23 de nov de 2013

Três novos jeitos de ver e fazer clipes

A gente já sabe que aquela história segundo a qual o videoclipe estava morto foi uma das maiores furadas da MTV. Tanto que ela morreu antes. O clipe apenas migrou e se dispersou por outras mídias, e ainda por cima aproveitou as características técnicas destas novas mídias - computador, tablet e celular - para renovar sua linguagem. Tanto que há algum tempo a gente vê o lançamento dos chamados clipes interativos.

Mas nesta semana a nova categoria de clipe ganhou, de uma vez só, três novos exemplos de que, mais que viva, a linguagem dos videoclipes tem impensáveis caminhos de renovação, e talvez a gente ainda não faça a menor ideia de nem um décimo deles.

1)Queens of the Stone Age, "The Vampire of Time And Memory" e o clipe-hiperlink
Com a assinatura do Creators Project, o novo clipe da banda de Josh Macho-Alfa Homme propõe que o espectador explore a sala soturna na qual se passa a ação do vídeo. É possível ver a banda e atrizes em diferentes cenários. Paralelo a isso, os objetos de decoração do local remetem a conteúdos externos, tais como o link do novo disco da banda no Itunes e uma loja de pôsteres com a arte presente no vídeo. Muito esperto.

Versão interativa: www.vampyreoftimeandmemory.com




2)Pharrell, "Happy" e o clipe-estendido 
E se ao invés de um canal que passa clipes 24 horas por dia a gente tivesse um único clipe que ocupa as 24 horas de um dia? Pode não ter sido essa a pergunta que deu origem a "Happy", do Pharrell, mas é a inversão de termos que ele provoca. O clipe da música, que faz parte da trilha de "Meu Malvado Favorito 2", acompanha um dia inteiro na vida de Pharrell pelas ruas de Los Angeles. A concepção é do coletivo francês We Are From L.A.

Se você apertar o play e parar diante da tela, vai levar exatas 24 horas para chegar ao fim. Mas, claro, você não precisa gastar um dia inteiro para ver. É possível alternar aleatoriamente entre os vários momentos do dia clicando na posição correspondente do relógio que se sobrepõe à imagem, sempre mantendo a sequência da música - e essa é a graça da coisa: brincar de flanar com esse moço bonito que é o Pharrell.

Versão interativa: http://24hoursofhappy.com/




3)Bob Dylan, "Like a Rolling Stone" e o clipe-update
Um clássico feito há 48 anos ("Like a Rolling Sonte") com um clipe já bem legal feito há 18 anos (o vídeo de Michel Gondry para a versão dos Rolling Stones) ganhou novo frescor pelas mãos da  startup israelense Interlude.

Com a tela do computador simulando uma TV, o espectador tem à sua opção 16 canais com programação fictícia pelos quais pode zapear. As imagens são de telejornais, esportes e de gente cozinhando, mas todos os atores cantam os versos da música. Uma sugestão do descompasso na comunicação em meio à profusão de informações típica desse nosso tempo? Talvez, mas a princípio é só um material que coincide com o lançamento da "The Complete Album Collection Volume 1", com 47 CDs de Dylan. Ah, e claro, é também uma baita de uma diversão, do tipo que dá vontade de ver o clipe outra vez, sem necessariamente ter que ver o mesmo clipe. Que venham os próximos.

Versão interativa: http://video.bobdylan.com/



3 de nov de 2013

Circuito BB*: Com público ganho, Red Hot encerra Circuito Banco do Brasil

Foto: Uarlen Valério/O TEMPO

Acabaram-se as filas dos bares e banheiros, o público que se despertava no fim da pista sumiu. Todo mundo atendeu o chamado do baixo característico de Flea, que fez vibrar o Mega Space na introdução que se emendou em "Can't Stop". O público estava ali mesmo era pra ver o Red Hot Chili Peppers, em coerência com o status de atração principal da noite.

Com 30 anos de carreira e quatro passagens pelo Brasil, Belo Horizonte era ainda um território desconhecido para os californianos. Mas com o público já ganho, o debut em Minas dificilmente daria errado.

O caminho escolhido pela banda para adentrar solo mineiro foi o mesmo dos shows mais recentes: um espaço maior para as músicas do último disco, "I'm With You", e singles da virada dos anos 1990 para os 2000 ("Otherside", "Dani Califórnia", "Californication") para alegria dos fãs mais jovens da banda.

Do repertório do período em que a banda estourou para o mundo, no início dos anos 1990, pouca coisa, mas o básico: "Under the Bridge" e "Give it Away". Musicalmente, o ponto alto do show foi "Higher Ground", cover de Stevie Wonder registrado pela banda no fim dos anos 1980. Bem mais pesada que a versão em disco, ganhou o tom exato para o ao vivo. A jam session entre o percussionista brasileiro Mauro Refosco e o baterista Chad Smith, com referências ao samba, também agradou.

De poucas palavras com o público, a banda delegou a tarefa ao carismático Flea, que apresentou o percussionista brasileiro e, em vão, pediu que os skatistas na rampa ao fundo da pista fizessem manobras. A paisagem combinaria bem com a ensolarada Califórnia da banda, mas, sem entender inglês ou prestar atenção, os skatistas nada fizeram.

Sem dar descanso, a banda arrematou o show com "Around the World" e o hit máximo "Give it Away"' obtendo mais uma resposta calorosa do público. Provou que pouco mudou, apesar de a guitarra ter um rosto novo pela sétima vez (Josh Klinghoffer), e de Flea e o vocalista Anthony Kiedis já não serem tão frenéticos ao vivo quanto antes - a energia permanece na música. A boa forma de Kiedis, 51 anos completados na última sexta, também continua a mesma, dispensando até hoje a camisa.

Pouco mudou também a rotina de quem vai a festivais. As mesmas longas filas para banheiros e bares (cerca de 30 minutos de espera em cada uma), falta de lixeiras e preços altos (R$ 15 por um hambúrguer com pão, carne e queijo), falta de lixeiras. Em determinado momento, a água utilizada para preparar o macarrão instantâneo que era comercializado simplesmente acabou, deixando pra trás uma longa fila de insatisfeitos.

O escoamento do trânsito, ponto crítico comum a grandes eventos, foi também mais uma vez problemático. Se na ida houve lentidão provocada por uma manifestação que interditou uma das vias que dá acesso ao Mega Space, na volta, a saída de cerca de 40 mil pessoas de uma só vez, somada à inexistência de nenhuma opção de transporte público de massa e ao uso praticamente que único de transporte privado - carros (o estacionamento tinha capacidade para 7 mil), vans e táxis -, deram a fórmula para mais lentidão ainda.

O engarrafamento já começava dentro do Mega Space, no estacionamento. O carro da reportagem de O TEMPO gastou 20 minutos para fazer um trajeto de poucos metros. Do lado de fora, no sentido Santa Luzia, uma extensa fila de táxis e vans contratadas pelo público movia-se lentamente.  No sentido Belo Horizonte, centenas de pessoas caminhavam no meio da rua, em meio aos carros, tornando mais lento o deslocamento dos veículos - não havia uma via fechada exclusivamente para a passagem de pedestres, como já foi feito em shows no Mineirão, por exemplo. Em meio à confusão de carros e pedestres, um policial militar deu a seguinte "orientação" ao carro da reportagem: "Vai empurrando o pessoal". Fora do palco ainda não tem show.

*Texto produzido para o portal O TEMPO online

Circuito BB*: Estranho no ninho, Yeah Yeah Yeahs faz show para público curioso e impaciente

Foto: Uarlen Valério/O TEMPO

Em meio a uma lista de artistas que frequentaram as FMs nos anos 1990 e 2000, o Yeah Yeah Yeahs, cria da cena alternativa de Nova York do inicio dos anos 2000, era um estranho no ninho. Era de se esperar que levantar o publico, que estava em massa para ver o Red Hot Chili Peppers, seria uma tarefa difícil para a banda e assim o foi.

Quem estava sentado na pista guardando o melhor lugar para ver o Red Hot Chili Peppers até chegou a se levantar para lançar um olhar curioso para o palco, mas o público pouco se mexeu diante do rock moderninho da banda. Houve quem vaiasse a banda no incio do show - pedindo logo o show seguinte e quem acenasse com um tchau em direção à banda também pedindo pelo Chili Peppers. Alguns grupos isolados vibravam com o repertorio pouco conhecido do grande público - "Gold Lion", "Heads Will Roll", "Mosquito" e "Maps", um passeio pelos quatro discos da banda em cerca de 45 minutos de show.

Usando tênis esportivo, meias vermelhas até os joelhos, short e blazer rosa metálico (depois trocado por uma jaqueta de couro cravejada de tachas), e uma camiseta com o rosto de Lou Reed, morto no ultimo domingo (e para quem foi dedicada a musica "Maps"), a vocalista Karen O estava menos performática que o normal. Brincou de engolir o microfone - o que arrancou um raro grito coletivo durante o show -, convocou o público a bater palmas, mas permaneceu "comportada" para seus padrões.

Sua voz aguda foi prejudicada pela equalização do som da banda - apenas guitarra e bateria - e soou abafada a maior parte do show. Em determinado momento, os gritos de "cerveja, cerveja" de um pequeno grupo de pessoas na tentativa de chamar atenção de um ambulante chegou a soar mais alto que a voz de Karen. Mesmo sem a resposta devida do público, a banda pareceu se esforçar e até se divertir em determinados momentos, mas fez um show menos extenso do que poderia ter realizado.

Com a plateia estática e a banda acanhada, o show terminou em um frustrante empate.

*Texto produzido para o portal O TEMPO online

Circuito BB*: Hits da música popular e do rock brasileiro ganham destaque nos primeiros shows do Circuito Banco do Brasil

O repertório dos primeiros shows do Circuito Banco do Brasil, que acontece neste sábado, no Mega Space, teve jeito de rádio FM ambulante. Além de privilegiar os principais hits de suas carreiras, os primeiros artistas a se apresentarem apostaram em sucessos alheios da música popular e do rock nacional para ganhar o público.

Os mineiros do Tianastácia, que abriram a programação, fizeram homenagens ao Charlie Brown Jr. e ao Raimundos ("Mulher de Fases"). A paraense Gaby Amarantos, honrando suas referências populares, atacou de Wando ("Fogo e Paixão") e Chitãozinho e Xororó ("Evidências"). Ao lado de Fernanda Takai, convidada do show, cantou Roberto e Erasmo Carlos ("Debaixo dos Caracóis dos Seus Cabelos") e Titãs ("Sonífera Ilha"). O Jota Quest também foi de Roberto e Erasmo ("Além do Horizonte") e Lulu Santos ("Tempos Modernos"), músicas que já fazem parte do repertório da banda.

A banda O Rappa é a próxima a subir no palco. Os shows estão começando com 20 minutos de atraso, em média. Segundo a organização do evento, o público estimado é de 40 mil pessoas.

*Texto produzido para o portal O TEMPO Online

28 de out de 2013

A cláusula Lou


É prática comum nas grandes publicações dos Estados Unidos, e em certo grau nas redações britânicas, a tentativa de resumir em apenas uma frase a vida e obra de personalidades nos obituários. É a chamada "cláusula quem", introduzida no New York Times pelo jornalista Robert McG Thomas Jr.

Quem me chamou atenção para isso há algum tempo foi o jornalista Mauricio Stycer, por ocasião da morte de Farrah Fawcett, e desde então fico atenta aos textos gringos dos jornalões - e "revistões" - que noticiam a morte de gente importante. Por mais árdua que seja a tarefa - condensar a complexidade de uma vida em poucas palavras com clareza - gosto de ver como as definições se complementam, se convergem ou divergem.

A morte de Lou Reed ontem - o cara que me fez entender lá pelos 16 anos que música "estranha" pode ser algo muito bom e, com isso,  abriu um buraco na minha cabeça dando espaço para novos sons - me fez prestar mais atenção ainda na prática. Abaixo, uma coletânea de "cláusulas quem" sobre ele, que vão da definição mais objetiva, com jeitão de dicionário, até a mais poética, deixando à mostra o fã que se esconde por trás de quem fez o texto.

Do New York Times:
Lou Reed, o cantor, compositor e guitarrista, cujo trabalho com o Velvet Underground em 1960 teve uma grande influência sobre gerações de músicos de rock, e que continuou a ser uma poderosa senão polarizante força para o resto de sua vida, morreu no domingo em sua casa em Amagansett, NY, em Long Island. Ele tinha 71 anos.

Do The Guardian:
Lou Reed, vocalista do Velvet Underground, cronista veterano do lado mais selvagem, desagradável e desesperado da vida, e um dos compositores mais influentes e distintivos de sua geração, morreu aos 71 anos de idade.

Da Rolling Stone:
Lou Reed, compositor maciçamente influente e guitarrista que ajudou a moldar quase cinquenta anos de rock, morreu hoje on Long Island.

Da NME:
Lou Reed, que morreu aos 71 anos, foi o eixo central por trás do Velvet Underground e um ícone da música com uma carreira de quase 50 anos.

24 de out de 2013

Queenie Eye, o Sgt. Peppers em live action





Esqueça os mullets que Paul resolveu voltar a usar. Preste atenção nos amiguinhos que ele chamou para dividir a figuração de seu novo clipe "Queeni Eye", segundo single do recém-lançado álbum "New".

Como numa espécie de remake de luxo e em live action da capa do disco-dispensa-apresentações "Sgt Pepper's Lonely Hearts Club Band", personalidades contemporâneas estão reunidas em torno do beatle fazendo a festa nos estúdios de Abbey Road.

Johnny Depp, Jude Law, Meryl Streep, Sean Penn, Kate Moss, Tom Ford, Jeremy Irons e Tom Ford são "só" alguns deles. Peter Blake, o autor da capa de "Pepper", também dá as caras.

Abaixo, o making of do clipe.


16 de out de 2013

Black Sabbath honra legado*

Foto: Denilton Dias/O Tempo

Ver o Black Sabbath ao vivo , com sua formação clássica e original, é como ir a Paris e ver a Torre Eiffel. Você passou a sua vida inteira ciente da grandiosidade daquilo tudo, mas o impacto de ver aquele símbolo diante de seus olhos faz parecer que você está descobrindo a grandiosidade naquele exato momento, tornando o símbolo ainda mais poderoso.

A reunião dos membros originais já bastaria para causar este impacto, mas outros fatores deram ainda mais força à noite desta última terça (15) na esplanada do Mineirão. Ter a banda tocando no quintal de casa foi a primeira delas - apesar do show de Belo Horizonte ter sido confirmado tardiamente, três meses depois do anúncio da turnê nacional, o que levou muitos fãs mineiros ao Rio e a São Paulo. Ver nomes de peso da música mundial na cidade é uma realidade ainda recente, o que não deixa ser empolgante.

A segunda foi a excelente performance da banda, uma constante na turnê sul-americana. Em uma época em que tantas bandas armam reuniões, tornando o gesto por vezes duvidoso, é notável perceber que os sessentões do Sabbath, sejam quais forem as suas razões para a reunião, são capazes de fazer um show à altura do legado da banda. Ozzy, cuja dicção chega a ser um pouco confusa enquanto fala, em função das sequelas do uso de drogas, muda completamente quando abre a boca para cantar. Sua voz foi quase nada prejudicada pelo tempo. Além disso, é um show man dedicado, que incita a plateia a fazer barulho, bater palmas e pular - e que também diz seguidas vezes "God bless you" ("Deus os abençoe"), apesar do título de príncipe das trevas.

O guitarrista Tony Iommi, que passa por um tratamento contra um linfoma (câncer no sistema linfático), continua sem nenhum tipo de afetação e de pose no palco, o que valoriza ainda mais sua performance. Geezer Butler também teve seu momento de destaque com um solo emendado em "N.I.B"

E mesmo se a banda não estivesse 100%, ainda restariam os clássicos para sustentar o show. "War Pigs", primeira da noite, e "Black Sabbath" tiveram resposta enérgica do público. "Iron Man" já conseguiria sozinha enlouquecer os fãs, mas foi potencializada por um longo solo do baterista Tommy Cufletos - substituto de Bill Ward, o único membro original que não participa da turnê de reunião. Outro clássico de Ozzy e cia., "Paranoid" encerrou o show. No público, uma fã chorava emocionada. A cena, perdida em meio à multidão de 20 mil pessoas e inimaginável em um público de heavy metal, é uma prova de que o show que encerrou a turnê do Sabbath no Brasil passou longe de ser um show qualquer.  

Falhas
O ponto negativo da noite ficou por conta das longas filas para os banheiros e a falta de higienização dos mesmos, assim como a falta de bebidas. Em determinado momento, alguns bares já não tinham mais cerveja, refrigerante e água disponíveis.    

*Texto meu publicado no site do jornal Pampulha em 16/10/2013

14 de out de 2013

A Metamorfose - O Filme

Dia desses estava lendo uma matéria sobre Praga e comecei a viajar. Pensei no Kafka, me lembrei de "A Metamorfose" e me perguntei sobre possíveis filmes sobre o livro. Fui ao oráculo Google e descobri um filme alemão de 1975 e outro russo, de 2002. Encontrei a versão alemã legendada no YouTube, um ótimo achado - estou arriscando as primeiras palavras em alemão. É praticamente um média-metragem, só 50 minutos, mas conta tudo o que interessa na história de Gregor Samsa.


6 de out de 2013

Quando a ginástica encontra o pop

Sou louca por ginástica artística desde o tempo em o esporte ainda era chamado de ginástica olímpica - cheguei até a ter aulas por uns dois anos, numa época pré-Daniele e pré-Daiane, e lembro-me de ter que ficar explicando na escola que coisa esquisita era aquela que eu fazia. Quando essa paixão apresenta encontros bem sacados com a música, minha paixão inconteste, eu dou um monte de duplo twist carpado de alegria. Foi o que aconteceu hoje, enquanto assistia à final do mundial de ginástica artística em Antuérpia, na Bélgica.

Em sua prova de solo, a romena Sandra Izbasa fez sua rotina de exercícios ao som de "Feeling Good", da Nina Simone. Longilínea e com uma graça toda peculiar na parte coreográfica, ela fez uma apresentação condizente com a beleza da música. Infelizmente, Izbasa perdeu altura na última acrobacia, o que a desequilibrou e lhe tirou dois pontos. Terminou a final em quarto lugar, com 13.733 pontos. O vídeo abaixo é um registro da mesma prova, mas no campeonato nacional de ginástica da Romênia, quando a atleta teve uma performance bem mais limpa e obteve incríveis 15.600 pontos.





Tendência
Já faz um tempo as ginastas não têm se limitado aos temas orquestrais para as trilhas das rotinas de solo, tirando a prova da mesmice. Um clássico da nossa ginástica nesse sentido - e, talvez, da ginástica mundial - é o Brasileirinho de Daiane dos Santos. No ano passado, as Olimpíadas de Londres também apresentaram exemplos muitos legais.  A romena Catalina Ponor fez sua rotina ao som de "Fever" (composição de Eddie Cooley e Otis Blackwell gravada por uma lista vasta de gente, de Elvis a Madonna); a australiana Lauren Mitchell, de "Besame Mucho" (Consuelo Vélazquez); e a britânica Beth Tweedle, de "Live and Let Die" (Paul McCartney).

Abaixo, na sequência, as performances de Daiane (primeiro vídeo), Catalina e Lauren (segundo vídeo, a partir de 14min20s ) e Beth (terceiro vídeo, em prova do campeonato britânico).


30 de set de 2013

BBB: Bastidores de Bruce no Brasil

Foto: Jann Wenner
Quem ficou sem palavras diante dos dois shows que Bruce Springsteen fez no Brasil neste mês vai gostar de ler dois textos publicados no fim de semana que mostram como o Boss levou a sério o retorno ao Brasil depois de 25 anos.

O primeiro é do Álvaro Pereira Júnior, que esclareceu em sua coluna na Folha de S. Paulo como "Sociedade Alternativa" foi parar no setlist do show. O próprio colunista é o protagonista da história. Em resumo, ele foi procurado pela produção do artista após entrevista no Chile para dar sugestões de músicas brasileiras que o Boss poderia incluir no repertório do show. Junto com André Barcinski, enviou uma lista tríplice: "Sociedade Alternativa", "Inútil" e "Que País é Esse?". Vale a pena ler para acompanhar os meandros da história e para entender porque exatamente um jornalista foi procurado para a tarefa.

O segundo é uma breve matéria da Rolling Stone Brasil com Jann Wenner, fundador da revista matriz, que acompanhou Bruce na turnê brasileira e revelou que o músico impôs para si a missão de reconquistar o público da América do Sul com os recentes shows após mais de duas décadas distante dos palcos daqui. Como eu, você, e todos que vimos os shows de alguma forma já sabemos, missão cumprida, chefe.

PS: Este blog está na torcida para que a presença de Wenner ao lado de Bruce por essas bandas se converta em um bom texto de bastidor em alguma futura edição da Rolling Stone.  

1 de set de 2013

BH Show


Por motivos de viagem ao exterior, notebook dois meses rodando em três assistências técnicas e dois cursos online no período noturno - tudo nesta ordem - este blog esteve desatualizado nos últimos meses, o que me dói muito, pois já criei um apego com este espaço.

Prometo tentar voltar à programação normal à medida que os cursos não me tomarem tanto tempo assim (um deles logo, logo vai acabar). Por hora, passo aqui pra avisar que, apesar de estar cheia de coisa pra fazer, inventei mais um serviço pra mim e coloquei no ar hoje o BH Show, um site que pretende ser uma agenda voltada exclusivamente para os shows internacionais que acontecem aqui na cidade. Visitem: http://www.bhshow.com.br/

17 de jun de 2013

Prosperidade e crise no mundo dos cachês

Bon Jovi (sem Sambora) sai da Espanha de bolso vazio, mas vai faturar no Brasil

Recentemente, o relações públicas do Bon Jovi informou que a banda abriu mão do cachê que receberia para se apresentar em Madri, no próximo dia 27. Jon Bon Jovi e companhia renunciaram ao pagamento a fim de baixar o preço dos ingressos e, assim, permitir que os fãs tivessem acesso facilitado ao show tendo em vista cenário de crise econômica e desemprego que atinge a Espanha desde 2008.

O que não foi divulgado é que, além de aliviar para o lado dos fãs, a banda também acabou aliviando para o lado dos produtores. Extenso artigo publicado neste mês pelo jornal El País disseca o atual estado da indústria de shows na Espanha, tão combalida como outros setores produtivos do país, em função da tal crise. Um representante da Live Nation ouvido pela reportagem admite que os produtores locais estão oferecendo cachês menores para os artistas em função de quedas nos lucros via venda de ingressos - provocada pelo aumento do IVA (imposto cobrado sobre bens e serviços) de 8% para 21%, desde agosto do ano passado, e por uma queda de mais de 42% na venda de ingressos. Com isso, diz a fonte, ninguém quer ir tocar na Espanha. No meio dessa história, o Bon Jovi acaba se convertendo num grupo de franciscanos.

Ou, talvez, a banda recupere aqui no Brasil, em setembro, no Rock in Rio e em show solo em São Paulo, o que deixou de ganhar na Espanha. Já há alguns anos, com a crise acima do Equador, o Brasil tem se tornado destino intere$$ante para atrações internacionais, coisa que os próprios produtores locais reconhecem. Em alguns casos, a disputa por um determinado artista entre produtoras se converte em leilão e o cachê vai às alturas - exemplo recente mais forte foi a vinda do Foo Fighters ao Lollapalooza, no ano passado. O lance inicial para o cachê era de R$1,5 milhão, mas foi fechado em R$5 milhões. Levou quem pagou mais. Houve episódios de encalhe de ingresso, como Lady Gaga e Madonna, mas ao que tudo indica uma combinação de fatores que não apenas de ordem econômica (shows voltados para públicos muito semelhantes, em datas muito próximas e em cidades com excesso de atrações internacionais) contribuíram para as baixas vendas.

Por enquanto, a despeito da economia crescendo em ritmo lento - mas crescendo - e da inflação insistindo em bater a casa dos 6%, o desembarque internacional dos aeroportos de Rio e São Paulo, principalmente, não dão sinais de que deixarão de receber gente de fora. Os ingressos do Rock in Rio se evaporaram, o Planeta Terra ressurgiu das cinzas, o Monsters of Rock está de volta depois de 15 anos sem ser realizado no país, São Paulo ganhará um novo festival em dezembro, o Black Sabbath está de malas prontas pra cá, Beyoncé também, em uma turnê que promete passear pelo Brasil (além de show no Rock in Rio, a cantora também pode passar por BH, Fortaleza e Brasília), depois de Paul McCartney ter feito o mesmo em maio (com abertura mundial de turnê em BH e inclusão de Goiânia e Fortaleza na rota). O eldorado por enquanto e ainda é aqui.

10 de jun de 2013

Dorian Gray do jeito que Wilde queria

Finalmente ganhou uma edição brasileira o texto original de "O Retrato de Dorian Gray", de Oscar Wilde. Chega às livrarias neste mês, pela Globo Livros, a tradução do manuscrito da obra, que trata de maneira explícita da relação homoafetiva entre o personagem título e o pintor Basil Hallward, autor do retrato fundamental para o argumento da trama - um escândalo para a sociedade do século XIX, que condenou Wilde a trabalhos forçados por sua homossexualidade.

Lá fora, o livro saiu em 2011, depois que o professor de inglês da Universidade da Virginia, Nicholas Frankel, teve acesso ao original do escritor irlandês. A nova edição traz notas de Frankel que contextualizam passagens do romance e traçam paralelos com a vida de Wilde. O professor também assina a introdução do livro.

O Retrato de Dorian Gray - Oscar Wilde
Globo Livros
Trad. Jorio Dauster
352 páginas, R$64,90

6 de jun de 2013

O hype do Daft Punk reconstituuído


O Daft Punk causou para lançar seu quinto disco de estúdio, "Random Access Memories". Talvez não precisasse, pois um hiato de oito anos desde o último disco, "Human After All", e a aura de mistério que envolve a existência da dupla cabeça de capacete já seriam suficientes para criar um buzz daqueles. Mas, mesmo assim, o Daft Punk causou de maneira milimetricamente marketeada e, em determinados pontos, inusitada. O resultado: só se falou neles nos últimos dois meses e o disco e seu primeiro single, "Get Lucky" bateram recordes nas paradas britânicas. Resolvi fazer uma retrospectiva de tudo o que aconteceu para visualizar objetivamente o hype que tornou Guy-Manuel de Homem-Christo e Thomas Bangalter tão onipresentes e RAM tão desejado.

2/3
Anúncio misterioso é exibido no Saturday Night Live



24/3
Duo anuncia nome do novo disco e data de lançamento

12/4
Trailer do disco é revelado durante o Coachella. Pharrell Williams e Nile Rodgers aparecem junto a Guy-Manuel de Homem-Christo e Thomas Bangalter. No mesmo fim de semana, os dois aparecem em anúncio da Saint Laurent




16/4
Caminhão passeia aleatoriamente pelas ruas de Tokio promovendo o novo disco




17/4
Tracklisting é anunciado no Vine

18/4
Suposta versão completa de novo single, "Get Lucky", circula na internet

19/4
"Get Lucky" tem lançamento oficial no iTunes

22/4
Duo quebra o recorde de streaming no Spotify

10/5
Banda diz que não tem planos de tocar novo disco ao vivo

13/5
Teaser de nova música, "Give Life Back To Music"

16/5
RAM quebra o recorde de Be Here Now, do Oasis, e se torna o disco com vendagem mais rápida na parada britânica

17/5
Lançamento de RAM em feira agrícola em Wee Waa, pequena cidade do interior da Austrália



21/5
Vem a público Horizon, faixa exclusiva de RAM no Japão

22/5
"Get Lucky" torna-se o single mais bem vendido no Reino Unido em 2013

26/5
Guy-Manuel de Homem-Christo e Thomas Bangalter fazem a primeira aparição pública durante o GP de Mônaco


27/5
O Daft Punk consegue seu primeiro número 1 na parada britânica

31 de mai de 2013

Revivendo o faroeste



Passei no teste. Todos os quase 200 versos de "Faroeste Caboclo" continuam intactos em minha memória, mesmo o hábito de ouvir Legião Urbana estando em algum lugar da minha vida nos tempos de 5ª série. Fui atrás da música motivada pelo revival provocado pela chegada aos cinemas do filme homônimo.

Se naqueles meados dos anos 1990 eu ouvia a música gravada a partir de uma rádio em fita K7 em clima de gincana, no intuito voraz de decorar os versos escritos à mão por uma amiga em algumas folhas arrancadas de seu caderno (era pré-Google, pré-internet, entende?), nesta semana ouvi a música em tom reflexivo, notando as nuances da melodia que acompanham a atmosfera dos episódios vividos por João do Santo Cristo em sua saga e fazendo paralelos com a realidade passada e presente do Brasil, percebendo noções de violência e justiça social que Renato Russo provavelmente tinha - coisas que a gente não faz quando tem 12 anos.

Ainda devo demorar alguns dias para ir ver o filme, para evitar a muvuca e filas longas típicas de filmes recém-estreados. Não vou com o espírito pseudo-crítico/analítico como este que marcou meu reencontro com a música e sim com aquele clima juvenil de oba oba e diversão pura da menina que tentava decorar a letra na década passada. Para quem é da geração MTV e, portanto, aprendeu a gostar de música vendo clipes, ver "Faroeste Caboclo" - que não tem clipe - se transubstanciar em imagem é receber o pagamento de uma dívida de anos.

Ok, sei que o filme não é uma reprodução à risca da música, tampouco um videoclipe tamanho família da mesma - o diretor René Sampaio já esclareceu isso em diversas entrevistas. Mas a inconsequência juvenil que permeia minha admiração e minha história com a música me obriga a ter menos exigência e picuinha crítica com o filme. This girl just wanna have fun.

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