29 de jul de 2010

Julgando o livro pela capa - Dona Flor e Seu Dois Maridos

Tentando cumprir a promessa que fiz semana passada, faço hoje mais um post sobre as capas que livros nacionais ganharam em edições estrangeiras. O escolhido de hoje é "Dona Flor e Seus Dois Maridos", de Jorge Amado, cujas capas pelo mundo vão do óbvio ao absurdo.

A edição em inglês traz a foto de uma mulher que sugere certa sensualidade, o que nos remete imediatamente a Dona Flor, mas também a Gabriela, a Tieta... Poderia ser capa de qualquer um dos três livros, não?


A edição francesa, minimalista que só ela, impede qualquer julgamento do livro pela capa, já que não informa nada.


Os italianos, pelo visto, tentaram fazer uma ilustração a partir de uma interpretação literal do nome da personagem principal.


Para finalizar, a surpreendente edição alemã. Antes de ver a imagem, relembrem comigo o seguinte trecho do livro, que narra o baile no qual Dona Flor e Vadinho se conheceram:

"Lá ia Vadinho pela sala, a bailar, a dama linda em seus braços, morena rechonchuda, servida de carnes - e quem gosta de ossos é cachorro -, com uns olhos de azeite e uma pele cobreada, cor de chá, formosa de ancas e de seios."

Agora, vejam a capa da edição alemã e me respondam: que parte de "morena", "pele cobreada" e "formosa" não ficou clara?



28 de jul de 2010

Pink Turtle ou Projeto Coisa Fina?

BH recebe esta semana dois festivais de jazz: o Savassi Festival, de hoje (28) até domingo (1º), e o I Love Jazz, de sexta (30) até domingo (1º). São muitas as atrações, a maioria delas gratuitas, no caso do primeiro festival, e todas elas, no caso do segundo. Ótimo. Por outro lado, a coincidência de datas pode resolver dar as mãos com a Lei de Murphy e tornar-se problemática para o público.

Eu, por exemplo, pretendia indicar aqui duas bandas nas quais fiquei particularmente interessada, cada uma na programação de um dos festivais, e acabei descobrindo que ambas vão estar no palco no mesmo horário. Meu consolo é que, como estarei trabalhando no momento do show, vou jogar a difícil decisão de escolher em qual show ir para vocês.

A opção nº1 é a Pink Turtle (toca no domingo, às 20h30) banda francesa que é meio "prima" do Nouvelle Vague, não só por causa da nacionalidade, mas também por fazer um trabalho parecido com o desta última. Enquanto o Nouvelle Vague transforma hits da música pop em bossa nova, a Pink Turtle dá roupagem jazz para esses mesmos sucessos. Queen, Police e AC/DC são algumas das bandas que tiveram suas músicas "jazzificadas" no primeiro álbum da banda, "Pop in Swing". O Deep Purple também está na lista, com "Smoke on the Water", em uma versão que me fez acreditar que essa música was born to jazz.



Em agosto, a banda lança seu segundo disco, "Back Again", com versões para clássicos do repertório dos Beatles, Michael Jackson, dentre outros.

A opção nº2 é o Projeto Coisa Fina (toca no domingo, às 20h). Os paulistas fundem o jazz com ritmos nacionais, como o maracatu, o baião e o samba, e também se dedicam a arranjar músicas de grandes compositores brasileiros, sendo o mais recorrente deles no repertório da banda o pernambucano Moacir Santos, maestro, arranjador, saxofonista e compositor, além de professor de gente como Baden Powell, Paulo Moura e João Donato.



Decidam-se, descubram mais artistas interessantes (aqui e aqui) e divirtam-se.

27 de jul de 2010

Levi's Pioneer Sessions

A Levi's esqueceu um pouquinho da moda para fazer um agrado aos fãs de música. O presentinho é o projeto Pioneer Sessions, no qual artistas da novíssima geração são convidados para fazer novas versões de músicas que os influenciaram. São 13 artistas de vertentes diferentes da música, desde representantes do pop feliz, como Jason Mars, até o indie cult She & Him.

Um nome que eu não conhecia e me agradou muito foi o Bomba Stereo, da Colômbia, que toca electro e fez sua versão para a música "Pump Up the Jam", hit do final dos anos 80 do Technotronic, mais conhecida entre nós, brasileiros, como "Poperô".



A página do projeto tem todas as músicas para download. No YouTube, tem um canal com vídeos dos bastidores de cada gravação.

26 de jul de 2010

26 de julho: Aldous Huxley

Estava procurando alguma curiosidade sobre Aldous Huxley e/ou sua obra para postar na data de seu nascimento (hoje, 26) e descobri que seu principal livro, "Admirável Mundo Novo", já virou filme, como costuma ocorrer com clássicos da literatura. São dois longas-metragem, ambos feitos para a TV e disponíveis na íntegra no YouTube.

Como adaptações de livros para a linguagem do filme costumam sempre me decepcionar, não me empolguei muito e acabei assistindo apenas à primeira parte de cada um dos dois filmes para sentir "o clima" de cada um (quem sabe um dia animo ver algum deles até o fim?).

Pela prévia, parece que a adaptação de 1980 se deixa levar mais pelo tom futurista da narrativa, pelo menos no que diz respeito aos figurinos e cenários (me lembrou um pouco Jornada nas Estrelas, nesse sentiddo), em comparação à de 1998, mais presa à visualidade do nosso mundo hoje.



Por outro lado, a última adaptação começa mais fiel à sequência do livro, reconstituindo a passagem inicial da visita de alguns estudantes ao Centro de Incubação e Condicionamento, onde são gerados os seres humanos. Também ajuda a criar uma imagem mais sólida de como seriam as lições de condicionamento, que as crianças tinham durante o sono. Detalhe inútil: Bernard Marx, o protagonista que é o único dotado de individualidade na uniforme sociedade fordiana, é interpretado, na versão de 98, por Peter Galagher, o Sandy Cohen de "The O.C.". Veja aqui, já que o YouTube não me deixa incorporar o vídeo.

Há ainda a promessa de uma terceira versão para o cinema, produzida por Ridley Scott e Leonardo di Caprio, com previsão de lançamento para o ano que vem.

Eu e "Admirável Mundo Novo"
Normalmente, o que se destaca em "Admirável Mundo Novo", num primeiro momento, é a sociedade com ares de ficção científica que o livro cria, mas o que mais me chamou a atenção quando li a história foi a condição na qual certos valores, comportamentos e formas de organização da nossa sociedade são colocados em relação àquela que é inventada por Huxley.

Shakespeare e qualquer outro tipo de literatura são insignificantes (nada de erudição e sabedoria), a gravidez e o parto são nojentos (jamais um dos momentos mais sublimes da vida de uma mulher), o amor e a vida em família são repulsivos (jamais os pilares da vida e da formação do ser humano) e tudo isso somado é sinônimo de selvageria, arcaísmo, superstição.

Adoro a maneira como essa nova perspectiva ajuda a perceber como são altamente flexíveis os conceitos de civilização e selvageria, tantas vezes evocados na história da humanidade para justificar a inferiorização ou a dominação de um povo sobre o outro. "Admirável Mundo Novo" mostra que a civilização pode ser qualquer coisa; é uma questão de ponto de vista.

23 de jul de 2010

Um dia na sua vida



O mundo todo está sendo convocado para uma tarefa: registrar em vídeo o que acontecer na sua vida amanhã, sábado (24). O material será selecionado e transformado no documentário "A Life in a Day", com produção de Ridley Scott e direção de Kevin Macdonald. Como bem disse Macdonald, o filme fará um retrato do mundo em um dia e se converterá, num futuro distante, em uma cápsula do tempo. Qualquer coisa pode ser filmada, mas, para ter garantia de um conteúdo comum a todos os prováveis milhões de vídeos que devem ser enviados, o diretor pede que os vídeos mostrem perguntas para as seguintes perguntas:

O que me dá medo?
O que eu amo?
O que me faz rir?
O que eu tenho guardado no meu bolso?

Veja os detalhes aqui.

22 de jul de 2010

Um filme que eu quero ver

Longa de animação no cinema brasileiro é muito raro. Animação para adultos, raríssimo. Animação para adultos, com temática política e social, nem se fala.

Por essas razões, estou ansiosa para ver o longa "Lutas", uma animação nacional que promete dar uma nova abordagem para a história do Brasil, desde o descobrimento até os dias atuais, chegando até à história ainda não vivida, numa imaginária guerra por água em 2096.

Toda ação é contada por um misterioso personagem vivo há 600 anos, dublado por Selton Mello. Camila Pitanga também empresa sua voz para uma personagem do filme. A direção é de Luiz Bolgnesi.

A estreia está prevista para o ano que vem. Saiba mais.

21 de jul de 2010

Julgando o livro pela capa - Grande Sertão

Algumas semanas atrás li no Guardian um artigo que tentava explicar o porquê das capas de livros, diferentemente das capas de discos ou dos cartazes de filmes, variarem conforme o país em que a obra é lançada. Resumidamente, os designers consultados pela reportagem responderam que essa variação ocorre em função da interpretação que cada ilustrador costuma dar para a história. Também está atrelada às particularidades do mercado de livros local e, naturalmente, às diferenças culturais.

Desde então, fiquei curiosa em saber que "cara" certas obras brasileiras ganharam em outros países e esta semana, finalmente, resolvi pesquisar a respeito. Comecei com "Grande Sertão: Veredas", uma escolha óbvia, mas inescapável.

A versão espanhola, que pelo menos no título é bastante fiel à original, também tem uma imagem que se assemelha aos sertanejos.


Já os franceses, que traduziram a obra como "Diadorim", deslocando a atenção para outro personagem da trama, optaram por uma imagem que, para mim, remete mais às vestes típicas de um gaúcho que de um habitante do sertão.

A capa da edição dinamarquesa, cujo título é algo como "O diabo pelo caminho", é focada no coisa ruim, elemento tão importante da obra quanto o sertão, mas "personagem" de entendimento muito mais universal que o sertão, próprio da geografia e da subjetividade brasileiras.


A edição em inglês utiliza uma capa que já foi usada para uma edição nacional e se vale de elementos sobrenaturais da ilustração para também centralizar a ideia principal do livro no diabo, uma vez que o título pode ser traduzido como "O diabo no sertão".


As edições eslovaca e holandesa trazem uma ave na capa e expressam a confusão geográfica que o termo sertão impõe aos estrangeiros: respectivamente, receberam o título de "Grande deserto" e "Selva profunda: o caminho".



Se tudo der certo, pretendo que este post seja o primeiro de uma série na qual vou pesquisar que cara ganharam outras obras brasileiras fora do país. Aguardem.

20 de jul de 2010

A nova Billboard

Depois de sustentar por cerca de três meses a marca de vídeo mais visto da história do YouTube, o clipe de "Bad Romance", de Lady Gaga, que havia atingido 180 milhões de visualizações em abril, perdeu o recorde na última semana para "Baby", de Justin Bieber. O clipe do menininho chegou a 246 milhoes de views, ultrapassando as 245, 5 milhões de visualizações que o clipe de Lady Gaga havia conseguido atingir depois do recorde de abril.

Mais que medir a popularidade das duas mais recentes sensações do pop mundial, os números apontam para uma situação que, apesar de cada vez mais consistente, passa desapercebida em função da pressa e da velocidade com as quais esses feitos são anunciados na internet.

Daqui para a frente, os critérios de medição da fama no mundo da música saem das rádios e das lojas de discos para entrarem no mundo virtual, feito de cliques e views. Nesse sentido, a parada da Billboard, que desde a década de 50 tem sido a grande referência do mundo pop para apontar quem faz sucesso, vai perdendo o sentido de sua existência, pelo menos se continuar no formato atual, baseado no que as lojas vendem e no que as rádios tocam. Perde mais sentido ainda se considerarmos que essa parada sempre foi baseada em dados do mercado norte-americano e europeu, diferentemente da parada feita de cliques e views, que quantifica o sucesso sem limitações geográficas. É, portanto, mais descentralizada e, acredito, mais fiel ao que de fato o mundo anda consumindo em termos musicais.

Vivemos uma nova ordem mundial no mundo pop.

19 de jul de 2010

Sobre bobagens e Beatles



No último sábado assisti ao show "All You Need is Love e Orquestra", do qual falei aqui no blog na semana passada, e que faz um passeio cronológico por toda a história dos Beatles, tanto musicalmente quanto visualmente, com direito a trocas de figurino a cada mudança de fase dos fab four.

Grande fã de Beatles, nunca fui afeita a shows de bandas cover, seja dos ingleses, seja de qualquer outro grupo o qual eu admire. Ao vivo, só se for os originais ou, no mínimo, um registro em vídeo decente de alguma boa apresentação. Fui porque ganhei o ingresso, uma oportunidade que não fazia sentido rejeitar.

Apesar da expectativa contida em relação ao show, confesso que ele mexeu com meus sentimentos em relação a John e companhia. Com o show, definitivamente caiu a ficha daquilo que eu já sentia inconscientemente: os fãs de Beatles somos e sempre seremos carentes da experiência ao vivo com a banda, ainda que em vídeo. Além de o quarteto ter parado de fazer shows muito cedo, os registros de shows existentes são poucos, fragmentados, de baixa qualidade e não abrangem a fase mais brilhante da banda, excluindo de nós a possibilidade de sentir a emoção provocada pela execução ao vivo, totalmente distinta daquela sentida quando se ouve uma gravação de estúdio, por melhor que ela seja.

Durante o show, ao mesmo tempo em que constatava essa carência, decidia reconsiderar minhas restrições em relação ao cover e, com um esforço de imaginação e desprendimento, experimentava um pouquinho dessa emoção impossível para um fã de Beatles. O esforço de verossimilhança dos músicos no palco ajudava: além do figurino (que foi dos terninhos da fase iê-iê-iê às batas psicodélicas de Magical Mystery Tour, passando pelas fardas de Sgt. Peppers), os músicos conversam com o público em inglês, fazem movimentos característicos (como a clássica tremidinha da cabeça que Paul fazia nos primeiros anos da banda) e são acompanhados de um maestro que, representando George Martin, rege uma orquestra (que fez toda a diferença em "A Day in the Life").

Aqueles no palco não eram John, Paul, George e Ringo, mas não há fã que, diante de uma lacuna que jamais será preenchida, não se entregue à ilusão para se deliciar com a crença de que era mesmo Paul quem estava sentado ao piano berrando os versos de "Oh! Darling". Por duas horas, num Chevrolet Hall lotado, vivi, como uma criança ingênua, o impossível.

Bobagens que só quem é fã entende.

16 de jul de 2010

Leia a HQ e veja o filme

Com estreia no Brasil prevista para 6 de agosto, a história do filme "A Origem" começa antes da exibição nas salas de cinema, em uma HQ que esclarece o início do longa e já está disponível para leitura na internet.


Em tempos de "convergência" e "multimídia", nada mais instigante e enriquecedor para a fruição de uma obra que uma iniciativa desse tipo, acredito. Se temos tantos recursos para a produção e difusão cultural, por que não aproveitá-los, não é mesmo?

O filme
"A Origem" tem direção de Christopher Nolan e Leonardo di Caprio, Marion Cotillard e Ellen Page no elenco. Misto de ficção científica, suspense e ação, o filme tem como protagonista Dom Cobb (Di Caprio), um espião especializado em roubar segredos das pessoas enquanto sonham, que precisa cumprir uma arriscada tarefa para escapar da condição de fugitivo internacional. O desenrolar da história se dá pela confusão entre realidade e ficção, consciente e inconsciente.

15 de jul de 2010

All we need is Beatles*



"All You Need is Love e Orquestra" é o nome do espetáculo em homenagem aos Beatles que chega a BH amanhã (16), mas ele poderia se chamar "Magical Mistery Tour". O show faz mágica ao revisitar os sete anos de carreira dos Beatles em duas horas e repertório de mais de 60 músicas.

Excursionando pelo país desde janeiro, o show coincide com a celebração dos 50 anos de surgimento da banda de Liverpool, mas não foi concebido visando a efeméride. "Tocávamos em várias bandas cover dos Beatles, mas resolvemos parar e montar um super espetáculo. O cover está muito marginalizado e perde muita qualidade por isso", argumenta César Kiles, intérprete de Paul McCartney no show, que garante que "All You Need is Love" vai além do cover. "Nós reproduzimos as músicas extamente como os Beatles faziam e com os mesmos instrumentos", garante. A promessa é de proporcionar uma imersão no universo dos Beatles, com projeções e detalhes dignos de beatlemaníaco, como botas feitas pelo mesmo sapateiro da banda e diálogos entre uma música e outra, em inglês com sotaque britânico.

O musical também homenageia um nome fundamental da história do quarteto, o produtor George Martin, considerado o quinto beatle por ter ajudado a lapidar o som da banda. Com atuação limitada ao estúdio na vida real, no show Martin é levado para o palco. O músico Anselmo Ubiratan interpreta o produtor, regendo a orquestra que acompanha a banda. "O que ele fazia no estúdio, a gente faz ao vivo no show", compara César.

Graças aos direitos de gravação e comercialização da obra dos Beatles obtida pelos músicos brasileiros, "All You Need is Love" também está registrado num DVD triplo.

*Esta é uma versão maior de nota publicada na edição de 10-07 do Jornal Pampulha

14 de jul de 2010

A cara (e o temperamento) dos pais

Pelo visto, não foram só as feições que Frances Bean Cobain herdou dos pais Kurt e Courtney. A mente perturbada também veio inclusa no pacote genético, como comprovam os desenhos feitos pela moça que hoje tem 17 anos.


Frances os assina sob o pseudônimo Fiddle Tim e os exibe, neste momento, na mostra Scumfuck, em Los Angeles.


O título do desenho abaixo empresta o nome à exposição.


Mais imagens aqui.

13 de jul de 2010

Flashrock em BH

Dead Lover's Twisted Heart, PROA , Fusile, The Hell's Kitchen Project, Monno, Macaco Bong e Black Drawing Chalks tocam hoje (13) em BH, a partir das 21h, no Lapa Multishow, em comemoração ao Dia Mundial do Rock. O festival relâmpago é o Flashrock, organizado pela Converse, e que já ocorreu em Porto Alegre, no Rio e em São Paulo, nos últimos três anos.

Quem estiver em BH e quiser ir, deve ir para a Praça da Savassi, onde os ingressos vão ser distribuídos, a partir das 18h30.

Sessentão
No meio de tanta gente nova, não custa lembrar que este senhor chamado rock 'n' roll é bom e velho, com todo respeito.

11 de jul de 2010

O pop da Copa

Para tentar preencher o vazio que começa a se formar com o fim da Copa, o jeito é tentar explorar o assunto por onde der. Abaixo, a lista de seis* fatos que deixaram este Mundial mais pop - dinâmico, descolado, popular e tantos outros sentidos que o termo pode sugerir.

Polvo Paul e os 100% de aproveitamento

Numa Copa cheia de zica - França e Itália caindo na primeira fase, Eslováquia chegando às oitavas e Inglaterra capenga, só para ficar nos poucos exemplos, nada mais natural que um polvo acertar todos os palpites e elevar ao ridículo nossas crenças em coincidências que não provam nada, nossas apostas no bolão e a credibilidade de comentaristas esportisvos

Mick Jagger encarnando a zica

No extremo oposto do Polvo Paul, Mick Jagger foi a seta que apontou para a derrota nesta Copa. Presente nas torcidas de EUA, Inglaterra e Argentina no mata-mata, viu todas estas seleções irem para a casa. O Brasil, com seu poder único de pentacampeão, resistiu à presença de Jagger em sua torcida na partida contra o Chile, mas não suportou a força do pé frio uma segunda vez, quando o cantor reapareceu torcendo para nossa seleção no jogo contra a Holanda. Anybody but the Spanish could get satisfaction.

Botão vuvuzela nos players do You Tube

A gracinha feita pelo You Tube escancara o aspecto "você não vale nada, mas eu gosto de você" da nossa relação com a vuvuzela: enche o saco, mas faz falta. Atire a primeira pedra quem não apertou a bolinha do player do You Tube voluntariamente SÓ para se sentir incomodado com o barulho da cornetinha hit da Copa.


Torcer para a Argentina em troca de um showzinho do Oasis ou se conformar definitivamente com o fim da banda e sua ausência dos palcos? O melhor do mundo que não fez gol na Copa deixou os fãs brasileiros do Oasis numa encruzilhada. Depois de ser apresentado ao som dos ingleses pelo colega de seleção Carlitos Tevez e pirar com a banda que um dia foi de Liam e Noel, Messi afirmou que pagaria o que fosse necessário para juntar a banda novamente e colocá-la para tocar na festa de comemoração do título argentino. Klose e cia. resolveram o problema pra nós.

O sucesso de Wavin' Flag

Tudo bem que foi a Coca Cola que nos enfiou goela abaixo a música do K'naan, mas reconheçamos o potencial pop de Wavin' Flag. Tocou (muito) antes, durante e depois da Copa, ganhou versão aportuguesada com o Skank (hitmakers natos) e, consequentemente, grudou na cabeça de todo mundo. Daqui a 10 anos você vai ouvir essa música e não vai ter outra lembrança senão a Copa da África do Sul. Fato.

Cala a boca, Galvão = Save Galvão birds

Até o ano passado, emplacar um assunto nos Trending Topics era a glória máxima que o Brasil podia alcançar no Twitter - lembram-se dos incríveis #mussumday, Yes we créu e #zemayerfacts? Nesta Copa, fomos muito mais longe. Enganamos o mundo inteiro inventando uma suposta campanha para salvar uma espécie de pássaro nativa, que teria até o apoio de Lady Gaga, que gravaria um single. O maior trote que o mundo já levou em 140 caracteres.

*Por que seis? Porque a Copa acaba, mas a expectativa pelo hexa continua.

9 de jul de 2010

Favela on Blast

Favela On Blast - Official Trailer from Mad Decent on Vimeo.

Nos próximos sete dias, a contar de hoje, o documentário "Favela on Blast", sobre o funk carioca, dirigido pelo DJ Diplo (americano que ajudou a espalhar o funk por algumas baladas mundo afora), estará disponível em streaming, para quem quiser assistir, no pitchfork.tv.

No dia 20 de julho, o documentário será lançado em DVD e também poderá ser baixado, no mesmo site.

8 de jul de 2010

Tour no Vaticano

Teto da Capela Sistina, obra de Michelangelo

Posicionamentos mais que ultrapassados à parte, o Vaticano concentra belezas eternas da arquitetura e das artes plásticas: as basílicas de São Pedro, São João, São Paulo, Santa Maria e as capelas Sistina e Paulina. Pra quem não faz nem ideia de quando poderá dar uma passadinha por lá para ver de perto essas maravilhas, o site do Vaticano faz uma caridade, disponibilizando um tour virtual por todas elas. A dificuldade de controlar os movimentos do mouse pode te deixar com um pouco de vertigem no início do "passeio", mas a qualidade da imagem e do zoom compensam, proporcionando uma visão bastante detalhada das igrejas.

Vá lá: www.vatican.va/various/basiliche/index_po.html

7 de jul de 2010

7 de julho: Cazuza

Você me deixa orgulhoso
Gostoso te ouvir jurar
Mentir com esse olhar guloso
Pra me acalmar

Eu vou me sentir seu homem
Eu vou dormir como um anjo

Você vai me enganar sempre
Que eu bobear
Você vai me enganar sempre
Com inocência no olhar
Jeitinho de ovelha mansa
Só pra disfarçar
Mas teu riso de criança
É um truque vulgar
Dando ataques de ciúmes
Levantando a minha moral
Você vai me enganar sempre
É o teu jeito de amar

Se um amigo chegado
Maltratado, pintar
Sentar na mesa ao teu lado
E o assunto casar
Sobre as feridas do mundo
Qualquer papo vagabundo
Você vai me enganar
Sempre que bobear
Eta

"Você vai me enganar sempre II" é a novidade que surge nos 20 anos da morte de Cazuza, lembrados hoje. A composição, inédita, com surpreendente pegada reggae (ouça aqui), está no recém-lançado disco "13 parcerias", gravado por George Israel. O CD traz novas versões para 13 composições do repertório de Cazuza produzidas em conjunto com George, parceiro do poeta, algumas delas clássicas, como "Brasil", outras pouco conhecidas, como "De quem é o poder", além da inédita, acima.

"13 parcerias" já está por aí dando sopa pra download e, em breve, vai virar DVD, com participações especiais.

6 de jul de 2010

A vez do Gato


Agora que a série de filmes do Shrek já deu o que tinha que dar, chegou a vez de explorar boas histórias com os personagens secundários da história. O primeiro da lista é o Gato de Botas, que vai estrelar um filme só seu.

"Puss in Boots", que tem previsão de estreia para novembro do ano que vem, nos EUA, vai mostrar as aventuras do Gato de Botas, da gata de rua Kitty e de Humpty Dumpty, famoso personagem da cultura popular de língua inglesa (inclusive, citado por Lewis Carroll em "Alice através do espelho"), que se juntam para roubar um ganso que põe ovos de ouro.

Agora só falta um filme do Burro, né?

5 de jul de 2010

Só dá ela

Esqueça Klose, Villa e Suarez. Quer dizer, não esqueça, mas junte a estes nomes da Copa da África do Sul mais um: vuvuzela. No melhor estilo "você não vale nada, mas eu gosto de você", a cornetinha onipresente já vem ensaiando sua entrada para a posteridade ao virar "musa inspiradora" de músicas, do jeito que merece, claro: com muito deboche e espirituosidade. Só assim para aturá-la, né?



2 de jul de 2010

Franco Brambilla

ET's, máquinas, robôs e cenários futuristas, tão recorrentes no cinema, são também os personagens do ilustrador italiano Franco Brambilla, um artista que acabei de conhecer, gostei e indico.




Vá lá: francobrambilla.com

1 de jul de 2010

Eu recomendo



Estreia amanhã em algumas salas de cinema do Brasil "O pequeno Nicolau", filme baseado na série francesa de histórias infantis "Le Petit Nicolas", editada desde 1959, e cujo protagonista, o tal do Nicolas (Nicolá, na pronúncia francesa), é um dos personagens mais famosos e duradouros entre crianças e adultos franceses - algo como um Menino Maluquinho.

Talvez você não se sinta estimulado a ir ao cinema para ver um filme de um personagem que pertence ao imaginário francês e caiu de para-quedas no Brasil, mas asseguro que a identificação com Nicolas é automática para qualquer um que já foi criança nessa vida. Digo por mim, que conheci Nicolas já bem crescidinha, quando estudava francês na época da faculdade. Vez ou outra, ainda no nível básico, lia as historinhas do garoto para assimilar melhor a estrutura do "passé composé" e, ao mesmo tempo, experimentava momentos de um delicioso retorno à infância.

Por quê? Assim como nós já fomos um dia, Nicolas é curioso, ingênuo, inquieto e traduz de uma forma muito genuína e com uma dose sutil de humor tudo o que há de bom e de ruim em ser criança. Nicolas somos todos nós.

Mais
Quem quiser se iniciar no universo de Nicolas, além de ver o filme, pode ler um dos livros editados no Brasil, "A volta as aulas do pequeno Nicolau".

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