30 de jun de 2010

Compacto

Tem videocast novo e muito bacana na área: é o Compacto, produzido pelo Petrobrás, notória financiadora de projetos culturais no país. Semanalmente, o Compacto vai apresentar séries temáticas que abordam a diversidade da cultura brasileira em sua forma atual.

O foco da primeira série, com 13 programas, é a música. Neles, dois músicos de diferentes regiões e estilos musicais do país, que representam a nova música popular brasileira, se encontram, batem um papo sobre suas trajetórias e tocam um som. A dupla Siba (Siba e a Fuloresta) e Fernando Catatau (Cidadão Instigado) inaugura a série.

Após o fim dos programas musicais, o Compacto vai tratar de outros áreas que têm apoio da Petrobrás, como cinema e cultura digital.

O Compacto pode ser acompanhado no blog, no YouTube e/ou no Twitter.

29 de jun de 2010

Lego Fussball

Lego Fussball é um site que reconstrói os principais lances de partidas de futebol por meio de animações quadro a quadro com bonequinhos de Lego.

A Copa do Mundo, obviamente, não fica de fora. Muito bem editados, os vídeos referentes à Copa têm narração em off, "som ambiente" de vuvuzela (!!!) e resumem jogadas e momentos notáveis do Mundial deste ano, como a já clássica comemoração do primeiro gol da África do Sul na competição, contra o México, na qual Tshabalala liderou uma coreografia à la Macarena.



O Lego Fussball também tem um canal no You Tube.

Vá lá: www.legofussball.eu

28 de jun de 2010

O Buena Vista Social Club original



Quando, em 1997, o mundo descobriu e aclamou a música cubana, revelada por meio do Buena Vista Social Club, projeto que reuniu músicos cubanos que tocavam no clube homônimo de Havana, ninguém imaginava que aquela reunião, apesar de ótima, não havia sido programada daquela forma. A ideia original era reunir músicos cubanos e malineses mas, por um motivo que nunca foi esclarecido, os artistas do Mali jamais conseguiram se encontrar com os colegas de Cuba.

Treze anos depois, finalmente, o encontro acontece, registrado em disco, com um nome que traduz o objetivo inicial: Afrocubism. Do lado cubano, está Eliades Ochoa (voz e violão) e sua banda de apoio, Patria; do lado malinês, Bassekou Kouyate (ngoni), Djelimady Tounkara (guitarra), Toumani Diabaté (kora), Kasse Mady Diabaté (voz) e Lasana Diabaté (balafon).

O disco deve chegar ao mercado a partir de setembro, mas espanhóis e holandeses, sortudos, ouvirão tudo antes, já que o Afrocubism tem shows marcados nestes dois países nos dias 9 e 11 de julho, respectivamente. Para o resto do mundo, por enquanto, só o teaser que circula na internet.

25 de jun de 2010

25 de junho: Michael Jackson



Aumento de 300% na procura por sósias

8,3 milhões de discos vendidos

U$261 milhões arrecadados nas bilheterias de "This is It"

12 fotos inéditas leiloadas

U$1,4 milhão, em leilão, pelo retrato feito por Andy Warhol

300 cidades de todo o mundo realizando flashmobs

1 game lançado

Luva de brilhantes leiloada por U$300 mil

1 Grammy pelo conjunto da obra

365 dias sem Michael Jackson

24 de jun de 2010

Jogo global

Bem no espírito do documentário "Pelada", do qual falei aqui na segunda, um belo fotodocumentário do site Magnum expõe aquilo que faz do futebol o esporte mais popular do mundo: sua universalidade, seu poder de comoção e união.

Clique na imagem para ver o fotodocumentário

Fica a dica
Não só esta galeria, mas todo o conteúdo do site Magnum, especializado em fotografia, é ótimo. Quando quiser apreciar belas imagens, é só visitar www.magnumphotos.com

23 de jun de 2010

Depois das vacas, os elefantes


Seguindo a equação arte pública + ação consciente = sucesso descoberta pela Cow Parade, a Elephant Parade anda espalhando graça pelas ruas de Londres. No lugar das vaquinhas coloridas, elefantes fofos igualmente decorados, que vão a leilão para arrecadar fundos para a preservação da espécie asiática do mamífero (no caso da Cow Parade, só para lembrar, as estátuas eram leiloadas e a rende era revertida para instituições beneficentes).


Versões mini das estátuas também estão à venda em supermercados locais e na loja online da exposição.


Será que os elefantinhos virão ao Brasil, assim como as vaquinhas?


Saiba mais: www.elephantparadelondon.org

22 de jun de 2010

Cinema e metrô

Clique na imagem para ampliar

Listas já não são mais novidade no mundo pop - apesar de serem sempre bem-vindas. Mas pegar informações de uma lista e apresentá-las de uma maneira inesperada é, sim.

Foi o que fez o pessoal do blog Vodkaster, especializado em cinema. Eles pegaram a lista dos 250 melhores filmes da história segundo o IMDB e a organizaram no formato de um mapa de estações de metrô. Cada filme corresponde a uma estação e cada conjunto de filmes, agrupados de acordo com o gênero (musical, ação, comédia), forma uma linha do metrô.

O trabalho foi feito o ano passado, portanto, não é novo, mas, assim como eu, talvez tenha mais gente que só está descobrindo essa grande sacada agora.

Saiba mais e baixe o mapa aqui.

21 de jun de 2010

Quando o futebol é para todos

Pelada from Rebekah Fergusson on Vimeo.



A Copa do Mundo está aí, graças a U$1,1 bilhão de investimentos, com cerca de 700 jogadores que juntos valem U$10 bilhões, 15 mil jornalistas fazendo a cobertura e 800 milhões de espectadores em todo o mundo acompanhando a competição.

Por mais empolgante que seja todo esse glamour (pelo menos eu acho que é, como vocês já devem ter percebido), sorte nossa que o futebol não precisa de tanta pompa para acontecer. Com uma bola qualquer (inclusive as de supermercado, né Júlio César?), um mínimo de espaço e gente disposta a jogar, uma partida de futebol pode nascer a qualquer hora, em qualquer lugar do mundo e é exatamente isso que mostra o documentário "Pelada" (o nome original é este mesmo, em portugês).

O filme revela como peladeiros de 25 países se divertem batendo uma bolinha - isso inclui prisioneiros bolivianos, operários sul-africanos que trabalharam na construção dos estádios da Copa e meninos do Quênia que jogam num local onde antes era um lixão.

Por trás dessa ideia, e também em cena, fazendo parte da ação do documentário, está o casal de norte-americanos Gwendolyn Oxenham e Luke Boughen. Ambos jogaram futebol na liga universitária dos EUA, não tiveram êxito na carreira profissional, mas não deixaram de amar o futebol por isso. Gwendolyn, que me deu uma entrevista por e-mail*, disse que, com o filme, eles quiseram mostrar um futebol que está fora dos holofotes. "Sempre dizem que o futebol é uma linguagem universal e não há momento em que isso seja mais evidente do que durante uma pelada. É quando você pode ver pessoas de todas as idades, raças, classes, gêneros e culturas dividindo um só campo".

Entre os 25 países pelos quais o casal passou, obviamente, está o Brasil, onde eles filmaram no Rio de Janeiro, na Rocinha e em Nova Iguaçu, e em São Paulo, em Santos e São Bernardo do Campo. A escolha das locações no país remetem ao passado do casal. Em 2004, Luke morou no Rio de Janeiro como intercambista e, no ano seguinte, Gwendolyn jogou como profissional no time feminino do Santos, onde viu Robinho jogar. "Foi maravilhoso estar em um país onde o futebol faz parte da estrutura da sociedade, onde todo mundo gosta deste esporte tanto quanto você, o que não é o caso dos Estados Unidos", contou.

Apesar de ser um hábito de lugares diferentes entre si, como Japão e Trinidad e Tobago, há muita coisa em comum na pelada jogada mundo afora, na percepção de Gwendolyn. Ela resume que, basicamente, os jogos acontecem sempre no fim da tarde, quando o sol está mais fraco, as pessoas deixam o trabalho e estão mais relaxadas. O gol normalmente é improvisado, seja com garrafas, chinelos, pedras, bicicletas (!), árvores ou pedaços de pau, sempre tem alguém usando camisas de jogadores famosos, como Drogba ou Tevez e são comuns "obstáculos" atravessando o campo, como galinhas, carros, bicicletas e pessoas. Há sempre muitas emoções em jogo também. "As pessoas sonham muito: adolescentes estão sempre esperando o que ainda pode vir a lhes acontecer, pessoas mais velhas falam sobre o que poderia ter sido de suas vidas", observou Gwendolyn.

De produção independente, o filme estreou em março deste ano no circuito de festivais independentes norte-americano. No Brasil, o documentário pode ser exibido em outubro, no Festival do Rio, caso seja selecionado para a mostra.

Saiba mais em www.pelada-movie.com.

*Entrevistei Gwendolyn para uma reportagem que fiz sobre casais que são apaixonados por futebol. Infelizmente, ela só pôde me enviar as respostas depois que a matéria havia sido publicada, mas, para não perder as informações que ela me passou, decidi compartilhá-las aqui no blog.

18 de jun de 2010

Festival Permanente


Festival Permanente é uma nova seção do site da revista Bravo! que abre espaço para novos talentos da música, artes plásticas, cinema, literatura, teatro e dança. Basicamente, funciona assim: gente que atua nessas áreas e quer espaço para divulgar sua arte envia seu trabalho para o site e gente que quer conhecer coisa nova acessa, comenta e conhece o que está sendo feito de novo na cena cultural do país.

Vá lá: bravonline.abril.com.br/blogs/festival-permanente

17 de jun de 2010

A Copa é pop

Todo mundo (ok, quase todo mundo) vira torcedor em época de Copa. Até popstars e medalhões da música. A diferença destes últimos para o torcedor comum é que eles podem transformar seus sentimentos futebolísticos em música e é exatamente isso que alguns fizeram.

O Weezer foi o responsável por entoar o coro da torcida norte-americana. "Represent" tem todo aquele clima de "vamos, vamos a ganar", como diriam os argentinos, mas não me convence. Nem com a improvável edição de imagens que tenta imprimir a ideia de torcida-engajada/jogadores-guerreiros-heróis consigo assimilar a ideia de que os EUA conseguem se envolver emocionalmente com o futebol. E o Weezer já fez coisa mais legal, né?



Os ingleses foram de hip hop com o rapper Dizzee Rascal, que canta "Shout for England". Poderia ter ficado mais imponente se não fosse a inclusão do refrão de "Shout", do Tears for Fears, em partes da música. Bem caretinha.



Por último, a melhor: Jorge Ben Jor e Mano Brown fizeram uma maravilhosa regravação de "Umbabarauma", música já suficientemente boa, aproveitando o clima de "a taça do mundo é nossa". Virou trilha sonora fácil, pelo menos na "minha" Copa do Mundo. Se a seleção reproduzir em campo o talento dessa parceria (ainda dá tempo), o hexa vem fácil.

16 de jun de 2010

16 de junho: Bloomsday

Hoje, muita gente espalhada por esse mundo, inclusive aqui em BH, celebra a obra do escritor irlandês James Joyce. A data e o nome dado a ela são referência a Leopold Bloom, protagonista de Ulisses, uma das obras de Joyce. A narrativa se passa toda num dia 16 de junho e relata 16 horas do dia de Bloom.

Quem quiser me acompanhar e conhecer pra valer esta história de 900 páginas, o primeiro passo pode ser dado logo abaixo. É só clicar e baixar o livro.

15 de jun de 2010

Kind of Bloop

Miles Davis, ao ouvir "Kind of Bloop"

"Kind of Bloop" é uma regravação do clássico álbum "Kind of Blue", de Miles Davis, em versão 8-bit - tipo de música eletrônica feita só com os sons dos antiquíssimos consoles de vídeo game.

O site do projeto informa que o disco é um tributo, mas, ao mesmo tempo, num cantinho escondidinho no fim da página, reconhece que é um blasfêmia. Diria que é severamente incômodo (em alguns momentos, tudo realmente soa como uma trilha de um jogo do Atari), mas, como o cara que idealizou o projeto se diz fã do Miles, considero necessário ouvir o disco para, pelo menos, tentar entender o que leva uma pessoa a fazer esse tipo de coisa.

Decida o que você acha ouvindo as faixas, que estão disponíveis em streaming, mas também podem ser baixadas. Para comparar, ouça "Kind of Blue", o lindo e original, aqui.

14 de jun de 2010

El Diego

Não é novidade que Pelé é o maior jogador de futebol do mundo em qualquer lugar do planeta exceto na Argentina, onde os hermanos insistem em destituir o Rei do Futebol de seu posto para conceder o lugar a Maradona. Suspeito, porém, que perdemos mais um território nesse reinado: Nápoles, onde Maradona jogou entre 1984 e 1991 no time local e despertou mais uma multidão de adoradores. Pelo visto, a cidade italiana faz coro com os argentinos para dizer quem é "il più grande giocatore del mondo".

Uma prova recentíssima disso é a homenagem que Maradona recebeu durante o Festival de Teatro de Nápoles, que ocorre durante todo este mês de junho, coincidindo com a realização da Copa do Mundo. O compositor erudito Roberto De Simone, outro ídolo da cidade, compôs a peça "El Diego", que, com orquestra e coro lírico, reveste de tom épico a trajetória futebolística de Dieguito no clube italiano.



Erudito e pop
Não é a primeira vez que Maradona é inspiração na música. Manu Chao, nos seus tempos de Mano Negra, endeusou o argentino em "Santa Maradona".

11 de jun de 2010

Placas

Vira e mexe a gente vê pela internet uma seleção de fotos de placas bizarras clicadas nos quatro cantos do mundo. O curioso é que, apesar de a brincadeira ser recorrente, sempre aparecem novas placas malucas. Esta galeria do New York Times tem quase 200 exemplares dessa "espécie" que faz o maior sucesso na internet.


10 de jun de 2010

Copa do Mundo e literatura

A partir de amanhã, quando começam os jogos da Copa do Mundo, o blog Papeles Perdidos, do suplemento cultural Babelia, editado pelo jornal espanhol El País, irá publicar crônicas de autores de países que disputam o mundial.

Mais precisamente, funcionará assim: escritores do Brasil, Espanha, Portugal, Argentina, Chile, Uruguai, Paraguay, Honduras, México e Estados Unidos escreverão uma crônica antes e depois das partidas disputadas pela seleção de seu país de origem.

O representante do Brasil é o carioca João Paulo Cuenca, que num pré-aquecimento para a maratona de crônicas, com textos de autores de três das favoritas ao título (Brasil, Espanha e Uruguai -não entendi o porquê de ser o Uruguai e não a Argentina), demonstrou certo desânimo com a campanha da nossa seleção.

"Com a preguiça de uma seleção sem carisma e de um técnico antipático que passa a maior parte do tempo de suas entrevistas atacando a imprensa, os jornais gastam suas páginas falando das vuvuzelas, da bola Jabulami e dos contrastes da sociedade africana. O clima, além de frio, anda azedo por aqui. E pouco interessa que o Brasil tenha se classificado para a Copa do Mundo com muita vantagem, além de ter vencido a Copa América e a Copa das Confederações sob o comando de Dunga. Nomes como Josué, Maicon, Felipe Melo, Elano e Michel Bastos nada significam para o carioca que faz pouco caso da apelação feita pela televisão às vésperas da Copa do Mundo. Depois da não convocação dos jovens Neymar e Ganso (que fizeram um primeiro semestre cinematográfico no Santos), além de Ronaldinho Gaúcho (que vinha ensaiando uma boa volta), o carioca distraído não parece crer que nossa seleção seja uma das favoritas desta Copa."

Que ele tenha razões para mudar de ideia nas próximas semanas!

Acompanhe os textos: http://blogs.elpais.com/papeles-perdidos/el-mundial-en-castellano/

9 de jun de 2010

Legião online

A Legião Urbana, finalmente, ganhou um site oficial, o www.legiaourbana.com.br. Além do que muitos sites de bandas trazem, como biografia, fotos e vídeos (na verdade, só um), a página disponibiliza toda a discografia da banda para ouvir em streaming.

O diferencial é a participação dos fãs na construção do conteúdo, por meio de duas seções. Em "Urbana Legio" os fãs podem enviar todo material referente à banda a fim de se criar um acervo online o mais amplo possível. Em "Volume Máximo", os fãs poderão enviar versões próprias para todas as músicas da banda. A equipe do site e os internautas escolherão as melhores.

Vá lá: www.legiaourbana.com.br

8 de jun de 2010

Moderna e em cores*

Maior rede de rádio do país, a Metro coloca no ar uma vinheta frenética, típica das FMs, e toca, na sequência, o grupo Big Nuz, sucesso local. O guia cultural anuncia a curta temporada do internacionalmente aclamado "African Footprint", o mais duradoura espetáculo de dança do país. Nos jornais, impressões sobre o filme "Outrageous", comédia que reúne os humoristas do momento.

Do megahit da indústria musical à conceitual dança moderna, a cena cultural sul-africana é viva, diversa e contemporânea, digna de um país que sediará um dos maiores eventos esportivos do mundo. "A nossa cena artística pode ser comparada ao entrecruzamento de tramas de um tapete multicolorido, não apenas preto e branco, mas também indiano, chinês, africâner, entre outros", resume Jennifer de Clerk, editora do guia cultural eletrônico www.artlink.co.za.

Metafórica, a definição deixa claro outros traços que marcam a cultura e a história recente da África do Sul: a transformação do país em uma potência global, com uma das 20 maiores economias do mundo, e a abertura que o fim do apartheid trouxe para a expressão da majoritária população negra. "No apartheid, as artes eram dominadas pelos brancos", lembra Jennifer.

Nada do que faz sucesso hoje pode ser entendido sem levar em consideração estes fatores. Nas paradas de sucesso, por exemplo, popstars globais como Lady Gaga dividem espaço com os astros locais do kwaito, como o já estabelecido cantor Zola e o grupo Big Nuz que, com letras em zulu, foi um dos grandes vencedores do South Africa Music Awards deste ano, considerado o Grammy local. Para os não nativos, o kwaito pode ser definido como uma mescla de hip hop, house music e batidas sul-africanas. Surgido no mesmo período em que Nelson Mandela foi eleito presidente, o ritmo teve função semelhante à do hip hop nos Estados Unidos: denunciar as injustiças cometidas contra a população negra. Hoje, o kwaito é responsável pelas maiores vendagens de discos do país - na contramão do mundo, a indústria do disco na África do Sul ainda cresce, segundo levantamento do governo. Na mesma linha de modernidade conectada com o histórico do país, o Freshlyground, que gravou a música tema da Copa 2010 com Shakira e se apresentará no show de abertura do Mundial, faz sucesso com um pop agradável e formação multirracial.



A dança, que segundo a professora de arte contemporânea da Universidade da África do Sul Robyn Sassen "atingiu nos últimos anos um nível de relevância e expressividade sem precedentes", é outra força da cultura local hoje. Por todo o país, se estabelecem companhias de dança, cursos e projetos sociais dedicados ao afrofusion, uma combinação de técnicas da dança moderna ocidental com elementos da dança de etnias nativas.

A força da dança é tão grande que ela é "produto" de exportação. A crítica de arte Adrienne Sichel, que acompanha a cena artística sul-africana há cerca de 40 anos, não hesita em citar dentre os principais nomes da arte coreógrafos e dançarinos requisitados nos palcos europeus, como Vincent Mantsoe, precursor do afrofusion, e Robyn Orlin, que tem levado a palcos estrangeiros propostas de fusão entre a dança e a ópera.



Sobra espaço ainda para filmes nacionais que, apesar de rivalizarem com blockbusters de Hollywood, conseguem ficar entre as maiores bilheterias do país. Uma das estreias mais recentes é "I now pronounce you black and white" (Eu os declaro negra e branco), comédia que tenta desatar com risadas os nós deixados pelo apartheid nas relações amorosas inter-raciais.

A comédia stand up, estilo que tem agradado aos sul-africanos, também faz graça em cima das pendências do regime. Um dos espetáculos de maior sucesso de público é o "Blacks Only" (Só Negros) que tem em seu elenco Chris Forrest, atual grande nome do humor no país, um jovem branco que é considerado o "negro honorário" do show. Para Jennifer, mais do que fazer rir, ou entreter, há uma função no cenário artístico do país hoje. "A cultura é unificadora, nos permite reconhecer nossas diferenças e, com isso, criar, finalmente, uma verdadeira Nação Arco-Íris", diz, referindo-se ao apelido que hoje é dado ao país que um dia quis ser monocromático.

*Esta reportagem foi produzida por mim e publicada no Jornal Pampulha do dia 29/05. Leia mais aqui.

7 de jun de 2010

Balanço da segunda-feira musical

Hoje tive uma segunda-feira maluca do ponto de vista musical. Começou com um sonho no qual Damon Albarn havia morrido, continuou com a notícia de que quem realmente havia deixado esse mundo tinha sido o ex-baterista do Stereophonics e terminou, para o meu alento, com boas novidades sonoras.

A primeira delas, que eu já aguardava há anos (quatro, precisamente), é o terceiro disco do Mombojó, "Amigo do tempo", que está disponível na íntegra para download ou para ouvir em streaming. Numa primeira - e rápida - escuta do sucessor de "Homem Espuma" senti que a banda ainda conserva aquela sonoridade pós-moderna que mistura tudo e qualquer coisa e que, por isso mesmo, é inclassificável e ao mesmo tempo classificável conforme aquilo que você quiser. Para mim, por exemplo, é uma viagem psicodélica numa tarde ensolarada numa praia qualquer.



A outra novidade é o "preview" de "Música de Brinquedo", próximo disco do Pato Fu. Os mineiros colocaram em seu site dois vídeos que resumem o que vai ser o novo trabalho da banda: músicas velhas conhecidas nossas, como "Primavera" (de Cassiano, popularizada na voz de Tim Maia) e "Live and Let Die" (de Paul McCartney) tocadas com instrumentos musicais de brinquedo. Resumidamente, eles aplicaram, no bom sentido, um golpe baixo no público. É impossível não gostar de músicas cristalizadas no nosso repertório revestidas daqueles sons que fizeram parte da nossa infância. Ataque duplo e irresistível à nossa memória afetiva.

4 de jun de 2010

Game Reclaim

Ei, você, que está aí sofrendo de tédio nesse feriado prolongado. Faça uma visita ao Game Reclaim e divirta-se com inúmeros jogos em flash viciantes, como o 3 minutes on the beach (abaixo), inspirado no clássico Tetris.


Vá lá: www.gamereclaim.com

3 de jun de 2010

Copa do Mundo também é cultura - Grupo H

Termina hoje série que relaciona a cultura, tema deste blog, e a Copa do Mundo. Resumidamente, é assim: toda terça e toda quinta vou postar dicas de artistas de diferentes áreas culturais (música, artes plásticas, etc.) nascidos em cada um dos 32 países que disputam o mundial. A sequência dos artistas vai seguir a sequência dos grupos da Copa, ou seja, a cada post, vou apresentar quatro nomes correspondentes aos países que estão nos grupos A, B, C e assim por diante.

Muito arbitrariamente, escolhi aquilo que já conhecia e gostava, ou aquilo que descobri em função da pesquisa para a série e acabei gostando. Em função dessa mesma arbitrariedade, não há homogeneidade no estilo dos selecionados: há desde artistas cuja obra deixa clara sua nacionalidade até aqueles que apresentam um trabalho, digamos, mais globalizado, independentemente de sua origem. Tradicionais e modernos estão juntos e misturados.

Por último, mas não menos importante, um grupo quase todo hispanohablante.

Grupo H


ESPANHA

Equipo Límite
"Neo-pop" e "hiper pop" são adjetivos normalmente dados para os trabalhos da Equipo Límite, nome da dupla formada pelas artistas plásticas espanholas Esperanza Casa Guillén e Carmen Roig Castillo. Com influência mais que óbvia da pop art, Guillén e Castillo levam ao extremo a cartilha desse movimento artístico, fazendo colagens e justaposição de imagens da publicidade, populares, sagradas e dos quadrinhos. O resultado, segundo apontam os críticos, é o culto ao kitsch e o destaque para a falta de sentido.

Saiba mais.


SUÍÇA

Georges Schwizgebel
Com um sobrenome lotado de consoantes, Georges Schwizgebel é considerado o grande nome do cinema de animação suíço. Desde a década de 70, vem produzindo animações cuja marca é o uso da técnica de pintura a óleo sobre a película de acetato. Uma de suas produções de maior repercussão, premiada em Cannes, é o curta "L'homme sans ombre" (O homem sem sombra), baseado no conto "A História Maravilhosa de Peter Schlemihl", do alemão Adelbert von Chamisso, que, por sua vez, tem enredo muito semelhante ao "Fausto", de Goethe.



Saiba mais.


HONDURAS

Guillermo Anderson
Guillermo Anderson é "só" o embaixador cultural de Honduras no mundo e um dos principais músicos do país. Alcançou este posto com a mescla de ritmos da etnia garifuna, como a parranda e a punta, com ritmos caribenhos, mas também com seu discurso de defesa da saúde, do meio ambiente e da educação. Guillermo também compõe músicas infantis e é escritor.



Saiba mais.


CHILE

Marcela Donoso
Mitos e lendas do Chile e da América Latina e santos católicos são os temas recorrentes dos quadros da pintora chilena Marcela Donoso. Por se dedicar a esse universo sobrenatural, muitas vezes é apontada como uma representante do realismo mágico nas artes plásticas, colocada ao lado de sua compatriota Isabel Allende, representante do movimento na literatura.


Saiba mais.

Grupo A
Grupo B
Grupo C
Grupo D
Grupo E
Grupo F

Grupo G

2 de jun de 2010

Por que Homer?


Homer, o chefe da família Simpson, foi eleito pela revista Entertainment Weekly o melhor personagem da TV e do cinema dos últimos vinte anos. Não consegui encontrar o texto da revista para saber das razões que a levaram a dar a Hommer o primeiro lugar da lista, mas não é difícil encontrar justificativas para tanto.

No documentário "The Simpsons 20th Anniversary Special - In 3D! On Ice!", que celebra os 20 anos dos Simpsons, em determinado momento Homer é apontado pela produção da série e por fãs como o personagem predileto de todos.

Destrinchando a personalidade de Homer, o produtor David Mirkin aponta que o que há de interessante no personagem é o fato de ele se entregar às emoções do momento. Já o também produtor Mike Scully defende que para dar forma a Homer é preciso imaginar que está-se criando um cachorro que fala.

Acho que, juntas, essas duas análises ajudam a explicar porque Homer é tão cativante. Ele é como uma criança que se entrega àquele prazer irresponsável típico da infância, em que não não se mede riscos ou sanções. O que importa é obedecer ao impulso. Homer é aquela criança que há muito tempo deixamos de ser, devido às podas que sofremos à medida que crescemos para nos adequarmos aos padrões de comportamento. Homer conforta ao mostrar que dá para ser impulsivo, idiota e inconsequente quando der na telha e ainda conseguir levar uma vida de gente grande - ainda que isso seja em uma Springfield imaginária. Doh!*


*A interjeição sempre repetida por Homer foi adicionada ao Oxford English Dictionary em 2001. Foi definida pelo pai dos burros inglês como "expressão de frustração ao se perceber que algo não foi bem". Isso também faz de Homer um personagem especial.

1 de jun de 2010

Copa do Mundo também é cultura - Grupo G

Chega hoje à última semana a série que relaciona a cultura, tema deste blog, e a Copa do Mundo. Resumidamente, é assim: toda terça e toda quinta vou postar dicas de artistas de diferentes áreas culturais (música, artes plásticas, etc.) nascidos em cada um dos 32 países que disputam o mundial. A sequência dos artistas vai seguir a sequência dos grupos da Copa, ou seja, a cada post, vou apresentar quatro nomes correspondentes aos países que estão nos grupos A, B, C e assim por diante.

Muito arbitrariamente, escolhi aquilo que já conhecia e gostava, ou aquilo que descobri em função da pesquisa para a série e acabei gostando. Em função dessa mesma arbitrariedade, não há homogeneidade no estilo dos selecionados: há desde artistas cuja obra deixa clara sua nacionalidade até aqueles que apresentam um trabalho, digamos, mais globalizado, independentemente de sua origem. Tradicionais e modernos estão juntos e misturados.

Hoje é o dia do grupo do Brasil-il-il-il.

Grupo G

BRASIL
África lá em casa
Para um país que exalta a miscigenação, que sempre será uma promessa para o futuro e cujo povo é hospitaleiro e recebe de braços abertos o que vem de fora, o projeto África lá em casa se mostra um bom representante para o Brasil. Encabeçado pelo produtor Guilherme Chiappetta, o grupo se auto-define como uma banda de jazz contemporâneo e psicodélico, que mistura influências de música erudita, brasileira, eletrônica, rock e o que mais for possível em performances improvisadas. Mais complexo e diversificado que isso só mesmo o Brasil.



Saiba mais.


CORÉIA DO NORTE

Mass Games
Tudo o que o ditador Kim Jong-Il me deixou saber sobre a isoladíssima Coréia do Norte diz respeito aos mass games. Performance na qual um imenso grupo de pessoas realiza movimentos que formam determinadas imagens, os mass games enfatizam o coletivo, a disciplina e foram praticados em países da Europa ocidental durante os regimes comunistas. Hoje, a coisa só pega mesmo (na base da pressão e da falta de opção) na Coréia do Norte.



Saiba mais.


COSTA DO MARFIM

Boobah Siddik
Do país de Drogba vem o rapper Boobah Siddik. Com formação musical eclética - do soukous, gênero orignal do Congo, a hits dos anos 80 e pop italiano, Boobah só conheceu o hip hop no colégio, através de uma fita K7 com gravações do Wu Tang Clan. Misturou o fascínio pelo gênero com o que já havia assimilado musicalmente e iniciou sua carreira no rap. Radicado nos EUA, onde se mantém estável na cena independente local, é considerado um dos principais nomes que levaram o hip hop da África para fora do continente.



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PORTUGAL
Hoje
Amália Rodrigues foi é considerada não somente uma das maiores representantes do fado, mas também uma das maiores cantoras de Portugal. Para homenagear sua obra, quatro músicos de diferentes bandas do país se juntaram em 2009, formaram o projeto Hoje e gravaram o disco "Amália Hoje". Com regravações modernizadas do trabalho de Amália, eles chamaram atenção para o fato de que o legado da cantora transcende o fado para integrar o repertório mundial.



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