codax, palavras que deixam transparecer a formação da língua portuguesa e espanhola, são interpretados por nomes como Chico Buarque, Milton Nascimento, Rita Ribeiro e Mônica Salmaso.

No Brasil, além dos shows, o músico lançará o documentário "Brasil Somos Nós", registro em filme de sua pesquisa no país. O longa estreia no Festival do Rio, em outubro.

Carlos Núñez
Teatro Dom Silvério (av. Nossa Senhora do Carmo, 230). Quinta-feira (29). Ingressos: R$20 (inteira). 2191-5700.

*Versão ampliada de texto publicado na edição de 24/09 do Jornal Pampulha

27 de set de 2011

Toy A Day

Toy A Day é um blog que publica modelos de paper toys para serem impressos e montados. Os personagens e personalidades transformados em brinquedinhos de papel são bem variados: vão de Obama e Mao Tse-Tung ao Pequeno Príncipe e Hello Kitty, passando por Sonic e Space Invaders.

O título do blog não tem sido levado ao pé da letra (um brinquedo por dia), uma vez que desde junho não há postagens. Mas o arquivo é vasto e guarda paper toys postados desde 2008.

Abaixo, alguns dos meus preferidos:


Pingu


Frida Kahlo


Angry Birds


Android


26 de set de 2011

#VEJÃO

Roberto em BH - Impressões

- "O Roberto está assanhado, né?"

- "Ah, agora ele está mais light, não fica mais com aquela coisa de Maria Rita."

Ouvi este pequeno diálogo entre duas mulheres na saída do show de Roberto Carlos no último sábado, no Mineirinho. Provavelmente, elas se referiam a determinados momentos do show. O primeiro deles quando, antes de cantar "Proposta", o rei comentou sobre a necessidade que sentiu em certo ponto de sua carreira de escrever músicas sobre sexo. Disso nasceu a música em questão. Ele ainda estendeu o assunto, repetindo o que havia dito em uma coletiva de impressa que concedeu o ano passado quando: as três melhores coisas da vida são sexo, sexo com amor e sorvete. A "Proposta" seguiram-se "Côncavo e Convexo" e "Cavalgada", recheadas de metáforas sexuais.

Talvez, ainda, as duas mulheres estivessem se referindo aos momentos em que o cantor fez gestos insinuantes, estrategicamente captados em plano detalhe pelos dois telões, como em "Cama e Mesa": no verso "me esfregar na sua boca", o rei reproduziu o que cantava esfregando as mãos nos lábios; o mesmo aconteceu quando chegou ao verso "o sabonete que te alisa", deslizando as mãos pelo corpo. A mulherada, atiçada, respondeu com gritos.

A surpresa das duas fãs do início do texto põe por terra os argumentos de quem se recusa a ir a um show de Roberto argumentando, com certa indiferença e deboche, que o show nada mais é que aquele velho especial de Natal que assistimos de graça todos os anos (há muitos anos) no conforte de nossas casas. É fato que, assim como o especial de fim de ano da Globo, os shows de Roberto sempre começam com "Emoções" (com o imprescindível suspiro antes de começar a cantar a música) e terminam com "Jesus Cristo" (completada pela distribuição de rosas brancas e vermelhas). Mas o que acontece entre cada uma dessas músicas pode sofrer variações em relação ao que se vê na TV, como aconteceu no show de sábado. Não há a rigidez do tempo cronometrado ou do roteiro esquematizado normalmente exigida para um programa de TV, principalmente um programa tradicional produzido por uma emissora que precisa se submeter a fórmulas já consolidadas para não pôr em risco seu dito padrão de qualidade.

Sendo assim, além das insinuações que enlouqueceram as senhorinhas - e um rapaz sentado ao meu lado, que gritou "Lindo! Tira a roupa!!!!!!" - Roberto se permitiu gastar longos minutos com a apresentação de cada um dos membros de sua banda. A cada nome mencionado, uma história curiosa ou uma brincadeira bem-humorada.

Acima de tudo, há sempre o incomparável poder da execução ao vivo, que atesta a vivacidade de músicas definitivas do repertório popular brasileiro como "Detalhes", "O Portão" e "Como é grande o meu amor por você".

O único porém dessa apresentação mais solta ficou por conta do sistema de som (um problema não muito novo para o Mineirinho), que obrigou o show a ser interrompido na segunda música. Depois de microfonias em "Emoções" e uma bateria que se sobressaía ao restante dos instrumentos (e da voz de Roberto) em "Eu te amo, te amo, te amo", o rei disse algo inaudível à plateia e se retirou, juntamente com os músicos, do palco. Certamente, tentava explicar os problemas com o som.

Quando retornou, com "Além do Horizonte", sua voz oscilou de um tom abafado a um grave estourado enquanto o microfone era equalizado. Mais microfonias e chiados se seguiram até que, lá pela metade do show, o som finalmente foi acertado. A experiência dos músicos e, principalmente, a plateia mais que fiel impediram que os problemas fizessem a apresentação desandar, mas é espantoso ver um artista do porte de Roberto enfrentar esse tipo de contratempo.

Ah, houve um segundo porém. Roberto não cantou "As Curvas da Estrada de Santos". Poxa, Rei. Você ainda me deve essa. Fica pro próximo show.


24 de set de 2011

24 de setembro: Nevermind

Por um certo tempo, Nirvana, pra mim, era uma lenda que aparecia nas camisetas pretas dos meninos do colégio e no discurso dos VJs da MTV - Gastão, Massari e cia. Era, mais ou menos, 96 ou 97 (com Kurt já falecido), e o que se dizia da banda era exatamente o que se repete hoje, exatos vinte anos depois do lançamento do disco que deu à banda a relevância que garante que ela seja lembrada e celebrada. Diziam que Nevermind havia resgatado o bom rock, que o alternativo finalmente havia penetrado no mainstream, que o rock nunca mais havia sido o mesmo.

Até que um dia, assistindo ao Hits MTV, finalmente ouvi e vi o Nirvana. O clipe era "Lithium". Devo ter criado muita expectativa por causa do excesso de mitificação da banda porque lembro que não achei a música aqueeeela Brastemp. Mas bastou conhecer o Nevermind mais a fundo, juntar com o Bleach e arrematar com o In Utero para o Nirvana se tornar uma das minhas bandas preferidas da adolescência e assim permanecer até hoje. Impossível ficar indiferente e não ser contaminada pela música da banda. Era rock dos barulhentos com uma linha pop muito bem costurada. Kurt, Krist e Dave pareciam tão normais. Com o all star, a calça jeans surrada e o casaco de lã, eram praticamente os mesmos meninos da escola com as camisetas de bandas de rock. Não tinha pose de rock star, tipo de roqueiro malvado, espetacularização ao vivo. Era tudo muito simples, direto e fácil de gostar.

Anos depois, continua sendo assim. Ouvir hoje o Nevermind é como andar de bicicleta depois de deixá-la encostada por um tempo. A coisa simplesmente flui. Houve mudanças também. "Breed" é trilha sonora de encerramento do Domingão do Faustão. A camisa de flanela virou peça do guarda-roupa de uma nova espécie urbana chamada hipster. Dave Grohl deixou de ser o cara escondido atrás da bateria para atingir o status de roqueiro cool. O rock viu uma infinidade de (muitas boas) bandas se proliferarem, principalmente na "era pós-Strokes", está mais para indie que mainstream, afastado das paradas de sucesso e da MTV, mas ao alcance de um clique na internet.

Talvez, por isso, muita gente esteja se queixando e esperando por um novo Nevermind, como espera por um novo messias. Mas não adianta forçar. A coisa vai acontecer sem querer, assim como aconteceu com o Nirvana. Enquanto isso, relaxa e põe o disco pra tocar.


22 de set de 2011

Doug - O Filme

Um protótipo de um filme do Doug em live action. Chorei.

PS: O Skeeter não era verde?

21 de set de 2011

É o fim e eu não me sinto bem

O R.E.M acabou. E daí?

E daí que o esforço que fiz aos 15 anos para decorar a letra de "It's the End of the World as We Know it" só para poder cantá-la em um show perdeu o sentido. E daí que não tem mais possibilidade de show depois de ter perdido a apresentação de 2008 por falta de dinheiro. E daí que não existe mais a chance de ao menos vê-los pela TV, como aconteceu em 2001 com a linda apresentação do Rock in Rio, que eu gravei em VHS (graças à transmissão da Globo) e K7 (graças à transmissão da Jovem Pan) em duas fitas perdidas em algum lugar da minha casa. E daí que a gravação só existe agora na minha memória.

E daí que os meus vinis do "Out of Time" e do "Automatic for the People" vão passar a ser mais valorizados não porque são realmente bons, mas porque foram gravados por uma banda que não existe mais.

E daí que eu não vou viver mais a expectativa de ouvir um disco novo e me surpreender deliciosamente com uma maravilha como foi o "Collapse Into Now". E daí que eu vou ficar andando em círculos, em um eterno retorno, ouvindo do primeiro ao último disco, do último ao primeiro, sem que possa existir uma gravação nova que puxe dessa linha circular uma reta que siga em direção ao futuro.

E daí que é o fim e eu não me sinto bem.


20 de set de 2011

Outras MPBs

Dois livros lançados recentemente estão fazendo a minha alegria e a de quem, como eu, gosta de música não só do ponto de vista artístico, mas também histórico e social. Em comum, os dois problematizam, cada um à sua maneira, alguns mitos alimentados em relação à música brasileira, cutucando os pilares da história única que tenta fazer a nossa música caber em uma sigla super restrita, a tal MPB.

"Histórias paralelas: 50 anos de música brasileira" (Casa da Palavra), de Hugo Sukman, conta a história da música feita no país por meio de vários caminhos que se desenvolveram paralelamente, fugindo da história única que costuma reduzir a "verdadeira" música nacional aos herdeiros da bossa nova e dos medalhões que surgiram nos festivais dos anos 1960. O livro não ignora esse fundamental capítulo da história da música brasileira (que na obra engloba o samba, a MPB e a Tropicália), mas acrescenta mais outros a essa trajetória: a Jovem Guarda e o brega, a música nordestina, o instrumental e a música das cidades.

Já "Simonal - Quem Não Tem Swing Morre com a Boca Cheia de Formiga" (Editora Record), fruto da dissertação de mestrado do historiador Gustavo Alonso, procura demonstrar como as pesquisas em torno da música brasileira das últimas décadas optou por glorificar e colocar sob os holofotes apenas a fatia artística comprometida com a música dita de protesto e de resistência, o que, consequentemente, condenou ao esquecimento nomes igualmente importantes para a música nacional. Para tanto, usa como exemplo o caso de Simonal, que a despeito do estrondoso sucesso na década de 1960, caiu no ostracismo a partir do momento em que foi condenado por supostamente colaborar com o Dops - a condenação é questionada até hoje.

Quebra-cabeça
Os dois livros, que já estão na minha fila de espera, me lembraram de outra obra lançada há mais tempo e que segue na mesma direção de resgatar artistas marginalizados pela "história oficial": "Eu não sou cachorro, não" (Record), do historiador Paulo César de Araújo, que mostra como cantores populares da música brega/romântica foram tão perseguidos pela censura como Chico, Caetano e Gil. Três livros, três peças de um quebra-cabeça chamado música brasileira.

19 de set de 2011

O charme dos seus óculos

A capa da edição deste mês da revista Bravo! traz uma boa sacada ao associar duas figuras da música a um acessório que sempre as acompanhou e, por isso mesmo, acabou se misturando à sua identidade: os óculos.

Resolvi alongar essa história e separei mais alguns modelos de óculos que ficaram associados a determinados músicos. Os que foram utilizados na capa da revista estão misturados aos que eu acrescentei. A brincadeira é ligar o óculos à pessoa. Está bem mamão com açúcar, mas não dava para deixar passar a ideia.







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