31 de mai de 2010

Liberdade ainda que tardia

Depois de 43 anos, chega às bancas de todo o país a edição nº10 da histórica revista Realidade. Produzido em 1967, o especial traçava um perfil da mulher brasileira daquela época, tocava em temas como aborto, separação e virgindade, o que era ousado demais para hipócritas "bons costumes" da época. Resultado: os quase 500 mil exemplares, metade nas bancas, metade ainda na gráfica, foram apreendidos e destruídos por uma ordem do Juizado de Menores e com o respaldo silencioso da ditadura militar, que começava a mostrar suas garras.

A edição que retorna às bancas está à venda por R$20 e tem as mesmas 120 páginas da original, acompanhadas de um suplemento que aborda o papel da Realidade para o jornalismo brasileiro e faz um contraponto entre a mulher brasileira do fim dos anos 60 e a de hoje.

Em tempo

Realidade é considerada uma das principais publicações da história do jornalismo brasileiro. Abraçou o new journalism - gênero jornalístico criado nos EUA que mescla a apuração exaustiva com escrita literária - e tratou de temas pouco debatidos na época, como racismo no Brasil, pílula anticoncepcional e educação sexual para crianças. Em 1968, ano que marca o recrudescimento da ditadura militar, estampou capas com Che Guevara e Fidel Castro. Circulou entre 1966 e 1976.

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28 de mai de 2010

O circo mudou*


Trecho do TrixMix Cabaré; espetáculo, inspirado nos shows de variedades dos antigos cabarés europeus, é atração do Festival Mundial de Circo

Nas ruas, sem lona e sem picadeiro, grupos do Brasil, Argentina, Espanha e Bélgica mostram a nova configuração das artes circenses na décima edição do Festival Mundial de Circo (FMC), entre os dias 27 e 30 de maio em BH e entre 28 e 30, também deste mês, em Pará de Minas.

Nesse sentido, o slogan do Festival, “O circo chegou”, bem que poderia ser substituído por “o circo mudou”. “Hoje ter uma lona é um ato de heroísmo porque é muito caro. Ser artista circense e não ter lona é uma alternativa de linguagem e a gente tem visto hoje muitas produções circenses no Brasil e no exterior feitas para as ruas”, afirma Fernanda Vidigal, coordenadora do FMC, completando que, como qualquer forma de arte, o circo também está sujeito a mudanças na estética e no formato, ainda que sejam mantidas algumas características essenciais.

É dessa forma que a programação traz espetáculos como “Pérolas e Plumas”, que substitui o picadeiro pelo cabaré como cenário, mas não abre mão de números de malabarismo, acrobacia e equilíbrio. Ou “Reprise”, que mantém no centro das atenções dois palhaços, mas troca a sequência de trapalhadas por um enredo estruturado. O que todos eles preservam também é a popularidade típica do circo. “Os espetáculos atingem diferentes tipos de público e têm facilidade de comunicação”, diz Fernanda.

Comemoração
Na edição em que chega a uma década de existência o FMC terá programação extra. Depois da bateria de espetáculos de rua, a organização planeja lançar, em setembro, o documentário “Sob(re) a lona”, que registra a turnê de uma trupe circense pelo interior de Minas, em 2008. Em novembro, está prevista a estreia de um espetáculo de circo com diversos artistas de todo o Brasil.

A longo prazo, há um plano mais ambicioso, que deverá ser conduzido pelo Centro Internacional de Referência do Circo, cujas atividades terão início no ano que vem, em BH. "Queremos criar um espaço para pensar a produção do circo e a formação do artista circense pra quem sabe daqui a alguns anos nos tornarmos uma escola superior de circo", planeja Fernanda.

Serviço
Programação completa e informações no site www.festivalmundialdecirco.com.br

*Este texto é uma versão extendida da nota produzida por mim na última edição do Jornal Papmpulha.

27 de mai de 2010

Copa do Mundo também é cultura - Grupo F

Sigo com a série que relaciona a cultura, tema deste blog, e a Copa do Mundo. Resumidamente, é assim: toda terça e toda quinta vou postar dicas de artistas de diferentes áreas culturais (música, artes plásticas, etc.) nascidos em cada um dos 32 países que disputam o mundial. A sequência dos artistas vai seguir a sequência dos grupos da Copa, ou seja, a cada post, vou apresentar quatro nomes correspondentes aos países que estão nos grupos A, B, C e assim por diante.

Muito arbitrariamente, escolhi aquilo que já conhecia e gostava, ou aquilo que descobri em função da pesquisa para a série e acabei gostando. Em função dessa mesma arbitrariedade, não há homogeneidade no estilo dos selecionados: há desde artistas cuja obra deixa clara sua nacionalidade até aqueles que apresentam um trabalho, digamos, mais globalizado, independentemente de sua origem. Tradicionais e modernos estão juntos e misturados.

Hoje é dia do grupo da azzurra!

Grupo F

ITÁLIA
Elisabetta Farina
Moda, glamour, jóias, brilho e mais jóias. Tudo isso está nos clipes de alguns dos principais artistas de R&B do momento, mas também nos quadros da pintora italiana Elisabetta Farina, que emoldura todo esse universo em uma atmosfera HQ herdada da pop art. Coisa de mulherzinha, futilidade, whatever - é legal!


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PARAGUAI
Luis Alberto del Paraná
Tudo o que envolve este violonista paraguaio que atuou nas décadas de 60 e 70 é grande. Ele é um dos maiores nomes da música e o maior vendedor de discos de seu país, gravou mais de 500 músicas e quase 50 discos. Sua despedida desse mundo, em 74, não foi diferente: uma multidão acompanhou nas ruas o cortejo fúnebre e quase todas as rádios paraguaias transmitiram ao vivo, minuto a minuto, a cerimônia.



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NOVA ZELÂNDIA
Rita Angus
Rita Angus é apontada como uma das precursoras do modernismo na arte neo-zelandesa e por assumir um estilo próprio numa época em que os artistas locais sofriam forte influência norte-americana. Algumas de suas paisagens e retratos - temas mais recorrentes em sua obra, são consideradas imagens memoráveis de seu país.

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ESLOVÁQUIA
Matej Krén
O eslovaco Matej Krén é um multiartista: faz esculturas, pinturas, desenhos. Porém, é na instalação que ele tem deixado sua marca. Desde 1994 ele cria mega estruturas com centenas de livros, que funcionam como tijolos. As interpretações mais comuns dessas instalações sugerem a função construtiva da cultura e do conhecimento.


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Grupo A
Grupo B
Grupo C
Grupo D
Grupo E

Na próxima terça, o Grupo G, do Brasil-il-il.

26 de mai de 2010

Towelie

Ontem, 25 de maio, fãs da série de livros "O Guia do Mochileiro das Galáxias" comemoraram o Dia da Toalha, em homenagem ao autor das histórias, Douglas Adams. Não li o livro, mas dizem que a toalha é um item importante na série, daí a escolha do objeto para batizar o dia de homenagem a Adams.

Mas, se eu não li, porque estou falando disso aqui? É que a data acabou me fazendo lembrar de uma outra toalha da ficção que, se não é tão importante quanto a dos livros, é memorável, pelo menos para mim.

Falo da Towelie, que apareceu em alguns episódios do South Park. Ela é uma toalha produzida pela Tynacorp, uma organização de alienígenas que se passam por humanos. Sua função é espionar a vida na Terra mas, como adora um baseado (um de seus bordões é "You wanna get high?", ou seja, "Quer ficar doidão?), acaba arruinando essa missão.

Perceba que tudo é de um absurdo non-sense, bem à moda South Park, e acho que é exatamente isso que me faz considerar Towelie um dos personagens mais legais de todos os desenhos animados que já vi na vida - e isso não é um exagero. Towelie é doidona e ao mesmo tempo fofa, impossível e ao mesmo tempo real.

Quer tirar suas próprias conclusões? Abaixo, um apanhado dos "melhores momentos" de Towelie. Neste link, o episódio completo da primeira aparição da "Toalinha" em South Park.

25 de mai de 2010

Copa do Mundo também é cultura - Grupo E

Sigo com a série que relaciona a cultura, tema deste blog, e a Copa do Mundo. Resumidamente, é assim: toda terça e toda quinta vou postar dicas de artistas de diferentes áreas culturais (música, artes plásticas, etc.) nascidos em cada um dos 32 países que disputam o mundial. A sequência dos artistas vai seguir a sequência dos grupos da Copa, ou seja, a cada post, vou apresentar quatro nomes correspondentes aos países que estão nos grupos A, B, C e assim por diante.

Muito arbitrariamente, escolhi aquilo que já conhecia e gostava, ou aquilo que descobri em função da pesquisa para a série e acabei gostando. Em função dessa mesma arbitrariedade, não há homogeneidade no estilo dos selecionados: há desde artistas cuja obra deixa clara sua nacionalidade até aqueles que apresentam um trabalho, digamos, mais globalizado, independentemente de sua origem. Tradicionais e modernos estão juntos e misturados.

Grupo E

HOLANDA
Anton Corbjin
A maioria das capas de discos e dos clipes do U2 e do Depeche Mode, além de clipes e capas de discos de R.E.M., Killers, Echo & The Bunnymen e Nirvana, dentre outros, mais o filme "Control", cinebiografia de Ian Curtis e inúmeras capas de revistas. Muito resumidamente, esse é o currículo do cineasta e fotógrafo holandês Anton Corbjin que, se não tem um nome tão pop, o mesmo não se pode dizer de seu trabalho.



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DINAMARCA
Teddy Kristiansen
Teddy Kristiansen é um desenhista dinarmaquês que exportou seus traços sombrios para companhias norte-american. Além de ter sido responsável pelos desenhos da primeira história do Super-Homem produzida fora dos EUA, responde por HQs como The Sandman Midnight Theatre e Grendel Tales. Também ilustra livros infantis com desenhos nada fofinhos, como da imagem abaixo.


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JAPÃO
Koshun Masunaga
Considerada uma das artistas plásticas japonesas mais bem estabelecidas internacionalmente, Koshun Masunaga atualiza o shodo, técnica milenar de caligrafia japonesa que naquele país tem status de arte. Enquanto o método milenar consiste em compor ideogramas japoneses em uma única pincelada de tinta, a técnica de Koshun, batizada de souboku, mantém o fluxo único de tinta, mas brinca com a simbiose entre escrita (os ideogramas) e imagem.


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CAMARÕES
Manu Dibango
Como bem define um texto do site de Manu Dibango, o saxofonista camaronês faz um patchwork entre o jazz (principalmente Duke Ellington e Charlie Parker, algumas de suas principais influências) e a sonoridade de seu continente de origem, como o makossa, ritmo camaronês cuja modernização é creditada ao próprio. Batidas eletrônicas complementam o trabalho de Dibango, que tem entre as suas composições mais célebres a música "Soul Makossa".



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Veja também:

Grupo A
Grupo B
Grupo C
Grupo D

Na quinta-feira, o Grupo F

24 de mai de 2010

Arte em Roland-Garros

Enquanto a bolinha quica de um lado para o outro em Roland-Garros, que tal descobrir uma outra faceta do torneio de tênis mais famoso do mundo? Há 30 anos, cada edição tem um cartaz desenhado por algum artista contemporâneo.


Até Miró já contribuiu com seus traços.



Os cartazes/obras de arte estão expostos agora em uma exposição na França. Quem está longe de lá pode dar uma espiada nas imagens nessa galeria que o Le Monde fez.

21 de mai de 2010

Murphy ataca em Paris

Cinco quadros avaliados juntos em cerca de 100 milhões de euros foram levados do Museu de Arte de Paris na última quarta.

As motivações do roubo ainda só são hipóteses para a polícia: teriam os ladrões roubado as pinturas para revender em mercados que são pouco rígidos quanto à procedência das obras? Ou o crime teria ocorrido a mando de um colecionador?

A causa do roubo, porém, arrisco dizer, é praticamente certa: a Lei de Murphy, que provou mais uma vez sua eficácia inabalável. Explico: o alarme do Museu não funcionou, por problemas técnicos. Em março, a direção do Museu já havia sido alertada sobre essa falha, mas nada foi feito.

A quem interessar possa, a "carinha" das cinco "sequestradas":



O Pombo e as Ervilhas, Picasso


Natureza Morta com Candelabros, Léger


Mulher com Leque, Mondigliani


Oliveira próxima a Estaque, Braque


A Pastoral, Matisse

20 de mai de 2010

Copa do Mundo também é cultura - Grupo D

Sigo com a série que relaciona a cultura, tema deste blog, e a Copa do Mundo. Resumidamente, é assim: toda terça e toda quinta vou postar dicas de artistas de diferentes áreas culturais (música, artes plásticas, etc.) nascidos em cada um dos 32 países que disputam o mundial. A sequência dos artistas vai seguir a sequência dos grupos da Copa, ou seja, a cada post, vou apresentar quatro nomes correspondentes aos países que estão nos grupos A, B, C e assim por diante.

Muito arbitrariamente, escolhi aquilo que já conhecia e gostava, ou aquilo que descobri em função da pesquisa para a série e acabei gostando. Em função dessa mesma arbitrariedade, não há homogeneidade no estilo dos selecionados: há desde artistas cuja obra deixa clara sua nacionalidade até aqueles que apresentam um trabalho, digamos, mais globalizado, independentemente de sua origem. Tradicionais e modernos estão juntos e misturados.

Vamos ao grupo do dia:

Grupo D

ALEMANHA
Anne-Marie von Sarosdy
A alemã Anne-Marie von Sarosdy faz fotografia de moda e para publicidade, mas a parte mais interessante de seu trabalho está em outra vertente. Há vinte anos, ela é a responsável pelas imagens que ilustram as capas dos romances da editora Bastei, uma espécie de literatura de massa, como as "Sabrinas" e "Júlias" das bancas de revista daqui, que abusa de clichês do "imaginário campestre" (isso existe?) alemão: a mocinha camponesa, o caçador viril, as pastagens alpinas. A fotógrafa responde à altura com as imagens, que brincam com as fronteiras entre a arte e o kitsch.

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AUSTRÁLIA
Wolfmother
Se a única contribuição da Austrália para o rock tivesse sido o AC/DC, o país dos cangurus já teria feito mais do que o suficiente. Mesmo assim, é bom lembrar que há outras bandas do gênero muito legais que nasceram lá. Uma delas é o Wolfmother, banda dos anos 2000 que se inspira na sonoridade dos grandes grupos das décadas de 60 e 70. Aumenta o volume.



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SÉRVIA
Emir Kusturica
O cineasta Emir Kusturica começou sua carreira fazendo curtas e filmes para a TV. Na sua estreia no cinema, com o longa "Você se lembra de Dolly Bell?", ganhou de cara um Leão de Ouro no Festival de Veneza. Daí em diante, Cannes, Berlim e outros festivais deram aval ao seu trabalho que, de acordo com os críticos, é marcado pela mistura de questões básicas da humanidade com engajamento político e social. Seu último filme foi o documentário "Maradona by Kusturica", documentário sobre aquele jogador argentino que você está pensando. Paralelamente, o diretor desenvolve seu lado músico com a banda Emir Kusturica & The No Smoking Orchestra.



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GANA

Akwele Suma Glory
Akwele Suma Glory é uma multiartista cujos trabalhos mesclam técnicas de desgin, escultura, colagem e pintura, tudo isso para dar novas formas, sentidos e funções e valores aos objetos, segundo definição que a própria artista dá para seu trabalho. Akwele também atua em instituições que trabalham no fortalecimento das mulheres na arte no continente africano.


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Na próxima terça, o Grupo E.

Veja também:

Grupo A
Grupo B
Grupo C

19 de mai de 2010

Adoniran.com.br



Adoniran Barbosa, que em agosto deste ano completaria 100 anos, ganhou um site que reúne todas as informações relativas às comemorações de seu centenário. Completam a página uma biografia e uma linha do tempo animada - muito linda, que conta a história do compositor de "Trem das Onze", "Samba do Arnesto" e "Tiro ao Álvaro". Uma rádio online está em fase de construção.

Vá lá: www.adoniran.com.br

18 de mai de 2010

Copa do Mundo também é cultura - Grupo C

Sigo com a série que relaciona a cultura, tema deste blog, e a Copa do Mundo. Resumidamente, é assim: toda terça e toda quinta vou postar dicas de artistas de diferentes áreas culturais (música, artes plásticas, etc.) nascidos em cada um dos 32 países que disputam o mundial. A sequência dos artistas vai seguir a sequência dos grupos da Copa, ou seja, a cada post, vou apresentar quatro nomes correspondentes aos países que estão nos grupos A, B, C e assim por diante.

Muito arbitrariamente, escolhi aquilo que já conhecia e gostava, ou aquilo que descobri em função da pesquisa para a série e acabei gostando. Em função dessa mesma arbitrariedade, não há homogeneidade no estilo dos selecionados: há desde artistas cuja obra deixa clara sua nacionalidade até aqueles que apresentam um trabalho, digamos, mais globalizado, independentemente de sua origem. Tradicionais e modernos estão juntos e misturados.

Hoje é a vez do Grupo C, que tem o único país árabe da Copa: a Argélia.

Grupo C

INGLATERRA
Maureen Bisilliat
A fotógrafa Maureen Bisilliat é uma inglesa com olhar brasileiro. Com 79 anos, está há 53 no nosso país, onde se dedicou a fotografar imagens do sertão e de povos indígenas. Também é sempre lembrada por seus livros inspirados em obras da literatura brasileira, como as de João Cabral de Melo Neto, Drummond e Guimarães Rosa (abaixo).


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ESTADOS UNIDOS
Annie Rice
Você que pensa que foi Stephanie Meyer a primeira na história a fazer séries de livros sobre vampiros, grave este nome: Annie Rice. A escritora norte-americana, que tem como obra mais famosa "Entrevista com o Vampiro", produziu, a partir de 1976, ano de lançamento do referido livro, uma longa série de histórias sobre vampiros, protagonizada pelo personagem Lestat. Nos anos 90, escreveu uma série sobre bruxas - as da família Mayfair, bem menos ingênua e muito mais sombria que a de um certo bruxinho que viria a fazer sucesso alguns anos depois. Quem "teve contato" com Lasher sabe do que estou falando. Atualmente, quem diria, escreve livros sobre a história de Jesus.


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ARGÉLIA
Rachid Taha
Fundindo o raï, gênero original da Argélia, o rock e outros ritmos mundializados, o argelino Rachid Taha tem quase 30 anos de carreira e a reputação de um dos mais conhecidos cantores argelinos. Residente na França, que colonizou seu país natal, Rachid nunca deixou passar em branco temas como imigração e preconceito, seja cantando em francês, seja cantando em árabe.



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ESLOVÊNIA
Špela Čadež
O pessoal do leste Europeu adora um stop-motion - um dos principais nomes da técnica, inclusive, vem de lá: é o tcheco Jiri Trnka. Mas como o assunto aqui é Eslovênia, citemos um nome local: Špela Čadež, moça com filmografia curta - quatro produções até então, mas apontada como um dos nomes da nova geração de criadores em stop motion do seu país.



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Na quinta-feira, o Grupo D.

Veja também:

Grupo A
Grupo B

17 de mai de 2010

Os anos 90 são os novos anos 80

Editoria de Arte/O Tempo

Guarde os discos do Menudo e o Atari e tire do fundo da gaveta os CDs do Nirvana e o Super Nintendo. Depois de passar os últimos anos lembrando como a dita década perdida foi, no fim das contas, um barato, é hora de matar as saudades dos anos 90, já distantes 20 anos no calendário.

Sinais dessa nostalgia já se delineiam em forma de memórias e retornos de elementos da década, no mundo virtual e real. Numa rápida busca no Google, não é difícil encontrar sites e blogs que resgatam coisas como o desenho Cavaleiros do Zodíaco e a febre das boys band - lembra-se do Backstreet Boys e do N'Sync?. O mesmo ocorre no YouTube, onde vídeos são acompanhados de comentários saudosos de gente que hoje, no alto de seus 20 e poucos anos, relembra a infância vivida nos anos marcados pelo impeachment de Collor, o axé e o pagode.

Continue lendo sobre o revival dos 90 aqui, em reportagem desta que vos escreve.

14 de mai de 2010

Overdose de Dancing Queen

Aproveitando a passagem do "único cover do ABBA reconhecido pela própria da banda" (parece propaganda da Tabajara) pelo Brasil, fiz uma pesquisinha rápida pra ver o que a "inspiração" de músicos de todo o mundo pôde fazer com o maior sucesso de todos os tempos dos suecos, "Dancing Queen". Tem desde versões mais óbvias, como remix, até uma absurda versão trash metal. Ou seja, não dá pra reclamar. Você pode dançar "Dancing Queen" do jeito que quiser.





13 de mai de 2010

Copa do Mundo também é cultura - Grupo B

Continuo hoje a série que relaciona a cultura, tema deste blog, e a Copa do Mundo. Resumidamente, é assim: toda terça e toda quinta vou postar dicas de artistas de diferentes áreas culturais (música, artes plásticas, etc.) nascidos em cada um dos 32 países que disputam o mundial. A sequência dos artistas vai seguir a sequência dos grupos da Copa, ou seja, a cada post, vou apresentar quatro nomes correspondentes aos países que estão nos grupos A, B, C e assim por diante.

Muito arbitrariamente, escolhi aquilo que já conhecia e gostava, ou aquilo que descobri em função da pesquisa para a série e acabei gostando. Em função dessa mesma arbitrariedade, não há homogeneidade no estilo dos selecionados: há desde artistas cuja obra deixa clara sua nacionalidade até aqueles que apresentam um trabalho, digamos, mais globalizado, independentemente de sua origem. Tradicionais e modernos estão juntos e misturados.

Hoje é a vez do Grupo B, encabeçado pela odiosamente amada Argentina.

Grupo B

ARGENTINA
Sandro
Se nós temos Roberto Carlos, os argentinos têm Sandro. Um dos principais nomes da música argentina, Sandro é considerado um dos fundadores do rock cantado em espanhol. Depois de um período de introdução do ritmo anglo-saxão no país dos nossos hermanos, "el gitano de America" enveredou para a música romântica. Alguma semelhança com o Rei? Toda, exceto pelo fato de que, muito influenciado por Elvis, Sandro, morto no início deste ano, se inspirava no visual e na performance do rei do rock - caprichava no requebrado, acompanhado de um olhar sensual, muito diferente do nosso comportado Roberto Carlos.



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NIGÉRIA
Fela Kuti
Ele dizia que fazia highlife-jazz. Uns argumentam que era Afro-Jazz. A maioria diz que o nome para o seu estilo era Afrobeat. O fato é que Fela Kuti, compositor e multi-instrumentista, fundiu a influência yorubá absorvida dos pais, ritmos africanos e jazz, criou uma sonoridade original e marcou seu nome na música contemporânea. Também foi ativista político, defensor dos direitos civis e fundador do Movement of the People, partido político que desagradou o governo militar nigeriano, que deixou Kuti três anos na prisão.



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CORÉIA DO SUL
Nam June Paik
Se pelo menos uma vez na vida você ficou intrigado diante de uma vinheta da MTV, a culpa, em última análise, é de Nam June Paik. O sul-coreano é considerado o pai da videoarte. Primeiramente ligado a movimentos experimentais e vanguardistas na música e nas artes plásticas, Paik já era futurista na década de 60, quando fez seus primeiros trabalhos como videoartista. Agora você sabe que as vinhetas da MTV não são tão modernas assim.



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GRÉCIA
The Charms
Contam os relatos da internet que o The Charms foi um dos grandes sucessos da música grega na década de 60. Eles começaram como uma banda instrumental, depois adicionaram vocais em inglês às músicas e, finalmente, passaram a cantar em grego. Pop que a banda foi, participou de muitos filmes da época, como mostra o vídeo abaixo. Pode ser viagem minha, mas acho que a Grécia nunca esteve tão próxima do Brasil quanto com o The Charms - vocês também não sentiram um cheirinho de Jovem Guarda?



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Veja também:

Grupo A

12 de mai de 2010

Quase gêmeas

Billboard Brasil, abril de 2010

Rolling Stone Brasil, maio de 2010
1)Isso é falta de assunto, competição entre as revistas ou o quê?
2)O Tiago Leifert bem que merecia a capa da RS.

11 de mai de 2010

Copa do Mundo também é cultura - Grupo A

Começo hoje uma série que relaciona a cultura, tema deste blog, e a Copa do Mundo. Resumidamente, vai ser assim: toda terça e toda quinta vou postar dicas de artistas de diferentes áreas culturais (música, artes plásticas, etc.) nascidos em cada um dos 32 países que disputam o mundial. A sequência dos artistas vai seguir a sequência dos grupos da Copa, ou seja, a cada post, vou apresentar quatro nomes correspondentes aos países que estão nos grupos A, B, C e assim por diante.

Muito arbitrariamente, escolhi aquilo que já conhecia e gostava, ou aquilo que descobri em função da pesquisa para a série e acabei gostando. Em função dessa mesma arbitrariedade, não há homogeneidade no estilo dos selecionados: há desde artistas cuja obra deixa clara sua nacionalidade até aqueles que apresentam um trabalho, digamos, mais globalizado, independentemente de sua origem. Tradicionais e modernos estão juntos e misturados.

Voilá!

Grupo A

ÁFRICA DO SUL
David Goldblatt
Fotógrafo, David Goldblatt registra desde os anos 60 cenas do cotidiano sul-africano. Seu trabalho deixa transparecer as marcas do Apertheid, não só em razão da influência que a política de segregação racial tem sobre o olhar de qualquer um que a vivenciou, mas também por causa de sua condição peculiar nesse contexto. Branco, ele fazia parte do grupo privilegiado na sociedade sul-africano. Filho de judeus lituanos que migraram para a África do Sul fugindo do nazismo, ele tem a dimensão do horror provocado pela perseguição étnica.


Saiba mais.

MÉXICO
Diego Rivera
Um dos nomes do muralismo mexicano, Diego Rivera deixou uma obra atravessada por suas convicções políticas de esquerda. Dedicou-se mais aos murais do que aos pequenos quadros por acreditar que os primeiros, expostos em espaços públicos, levavam com mais eficiência mensagens ao povo. Fez do povo mexicano, sua história e problemática social a temática central de suas obras.


Saiba mais.

URUGUAI
Lágrima Rios
Lágrima Rios começou sua carreira na década de 40 cantando tangos, mas ficou conhecida como a "Dama do Candombe", ritmo nascido da confluência entre a cultura uruguaia e a dos africanos escravizados durante a colonização do país. Além de cantar, teve atuação em organizações ligadas ao movimento negro e de valorização da cultura popular.



Saiba mais.

FRANÇA
Manu Chao
Conhecido por aqui pela música "Clandestino", cantada em espanhol, Manu Chao nasceu e cresceu na França. O pleno domínio do idioma espanhol se justifica pela origem de seus pais. Nascidos na Espanha, migraram para a França fugindo da ditadura de Franco. Antes de seguir carreira solo, a partir de meados da década de 90, Manu foi vocalista da Mano Negra, banda que fundou com seu irmão na década de 80.



Saiba mais.

Quinta-feira é a vez do Grupo B.

10 de mai de 2010

Listverse

Rob Fleming*, se tivesse sido criado nesses tempos conectados, certamente teria o Listverse em seus Favoritos. Arrisco mais: talvez ele seria o editor do site. Listverse é um site que faz lista de tudo e qualquer coisa - desde os 10 palhaços com os quais você não gostaria de mexer com eles até os 10 produtos mais fracassados do Mc Donald's.

Uma das últimas:
10 mudanças que o ópio provocou no mundo

10 Música
9 Cirurgia
8 Flores
7 Cultura
6 Guerras
5 Literatura
4 Saúde
3 Alívio da dor
2 Indústria farmacêutica
1 Vício

Ótimo para enriquecer nosso repertório de cultura inútil. Vá lá: listverse.com

*Rob Fleming é o cara responsável pelas listas terem virado mania no mundo pop. E Rob Fleming nem existe. Tendo entre suas principais manias a elaboração de listas de melhores e piores, ele é o personagem principal de "Alta Fidelidade", do escritor inglês Nicky Hornby. Google it for more.

7 de mai de 2010

Metropolis na íntegra



Metrópolis, filme de 1927 do diretor alemão Fritz Lang, é um clássico do cinema mesmo com sua duração incompleta. Explico: na década de 20, quando o filme foi exibido nos EUA, o distribuidor norte-americano cortou arbitrariamente partes do filme por considerar sua versão integral demasiado complexa para a audiência yankee.

Anos se passaram desde essa barbeiragem até que em 2008 uma cópia integral de Metrópolis foi encontrada em Buenos Aires. O trabalho de restauração foi feito e a versão com 25 minutos a mais será lançada em DVD ainda este ano, em novembro. Alguns sortudos já assistiram-na, no Festival de Berlim, e outros ainda a assistirão, em sessões especiais em cinemas dos EUA e Canadá.

Para quem tiver que esperar pelo DVD, a dica é o site da empresa que fez o trabalho de restauração da cópia. Dentre outras coisas, ele dá informações sobre todo o processo e mostra as cenas que foram encontradas.

6 de mai de 2010

Cultne



Cultne - Acervo Digital de Cultura Negra é um site recém-lançado pela Secretaria de Assistência Social e Direitos Humanos do Rio de Janeiro. Como o nome já indica, o endereço vai abrigar material referente à produção artística afro-brasileira, desde as mais antigas até as mais recentes, no esforço de ampliar o conhecimento da população sobre tal produção, que, segundo o site, é, muitas vezes, folclorizada. Todo o conteúdo do site é liberado para download e qualquer um pode enviar material para ampliar o acervo.

Vá lá: www.cultne.com.br

Em tempo
- o Cultne também tem um canal no YouTube: www.youtube.com/user/Cultne

5 de mai de 2010

Faça a sua action painting


Jackson Pollock, pintor norte-americano, foi um dos principais nomes da arte no século XX. Representante do expressionismo abstrato, foi precursor da "action painting", método de pintura que consiste em deixar que a tinta, colocada em recipientes suspensos, escorra sobre a tela, afixada no chão ou na parede, de modo a valorizar a espontaneidade.

Hoje, o método está ao alcance de todos nós, sem que precisemos sujar as mãos. O site www.jacksonpollock.org, (que, apesar de eu só ter descoberto agora, foi criado em 2003) permite simular com apenas os cliques do mouse e o movimento do cursor. A "maravilha" daí de cima é obra minha. Abaixo, uma das obras do Pollock. Faça a sua também.

4 de mai de 2010

Álbum da Copa também é cultura

Admiradora que sou do futebol e empolgada que sou com o clima de Copa do Mundo, também entrei na onda de sair à caça de figurinhas para completar o álbum ilustrado do futebol. Apesar de gastar dinheiro e ficar irritada com as figurinhas repetidas - ter só três figurinhas da Nova Zelândia e tirar uma delas duas vezes é uó -, entre uma e outra figurinha colada acabei descobrindo e observando algumas bobagens. Olha só:

Larissa, além de ser o nome de várias meninas que estudaram comigo no curso de Comunicação, é, antes de tudo, o nome de uma cidade da Grécia.

***

Atletas brancos e negros, parte deles com nomes e traços árabes. Isto é a seleção da França, praticamente um país mestiço.

***

Se nós, brasileiros, temos um Obina no futebol, a Nigéria tem dois: Obinna Nwaneri e Victor Obinna (com dois "n"). Na verdade, são três, mas o terceiro não aparece no álbum: John Michael Obinna.

***

Parte da seleção dinamarquesa é ruiva.

***

Kaiser Chiefs é uma banda inglesa legalzinha, mas também o nome de um dos clubes de futebol sul-africanos. A única diferença é o "z" no lugar do "s". A propósito, os times de futebol de lá têm nomes divertidíssimos, com um quê de inspiração no estilo dos nomes dos times de basquete e beisebol norte-americanos: Mamelodi Sundows, Orlando Pirates e Golden Arrows.

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Além do Chivas Guadalajara, também existe o Chivas USA.

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Em comparação com os sul-coreanos, os japoneses têm os olhos muito mais abertos.

3 de mai de 2010

Dalí e o cinema

Dalí, apesar de pintor, tinha um pezinho no cinema. Já sabia disso por causa dos roteiros de "Um Cão Andaluz" e de "A Idade do Ouro", divididos com o diretor de ambos os filmes, o espanhol Luis Buñuel. Esses dias descobri que o surrealista deixou pelo menos mais duas contribuições com o cinema.

A primeira delas, linda, é um curta de animação feito em parceria com Walt Disney, a quem Dalí, certa vez, declarou admirar. "Destino", o curta em questão, foi iniciado em 1946, quando o pintor, ao longo de oito meses, direto dos estúdios Disney, fez desenhos e pinturas que serviriam de base para a animação. Ao fim desse prazo, o projeto foi abortado por problemas financeiros enfrentados pela empresa de Disney e só em 2003, depois de serem encontrados estes desenhos, o filme foi finalmente concretizado. É como ver um quadro de Dalí em movimento - até os clássicos relógios derretidos, distorcidos, whatever, "personagens" de algumas de seus obras, marcam presença também na animação.

Destino - Salvador Dalí e Disney from Mauricio Campos on Vimeo.



A segunda colaboração foi com Hitchcock, de quem falei aqui semana passada, no filme "Spellbound". Dalí desenhou a sequência de sonhos do psiquiatra vivido por Gregory Peck, fugindo do clichê imagens embaçadas + nuvens, índices que tipicamente sinalizam o sonho no audiovisual.

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