29 de out de 2010

Fotografia tupinambá

Aproveitando o gancho de Lévi-Strauss, algumas imagens resultantes da oficina de fotografia com o povo tupinambá de Olivença, no sul da Bahia.



Mais aqui.

28 de out de 2010

A propos de Lévi-Strauss

No próximo domingo (31) completa-se um ano da morte de Lévi-Strauss, uma das pessoas que mais me influenciou até hoje e de quem falei um pouco aqui, no dia de sua morte. Um dia antes deste aniversário de morte do antropólogo, no sábado (30), a ESPN Brasil leva ao ar o documentário "Viajantes Radicais - Pelo Caminho de Lévi-Strauss".

Inusitado, mas bem sacado, o documentário leva o intelectual para dentro do canal de esportes explorando o elo que ele tinha com o Brasil, colocando praticantes de esportes radicais para reconstituir o caminho percorrido por Lévi-Strauss, nos anos 30, pelo interior do Brasil, em visitas aos bororo, nambikwara e kadiwéu, quando era professor da USP.



Veja mais vídeos com uma prévia do documentário no www.youtube.com/ViajantesRadicais

27 de out de 2010

A Doce Vida em cores

Ok. Eu sei que o glamour dessa Sylvia Rank genérica é bem pasteurizado e que essa cópia de Marcello Rubini faz uma cara de conquistador barato pouco convincente. Sei, também, que em obras-primas não se mexe, apenas contempla-se. Mas não dá para ficar indiferente a esse comercial de bebida veiculado na Itália que recria trechos de "A Doce Vida" e acrescenta cor ao universo fantástico e visionário que Fellini criou.



A propósito
A cópia digital restaurada de "A Doce Vida", que completa meio século este ano, terá estreia mundial neste domingo, dentro da programação do Festival de Roma. Quem gostaria de estar lá para assistir levanta a mão! o/

26 de out de 2010

Abertura?

Pelo andar da carruagem, parece que a abertura do show do Paul vai ser só um longo vídeo à la vinheta da MTV. A pouco mais de uma semana da primeira apresentação no Brasil, no próximo dia 7, em Porto Alegre, nada foi dito sobre um possível show de abertura, o que leva a crer que se repetirá aqui o que aconteceu em muitas de outras datas da atual turnê, quando ninguém tocou antes de Paul. O único aquecimento, parece, é este vídeo, exibido minutos antes de Paul entrar no palco.



PS: A pessoa que fez este vídeo tem sérios problemas com o enquadramento, mas dá para ter uma ideia de como é.

25 de out de 2010

Ferry para todos


Não disse que não é preciso mais correr atrás de música, já que ela vem, gratuita, até nós? Entrei do El País e com o que o bondoso jornal me presenteia? O novo disco de Bryan Ferry, Olympia, que é digno da elegância e glamour pela qual este senhor ficou conhecido e de toda a deliciosa breguice que isso implica.

Para ouvir, clique na capa do disco, uma versão século XXI para a Olympia de Manet encarnada por Kate Moss.

22 de out de 2010

Produção Cultural no Brasil

Produção Cultural no Brasil é um projeto multimídia da Secretaria de Políticas Culturais do Ministério da Cultura que pretende discutir o que é, quem faz e como se faz cultura brasileira. O ponto de partida foi a realização de entrevistas em vídeo com cem produtores culturais e artistas de todo o país, das quais 53 já estão disponíveis no site do projeto. Tem gente ligada à música, moda, teatro, literatura, cultura digital, artes visuais e audiovisual. No mês que vem, cinco livros com versões ampliadas dessas entrevistas serão lançados e liberados para download na mesma página. Além disso, há blog e textos suplementares sobre os entrevistados, para esticar o assunto.

Cláudio Prado from FLi Multimídia on Vimeo.



Vá lá: www.producaocultural.org.br

21 de out de 2010

Somos todos iguais

O Brasil é o país do futebol? Certamente. Mas, durante a Copa do Mundo, todo e qualquer país que participa da competição parece também se transformar na "pátria de chuteiras". É o que mostra o documentário "A Copa das Pessoas". O curta, com imagens feitas por 32 cineastas de cada um dos países que disputaram a Copa da África do Sul, foca nos torcedores, mostrando as emoções e as reações de quem acompanhou os jogos.



Bateu até uma nostalgia quando ouvi o som das vuvuzelas...

Veja o filme na íntegra no site www.acopadaspessoas.com.br.

20 de out de 2010

Disney goes pop



Postado ontem no YouTube, este "clipe alternativo" para "Eletric Feel", do MGMT, com imagens de "O Rei Leão" gerou comentários do tipo: "Sem palavras" e "Épico". De fato, imagem e música parecem ter sido feitos um para o outro. A mistura deu tão certo que já tem gente brigando pela sua paternidade. Há outro vídeo postado no mesmo dia, que apenas usa algumas imagens diferentes, reivindicando ser o original.

Brigas autorais à parte, outro comentário pergunta: "Como ninguém havia pensado nisso antes?". Alguém pensou, sim. Não exatamente em misturar o som do MGMT com imagens de "O Rei Leão", mas em combinar música pop com trechos de animações famosas dos estúdios Disney. Vejam só:





Tem mais: Kesha, Rihanna e Lady Gaga também viraram trilha para as cenas estreladas pelas princesas da Disney.

19 de out de 2010

Presentinhos musicais

Esse mundo virtual fica cada vez melhor pra quem curte música. No princípio, era o Napster. Com internet discada, você levava algumas horas para baixar uma (eu disse UMA) música (caso o download não fosse interrompido pelo maldito "transfer error"). Depois vieram o iMesh, Audiogalaxy (saudoso!) e SoulSeek, que melhoraram o sistema de busca e de transmissão de dados, o que aumentou a quantidade de músicas baixadas, mas também o total de megabytes que lotavam o HD. O streaming tornou desnecessário ocupar o HD com quilos de arquivos mp3 e eliminou aquela tensão de correr o risco de baixar arquivos corrompidos. Melhor: nem sair por aí buscando música é tão necessário assim. Oferecem a você. Vejam só as "benesses" da semana:

1)O site do El Pais colocou no ar o disco novo do Kings of Leon, "Come Around Sundown", na íntegra. Ouça (atenção para o tom ora melancólico, ora épico das novas músicas do clá Followill).

2)O portal Power Music Club, que entrou no ar esta semana. Aos moldes da Rádio UOL e do Sonora, do Terra, tem um acervo de milhares de músicas para se ouvir on-line. O único detalhe é que o acesso é exclusivo para clientes da banda larga da GVT. Visite.

18 de out de 2010

Com que roupa eu vou?

Depois de desmentidos, expectativas frustradas e espera, a novela teve um episódio decisivo: como já sabemos, Paul vem, sim, tocar no Brasil. Em novembro, assistiremos ao capítulo final desta trama, em Porto Alegre (7) e São Paulo (21 e 22).

Após sobreviver à batalha da compra de ingressos - um dos momentos mais tensos da novela - e garantir a presença no show, já estamos livres para nos preocuparmos com detalhes menores - mas não menos importantes. Então, eu pergunto: com que roupa eu vou?













Sim, praticamente todas as camisetas fazem referência aos Beatles, e não a Paul. Mas, vejam bem, o show não é do Paul; é mais que isso. É de um beatle.

Todas neste site.

15 de out de 2010

Bomba Estereo

Já falei aqui da dupla colombiana Bomba Estereo neste post, quando os ouvi pela primeira vez. Volto a falar novamente, porque, nestes últimos dias, eles têm sido, para mim, "a melhor banda de todos os tempos da última semana". Afinal, uma dupla que define a música que faz como "canção popular melodramática/electro/folclórica" é, no mínimo, instigante.



Ouçam: www.myspace.com/bombaestereo

14 de out de 2010

Livres, finalmente



Para tentar passar o tempo a mais de 600 metros abaixo do chão, o mineiro chileno Edison Peña, 34, costumava reunir seus colegas de confinamento para cantar canções de Elvis, seu grande ídolo. Será que ele chegou a entoar "I Want to be Free"?

Não importa mais saber. Agora, livre, Penã foi convidado a conhecer Graceland, mansão onde o rei do rock morou, com regalias VIP.


El Gran Hermano - Chile
Desde o início o caso dos mineiros chilenos soterrados vinha sendo comparado ao Big Brother: confinamento, câmeras acompanhando a rotina... A única diferença é que este era um confinamento ao contrário: todos queriam sair, o quanto antes possível; ninguém queria sobrar sozinho no final.


Esta arte da Folha, acima, materializou bem esse Big Brother às avessas: enquanto no programa da TV Globo, cada participante tem sua foto colorida convertida para o preto e branco quando deixa o confinamento, ontem, ao longo do resgate, cada mineiro resgatado tinha sua foto convertida do preto e branco para o colorido.

Felizmente, todos os rostos estão coloridos. Chi-chi-chi! Le-le-le!

13 de out de 2010

Metade vazio

Ontem, numa terça-feira bem britânica - frio e nublado; só faltou a chuva -, o Echo & the Bunnymen tocou em BH, saldando a dívida deixada em 2006 - naquele ano, a banda agendou shows em várias cidades, incluindo BH. Por problemas de última hora, as apresentações foram canceladas. Posteriormente, as datas foram remarcadas, mas belzonte ficou de fora. Todos os hits estiveram presentes no show: "Bringing Down the Dancing Horses", "The Cutter", "Lips Like Sugar" e "The Killing Moon" - óbvio. Só faltou encher a casa.

Quando entrei no Chevrolet Hall, me deparei com longas faixas pretas presas entre o teto e a arquibancada, "decoração" já repetida em outras ocasiões, como os shows do Placebo e do Interpol. Já era o primeiro sinal de que a casa não lotaria - como não havia gente suficiente para preencher as arquibancadas, as faixas cobriram o local. Bastou olhar para a pista para confirmar a suposição: o público ocupava metade do espaço, mas há que se considerar que boa parte dele estava bastante "espalhada".

Tenho duas hipóteses para tentar entender esse show metade vazio:

1)O público de BH, com a preguiça do final do feriado, preferiu não comparecer
2)O Chevrolet era grande demais para o Echo

A primeira hipótese reforça o clichê de que o público de BH reclama que não recebe tantos shows quanto São Paulo ou Rio, mas não comparece quando um ou outro artista vem aqui. Tendo a descartá-la, porque ela não é uma constante. Em março, o A-Ha lotou o mesmo Chevrolet Hall. Lauryn Hill não abarrotou a casa, mas conseguiu esgotar o primeiro lote. Nando Reis e Mart'nália, que só tocam daqui a dez dias, há mais de uma semana esgotaram três lotes da pista e um da arquibancada.

Sobra, então, a hipótese número 2, que pode ser colocada em outros termos: "O Echo não tem um público suficientemente grande em BH". Reconheçamos, o Echo não é uma banda que arrasta multidões. Obviamente, isso não impede a realização de um show. Basta que se faça a apresentação em um local menor, para que se evite o constrangimento de se receber a banda em uma casa onde o só falta ouvir o canto dos grilos. Temos alternativas?

Lapa? Sem querer dicotomizar, num espectro que vai do underground ao mainstream, o Lapa se consolidou por fazer produções mais próximas do primeiro termo - mais independentes, de custo mais baixo. Music Hall? O Music Hall caminhava para o segundo termo, e poderia ser uma alternativa para este caso, mas a perda de patrocínio obrigou a casa a se voltar para o primeiro termo.

Conclusão: quando o problema não é o público, é a falta de espaços adequados para determinados tipos de shows. Sai desse mato sem cachorro, BH!

PS: Considero que este blábláblá também se aplica ao natimorto show do Air, que ocorreria na próxima sexta (15), no mesmo Chevrolet, mas foi cancelado por baixas vendas. Não quer dizer que a dupla francesa não tenha público, apenas que superestimaram o tamanho deste. Enquanto aqui a banda tocaria num lugar com lotação de 5.800 pessoas, por exemplo, no Rio - onde o show continua marcado - o Air se apresenta no Circo Voador, com capacidade muito mais modesta e adequada para o seu público: 2500 pessoas.

12 de out de 2010

Passatempo

Passatempo para o feriado:

1)Acesse o YouTube
2)Digite "seu madruga cantando" na caixa de busca
3)Have fun

11 de out de 2010

Novidades do Nobel

"O Sonho do Celta", novo livro de Mario Vargas Llosa, vencedor do Prêmio Nobel de Literatura deste ano, só deve ser lançado no dia 3 de novembro (e, por enquanto, só nos países de língua espanhola), mas já dá para ler o primeiro capítulo neste link, em espanhol, graças ao El País.

A nova obra, um romance baseado em fatos reais, conta a história do diplomata irlandês Roger Casement e seus esforços, no fim do século XIX e início do XX, para denunciar os abusos cometidos contra a população do Congo, durante a colonização do país africano, e contra a população indígena do Peru no período de extração da borracha.

8 de out de 2010

Falando nisso...

Ontem falei sobre o concurso de logos alternativos para a Copa 2014, motivado pela insatisfação com a marca oficial. Além de críticas, o logo também foi alvo de piadinhas, quando divulgado. Uma delas associou a imagem à fisionomia de Chico Xavier, lembram?


Pois o jornalista Cláudio Júlio Tognolli fez mais uma associação com o médium:

7 de out de 2010

Não gostou? Então faça!



Ninguém gostou


Diante do mega #fail que foi o logotipo oficial criado para a próxima Copa do Mundo, que será sediada no Brasil, o portal Copa 2014 (que não tem ligação com a Fifa ou a CBF, apenas produz conteúdo - muito bom - sobre o mundial) criou o concurso "Não gostou? Então faça!", que incentiva os internautas a enviarem logos alternativos que estão sendo submetidos a votação popular e júri especializado. A escolha da melhor proposta não vai interferir (pelo menos em tese. Quem sabe, né?) na decisão da Fifa sobre a marca oficial, mas é uma boa saída externar a insatisfação de um jeito produtivo.

Tem de tudo, já que o concurso é aberto a todos. Eu, do alto da minha ignorância em princípios de design gráfico e da minha percepção leiga escolhi dois que me agradaram.

Esta criação, do @olhaquemaneiro, representa de uma maneira bem simpática e limpa um dos símbolos que mais se repetem nos trabalhos enviados: a arara.


Este, do @wagnercostace, resume muito bem o que é o futebol no Brasil e mostra que uma Copa do Mundo realizada por aqui tem um significado muito maior do que apenas uma competição. A tipografia poderia ser outra e esse slogan é redundante, portanto, desnecessário. A imagem já informa tudo.


Veja mais logos e saiba mais detalhes do concurso aqui.

6 de out de 2010

Brasil!






Imagens do livro "Retratos de um Brasil Profundo" (Editora Olhares), do fotógrafo José Caldas, um apanhado de 20 anos de andanças do profissional pelo país. Será lançado no próximo dia 19.

5 de out de 2010

Pega na mentira - Epílogo

No início do ano, fiz um post sobre a polêmica provocada por uma campanha da Citroën veiculada no Reino Unido. Ela usava imagens de John Lennon nas quais o beatle falava sobre a necessidade de inovação e condenava ondas que copiavam o passado. As ideias casavam justamente com a mensagem da campanha, que era apresentar um carro moderno e "anti-retro". Muita gente questionou a veracidade dessa fala, sugerindo que o vídeo havia sido alterado. Realmente, foi. Alguém encontrou as imagens originais, feitas para uma entrevista para a BBC. No trecho usado na propaganda, John fala, na verdade, sobre sua experiência ao escrever o livro "A Spaniard in the Works". Vejam e comparem.

4 de out de 2010

Há 40 anos, sempre a girar*

Lá se vão exatos 40 anos desde que o artista plástico Álvaro Apocalypse, depois da experiência como publicitário, decidiu criar marionetes para fazer cinema de animação. Por dificuldades técnicas, a forma mais imediata que encontrou para usar os bonecos foi no teatro. Multiplicados em mais de mil, quatro décadas depois, os inúmeros bonecos que a partir de então nasceram e ganharam movimento através de suas mãos e de tantos outros marionetistas formam a história de um dos mais importantes grupos de teatro de bonecos do país, o Giramundo. Parte representativa desse universo de bonecos estará reunida na exposição "Giramundo 40 Anos", que conduzirá o público a um passeio pela trajetória do grupo, a partir do próximo dia 10, no Ponteio Lar Shopping. O PAMPULHA antecipa este passeio e conta essa história a partir de seus protagonistas, os bonecos.

Libório

Primeiro Ato

Do papelão se fez arte

Feito de papelão, o Rei do Esgoto, personagem de "Aventuras no Reino Negro", de 1972, talvez sinta uma pontinha de inveja do palhaço Libório, protagonista do espetáculo "Um Baú de Fundo Fundo", de 1974, primeiro boneco do Giramundo a ter movimento de boca. A diferença na composição técnica de um para o outro expressa a principal característica da trajetória do grupo em seus primeiros anos, entre 1970 e 1976, quando tudo era produzido em uma oficina em Lagoa Santa, por Álvaro Apocalypse, sua esposa, Terezinha, e a artista plástica Maria do Carmo Vivácqua, aluna de Álvaro na UFMG, onde ele era professor. "Nessa fase, a gente encontra o estudo e o avanço no que diz respeito à técnica do boneco", resume Beatriz Apocalypse, filha do fundador Álvaro e uma das diretoras do grupo. Libório, nesse sentido, "foi um marco", segundo ela, e ainda representa outro grande momento do grupo, uma vez que "Um Baú de Fundo Fundo" foi o primeiro espetáculo a ser apresentado fora do país, na Itália.

Quem se beneficia desse aprimoramento da técnica é a Bruxa, de "A Bela Adormecida", primeira montagem do grupo, de 1971, que estreou no Teatro Marília. O espetáculo foi remontado cinco anos depois e a vilã voltou aos palcos com mais movimentos e se tornou um dos bonecos mais marcantes do grupo. "Eu acho uma união do trabalho do ator e do desenho do boneco tão bem feita que ela é realmente o maior vilão do Giramundo. Ela exala maldade. Demonstra o poder dramático que o teatro de bonecos pode ter", observa Marcos Malafaia, um dos atuais diretores do grupo, sobre um de seus bonecos preferidos.

Cobra Norato

Segundo Ato

Explorando linguagens

"Cobra Norato" vira sinônimo de inovação para o Giramundo na segunda fase de sua história, que se estende até 1999, quando o grupo estabeleceu sua sede no campus Pampulha da UFMG e participou constantemente dos festivais de inverno da universidade. O personagem do livro homônimo do escritor modernista Raul Bopp, que serviu de inspiração para a adaptação feita por Álvaro, em 1979, esteve à frente de um espetáculo totalmente diferente de tudo que o grupo havia feito antes. "Em 79, não se trabalhava o teatro de bonecos com o tamanho de ‘Cobra Norato’, com a especificidade desse poema, com uma música composta especialmente para o espetáculo. Não se trabalhava com caixa preta, sumindo completamente com o manipulador. O público ficou pasmado com isso", conta Beatriz.

Com mais de 70 bonecos, a montagem é a mais premiada do Giramundo - dois troféus Mambembe, o grande prêmio da crítica da Associação Paulista dos Críticos de Arte, a APCA, e o Prêmio Molière. Mas o legado de "Cobra Norato" não se resume apenas a prêmios. "É uma transposição da cultura carajá para uma linguagem mundial. Eu acho isso tocante", avalia Ulisses Tavares, também atual diretor do grupo.

Tão carregado de inovação quanto Cobra Norato foi Figurão, boneco do espetáculo "Giz", de 1988. Prosseguindo na trilha que explora novos temas e linguagens, uma das marcas desse período, Figurão e seus parceiros de palco são enormes bonecos brancos, cujas feições não deixam claro se são humanos ou bichos.

Paralelo ao experimentalismo, nasceu o boneco considerado um dos mais carismáticos do grupo e que, coincidentemente, protagonizou um dos espetáculos mais populares do Giramundo: Pedro, da montagem "Pedro e o Lobo", de 1992. A adaptação da peça musical do russo Sergei Prokofiev surgiu da demanda que o grupo tinha de criar espetáculos mais simples tecnicamente, que pudessem ser apresentados em qualquer lugar. Tornou-se o infantil mais apresentado do grupo. "Ele colocou o Giramundo como um grupo realmente popular, acessível, de poder ir para a zona rural, se apresentar nos lugares mais absurdos", afirma Ulisses. Queridinho das crianças, Pedro também arrebatou corações no grupo. "Quando o Álvaro foi desenhar o Carnaval dos Animais (espetáculo seguinte), ele não conseguia sair do formato da cabecinha do Pedro, porque o boneco foi marcante".

E a vida segue...
Grupo se adequa ao mercado e dá adeus ao criador

Oxalá

Terceiro Ato

Em busca da sobrevivência

Com as mesmas bochechas rosadas de Pedro, Fulano, que protege a natureza junto com seu amigo Tatu, inaugura em "O Aprendiz Natural", de 2002, a série de pequenos espetáculos do projeto Mini Teatro Ecológico, que tem semelhanças técnicas com a adaptação de Prokofiev. "Nessa fase, o Giramundo optou por espetáculos portáteis, mais adequados ao mercado, por uma questão de sobrevivência do grupo", diz Marcos. Com cerca de meia hora de duração e cenários de fácil transporte, a série rendeu, além do primeiro episódio, cinco montagens sobre diferentes biomas brasileiros, como a caatinga e o cerrado.

A forte ligação do grupo com temáticas da cultura brasileira continua presente com Oxalá e as outras divindades do candomblé retratadas em "Orixás", espetáculo que trata da cultura iorubá, criado a partir de dois anos em um centro religioso da capital. "A gente já tinha homenageado o índio e o português no "Guarani" (1986) e ficaram faltando os negros e essa contribuição excelente que trouxeram para o Brasil", explica Beatriz".

Quarto Ato
Modernização e novas tecnologias

O Pinocchio que o Giramundo criou em 2005 é de madeira, assim como o "original", imaginado pelo escritor italiano Carlo Collodi, no século XIX, mas transita facilmente entre o palco e a tela, perante os olhos do espectador, indicando que o grupo abre um novo campo de pesquisa. "Essa fase mostra uma aproximação com o vídeo e talvez esta seja a mudança histórica mais significativa do período", destaca Marcos sobre o momento atual. Pinocchio ainda carrega o peso de ser o primeiro espetáculo sem Álvaro, morto em 2003, ano que marca o início da atual fase.

A relação com o vídeo alça voos ainda maiores, com o Pássaro Incomum, personagem da série da TV Globo "Hoje é Dia de Maria", e com a dupla Sdruvs e Joduca, do infantil "Dango Balango", exibido pela Rede Minas. Este ano, o grupo estreou em um novo campo, o da música, com os bonecos Groco e Ziglo, que fazem intervenções no show da nova turnê do Pato Fu, "Música de Brinquedo". Mas a história não acaba por aqui. "O Giramundo tem um passado muito rico, um presente muito difícil (o grupo ainda vive a transição do período com Álvaro para uma fase com nova direção) e um futuro muito próspero no campo de pesquisa. Eu acho que tem mais lenha para queimar", reflete Ulisses.

*Reportagem publicada na edição de 2/10 do Jornal Pampulha

1 de out de 2010

Curti

Adoro esse pessoal que "desloca" as músicas de seu gênero original para outro totalmente diferente. Por isso, curti descobrir o Brad Mehldau.



Isso nasceu grunge. Virou jazz.

LinkWithin

Related Posts with Thumbnails